Por que Adam Back rejeita a proposta BIP-110 para combater spam no Bitcoin?
- Qual é a posição de Adam Back sobre o BIP-110?
- Quais são os riscos apontados por outros especialistas?
- Como o BIP-110 afetaria Ordinais e Runas?
- Quais são as implicações políticas?
- Perguntas Frequentes
Adam Back, fundador e CEO da Blockstream, criticou duramente a proposta BIP-110, que visa reduzir o spam na rede Bitcoin, chamando-a de "condenada ao fracasso desde o início". Ele e outros especialistas, como Jameson Lopp e Peter Todd, argumentam que a medida pode levar à censura e centralização, prejudicando a inovação e a neutralidade da rede. Este artigo explora os motivos por trás dessa rejeição e os possíveis impactos do BIP-110 no ecossistema Bitcoin.
Qual é a posição de Adam Back sobre o BIP-110?
Adam Back não poupou críticas ao BIP-110, um soft fork proposto para filtrar transações consideradas spam no Bitcoin. Ele argumenta que, embora a redução do spam seja desejável, a implementação desse mecanismo abriria precedentes perigosos. "Isso permitiria que um pequeno grupo decidisse quais tipos de transações são válidas, o que vai contra a natureza descentralizada do Bitcoin", afirmou Back em um post recente.
Além disso, Back destacou que o BIP-110 poderia ser contornado por usuários determinados, enquanto o dano à inovação seria permanente. "Estamos basicamente criando um filtro que não filtra spam de verdade, mas limita o que os desenvolvedores podem construir em cima do Bitcoin", completou.
Quais são os riscos apontados por outros especialistas?
Jameson Lopp, CTO da Casa, compartilha da preocupação de Back. Ele alerta que qualquer tentativa de censurar dados na blockchain pode atrair mais regulamentação governamental. "Se as autoridades perceberem que o Bitcoin pode ser alterado por pressão sobre alguns atores, elas vão tentar fazer isso", disse Lopp em um artigo publicado em fevereiro de 2026.
Peter Todd, outro desenvolvedor renomado, comparou o BIP-110 a um "jogo interminável de gato e rato", onde novas regras só incentivariam métodos criativos de bypass. Martin Habovštiak, um crítico do projeto, demonstrou isso ao publicar uma imagem de 66 KB na blockchain – algo que o BIP-110 tentaria impedir – mostrando Luke Dashjr, um defensor da proposta, "chorando" simbolicamente.
Fonte: Martin Habovštiak
Como o BIP-110 afetaria Ordinais e Runas?
A proposta tem dividido a comunidade entre "minimalistas" – que querem o Bitcoin apenas como dinheiro – e "liberais", que defendem usos adicionais, como Ordinais (NFTs) e Runas. Casey Rodarmor, criador desses protocolos, argumenta que eles expandem as possibilidades da rede sem comprometer sua função principal.
Dathon Ohm, autor do BIP-110, rebate: "O 'hack de inscrições' desviou o foco do Bitcoin como sistema monetário". Ele se refere ao aumento de transações não financeiras, que sobrecarregam os nós. Dados do CoinMarketCap mostram que, em março de 2026, cerca de 15% do espaço de blocos estava sendo usado para Ordinais.
Quais são as implicações políticas?
O Bitcoin Policy Institute alertou que discussões como essa surgem em um momento delicado, quando o Congresso dos EUA avalia estender isenções fiscais para transações pequenas em Bitcoin. Alguns temem que medidas como o BIP-110 possam ser usadas como justificativa para maior intervenção regulatória.
"A neutralidade da rede é sua maior defesa", disse Lopp. "Uma vez que você começa a filtrar 'dados ruins', abre a porta para que terceiros decidam o que é bom ou ruim."
Perguntas Frequentes
O que é o BIP-110?
O BIP-110 é uma proposta de soft fork que limitaria temporariamente o tamanho de dados não financeiros na blockchain do Bitcoin, visando reduzir spam.
Por que Adam Back se opõe?
Back acredita que a proposta levaria à censura, centralização e prejudicaria a inovação, além de ser tecnicamente contornável.
Como isso afeta os NFTs no Bitcoin?
Ordinais e Runas, protocolos usados para NFTs, poderiam ter suas funcionalidades limitadas caso o BIP-110 seja implementado.
Existe risco de split na rede?
Especialistas como Lopp alertam que divisões anteriores (como Bitcoin Cash) mostram o potencial de fragmentação quando há discordâncias sobre mudanças no protocolo.