Empresas da UE pressionam por regras mais ágeis para competir com avanço dos EUA em mercados tokenizados
- Por que as empresas europeias estão em pânico com a tokenização?
- O que está em jogo além do mercado crypto?
- Quais as mudanças urgentes que o setor propõe?
- Como os EUA estão ganhando essa corrida?
- O que acontecerá se a UE não agir?
- Perguntas e Respostas sobre a Disputa Regulatória EUA-UE
Enquanto os Estados Unidos aceleram na regulamentação de ativos tokenizados, empresas europeias soam o alarme: a burocracia do bloco pode deixar o continente irrelevante na próxima década financeira. Numa carta aberta, gigantes como Securitize e Boerse Stuttgart exigem reformas urgentes no regime piloto DLT da UE, alertando que a lentidão regulatória está desviando capital e liquidez para Wall Street. O cenário? Uma Europa perdendo terreno na corrida pela tokenização de ativos reais, enquanto NYSE e Nasdaq preparam infraestruturas blockchain 24/7.
Por que as empresas europeias estão em pânico com a tokenização?
Imagine tentar competir numa Fórmula 1 com um regulamento que limita seu carro a 80km/h. É assim que as empresas de blockchain da UE descrevem o atual regime DLT Pilot. As restrições são tantas - desde tetos de transação até licenças temporárias - que mesmo os melhores projetos ficam engessados. Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, a SEC já liberou a guarda de ativos tokenizados por corretoras, e o DTCC (o gigante das câmaras de compensação) recebeu luz verde para tokenizar ativos reais.
O que está em jogo além do mercado crypto?
Não se trata apenas de criptomoedas. A tokenização promete revolucionar como negociamos tudo - de imóveis a títulos do tesouro. Os europeus temem que, perdendo essa corrida, o euro possa se tornar moeda coadjuvante nos mercados globais. "A liquidez migra para onde encontra menos obstáculos", alerta um trecho da carta. E uma vez que vai, dificilmente volta. Dados da TradingView mostram que o volume de RWA (Real World Assets) tokenizados nos EUA já supera €28 bilhões em 2025.
Quais as mudanças urgentes que o setor propõe?
As empresas não pedem deregulamentação, mas ajustes técnicos no sandbox DLT:
- Ampliar os tipos de ativos elegíveis
- Aumentar limites de emissão e transação
- Remover o prazo de 6 anos para licenças
- Manter todas as proteções ao investidor
Como os EUA estão ganhando essa corrida?
Enquanto a UE debate, Wall Street age. A NYSE planeja lançar em 2026 uma plataforma para negociar ações e ETFs tokenizados com liquidação instantânea. Já a Nasdaq prioriza aprovar listagens de ações tokenizadas. A SEC ainda criou categorias claras para esses ativos, dando segurança jurídica que a Europa ainda não oferece. "Lá, o debate é 'como fazer'. Aqui, ainda discutimos 'se devemos fazer'", lamenta um fundador de fintech lisboeta.
O que acontecerá se a UE não agir?
Os riscos vão além de perder startups para Miami. Com mercados tokenizados maduros nos EUA até 2030, a Europa pode ficar refém de infraestruturas financeiras alheias - uma dependência tecnológica tão perigosa quanto a energética. O Banco Central Europeu já alertou que 65% dos pagamentos cross-border em euros poderiam migrar para rails blockchain estrangeiros caso o bloco não desenvolva suas próprias soluções.
Perguntas e Respostas sobre a Disputa Regulatória EUA-UE
Quais empresas lideram o apelo por mudanças na UE?
Securitize, 21X, Boerse Stuttgart Group, Lise, OpenBrick, stx e Axiology estão entre os signatários da carta ao parlamento europeu.
Os EUA já têm vantagem significativa em tokenização?
Dados da CoinMarketCap indicam que os EUA concentram 58% do volume global de RWA tokenizados em 2025, contra 23% da Ásia e apenas 19% da Europa.
Quais prazos o setor considera críticos?
As empresas alertam que decisões tomadas (ou não) em 2026-2027 definirão se a UE terá mercados tokenizados relevantes na próxima década.