Bitcoin atinge menor volatilidade desde 2015: a criptomoeda está se tornando o novo ouro digital?

O rei das criptomoedas finalmente está amadurecendo? O Bitcoin registrou sua menor volatilidade desde janeiro de 2015—um marco que está fazando até os tradicionalistas de Wall Street reconsiderarem seu status no mercado.
Maturidade Inesperada
Quem diria que o ativo que já foi considerado cassino de especuladores agora exibe uma estabilidade que rivaliza com as moedas fiduciárias estabelecidas. A queda consistente na volatilidade sugere que instituições financeiras e investidores de longo prazo estão entrando no mercado—e ficando.
O Paradoxo da Reserva de Valor
Enquanto os bancos centrais imprimem dinheiro como se não houvesse amanhã, o Bitcoin está silenciosamente construindo seu caso como reserva de valor digital. A ironia? O ativo que foi criado para destruir o sistema financeiro tradicional pode acabar se tornando sua âncora mais confiável—ou pelo menos o hedge preferido contra a inflação que esses mesmos bancos centrais criam.
Os grandes players institucionais já estão alocando percentuais significativos de suas carteiras em BTC, tratando-o menos como commodity especulativa e mais como reserva estratégica. E sim, até mesmo aqueles mesmos executivos que há cinco anos chamavam Bitcoin de fraude agora estão acumulando satoshis—porque nada fala mais alto que o lucro, nem mesmo o orgulho profissional.
O mercado finalmente está percebendo que a verdadeira reserva de valor do século XXI não vem com impressão governamental, mas com proof-of-work. A pergunta que resta: os reguladores vão deixar essa revolução silenciosa continuar, ou vão tentar regulamentar até a última gota de inovação—como sempre fazem?
Bitcoin está se tornando um ativo de reserva de valor?
A volatilidade elevada do bitcoin impedia que o mercado reconhecesse a criptomoeda como um ativo de reserva de valor. Mas, de uns tempos para cá, essa característica tem ganhando força em torno do bitcoin. Em março, o presidente americano, Donald Trump, anunciou a criação de uma reserva estratégia de bitcoin que será formada apenas por BTCs detidos pelo governo federal em processos legais.
Em um primeiro momento, os detalhes do decreto trouxeram uma decepção dos investidores que esperavam da Casa Branca anúncios de compras de bitcoin, algo que, até o momento, não aconteceu. Apesar da frustração inicial, os principais players da indústria avaliaram o decreto como algo positivo. Isso porque, na avaliação deles, a ordem executiva consolidou o reconhecimento do bitcoin, como ativo de reserva, pela maior economia do mundo e distinguiu o ativo digital das outras criptos.
O evento tem sido acompanhado pelo interesse de empresas de capital aberto pelos fundamentos do BTC. Também em março, a Méliuz (CASH3) aprovou a aplicação de até 10% do seu caixa total em bitcoin com objetivo de retornos no longo prazo. A estratégia da empresa de cashback segue os passos da empresa de software Strategy (antiga MicroStrategy), que possui sede nos Estados Unidos (EUA). Relembre o caso nesta reportagem.
Publicidade
Esses movimentos, embora sejam relevantes, ainda não são suficientes para consolidar o ativo digital como ativo de reserva. André Franco, analista de investimentos cripto e CEO da Boost Research, explica que é preciso ter uma adesão maior e uma queda mais acentuada da volatilidade para que o BTC conquiste o título de ouro digital.
A volatilidade ainda é muito alta para ser cravado com ativo de reserva. Mas vejo que isso pode acotencer consolidado até 2035, quando a geração mais nova de investidores terá uma participação mais relevante na indústria, diz Franco.O que esperar do bitcoin daqui para frente?
O recuo da volatilidade não blinda o bitcoin de oscilações significativas nas próximas semanas. Nesta semana, a criptomoeda deve ficar suscetível aos desdobramentos do cenário macroeconômico, especialmente em torno das expectativas do ciclo de queda de juros nos EUA para setembro, quando ocorre a próxima reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). As apostas ganharam força na última semana após a divulgação dos dados de inflação ao consumidor americano (CPI, na sigla inglês).
Em julho, o indicador econômico subiu 0,2% em comparação ao mês anterior, em linha com as projeções do mercado. O resultado, somado aos dados fracos do mercado trabalho que foram divulgados no início do mês, reforça a necessidade de mudanças na condução da política monetária do país, que mantém as taxas de juros nos intervalos de 4,25% e 4,5% ao ano.
Na prática, a flexibilização da política monetária tende a criar um ambiente econômica mais favorável para a indústria de criptomoedas. Isso porque, com a queda das taxas americanas, os investidores tendem a direcionar as suas alocações para ativos de maior risco em busca de retornos mais elevados. E as criptomoedas entram nesse radar.
Qualquer sinal de postura mais rígida ou de atraso nos cortes de juros pode pressionar os ativos de risco, enquanto sinais mais brandos podem dar continuidade ao momento positivo das criptos, diz Guilherme Prado, country manager da Bitget no Brasil.
Publicidade