EUA registram 44 mil novos pedidos de auxílio-desemprego, maior número desde a pandemia
- O que explica o pico nos pedidos de auxílio-desemprego?
- Grandes empresas estão mesmo cortando empregos?
- Como o Fed está interpretando esses dados?
- E o que pensam os consumidores?
- E no resto do mundo?
- Então é crise ou só turbulência?
Os Estados Unidos viram um salto inesperado nos pedidos semanais de auxílio-desemprego, atingindo 44 mil novos solicitantes - o maior volume desde os piores momentos da crise pandêmica. Enquanto analistas debatem se trata de um sinal de alerta ou apenas volatilidade sazonal, gigantes como PepsiCo e HP anunciam cortes de pessoal, e o Fed mantém seu tom cauteloso sobre os riscos no mercado de trabalho. Neste cenário contraditório, onde dados brutos disparam mas médias móveis permanecem estáveis, consumidores americanos começam a demonstrar preocupação crescente com o emprego em 2024.
O que explica o pico nos pedidos de auxílio-desemprego?
Os 44 mil novos pedidos surpreenderam até os economistas mais pessimistas, superando quase todas as projeções do Bloomberg. Parte significativa veio de estados populosos como Califórnia, Texas e Nova York - mercados trabalhistas que funcionam como termômetro da economia real. "É como se tivéssemos levado um soco no estômago depois daquela semana anterior, que foi a melhor em três anos", comentou um trader do BTCC durante o pregão. O feriado de Ação de Graças e o fechamento temporário do governo pareciam ter criado uma falsa calmaria.
Grandes empresas estão mesmo cortando empregos?
PepsiCo confirmou planos de reduzir 2% da força global (cerca de 6 mil postos), enquanto a HP eliminou 4-6 mil vagas até o final de 2023. Outubro registrou o maior número de demissões desde janeiro, segundo o Challenger Report. "Na minha análise, esses cortes refletem mais reestruturações setoriais do que um colapso geral", pondera a equipe de pesquisa do BTCC. Pantheon Macro acredita que a piora é inevitável, enquanto a High Frequency Economics argumenta que os números ainda estão abaixo da média histórica.
Como o Fed está interpretando esses dados?
Jerome Powell manteve seu discurso de "desaceleração gradual", mas admitiu riscos significativos após o terceiro corte consecutivo de juros. Curiosamente, as projeções oficiais de desemprego para 2024 não foram revisadas - sinal de que o comitê ainda vê resiliência. "É aquela velha história: o Fed fala com dados, não com manchetes", brincou um analista do TradingView durante live. Enquanto isso, os pedidos contínuos (pessoas já recebendo benefícios) caíram drasticamente na semana do Thanksgiving.
E o que pensam os consumidores?
A pesquisa de dezembro da Universidade de Michigan trouxe um dado preocupante: 52% dos americanos esperam aumento do desemprego no próximo ano. "Quando o Zé da esquina começa a falar em recessão, eu checo meus investimentos", diz Rodrigo, dono de uma lancheria no Brooklyn que acompanha os dados pelo CoinMarketCap. O sentimento misto reflete a volatilidade recente - em setembro, o déficit comercial havia caído ao menor nível desde 2020, mostrando que partes da economia ainda fervilham.
E no resto do mundo?
Enquanto os EUA navegam nesse mar contraditório, George Saravelos da Deutsche Bank aponta "algo cozinhando" nos mercados globais. Austrália pode elevar juros em fevereiro, Coreia e Japão veem quedas nos yields de títulos - movimento oposto ao dos Treasuries. "É a reflação global, baby", define Saravelos, citando políticas fiscais expansionistas e recuperação imobiliária. Para quem opera em cripto como eu, isso soa como música - volatilidade cria oportunidades.
Então é crise ou só turbulência?
Heather Long, da Navy Federal, pede calma: "Não dramatizem um dado semanal". A média móvel de 4 semanas está em 216.750, dentro da faixa "saudável" dos últimos meses. Na minha experiência acompanhando esses relatórios, dezembro sempre traz distorções - entre turnês de Natal e ajustes contábeis. Mas não dá para ignorar que, em termos brutos, foi o maior salto desde março de 2020. Como diria meu avô mineiro: "Quando a galinha canta no telhado, ou tá botando ovo... ou viu cobra".