Trump e Putin encerram maratona de 3 horas sem acordo – e o mercado já precifica o caos

Reunião secreta entre os líderes termina em impasse – e os traders já estão lucrando com a volatilidade.
Nenhum avanço, mas muita especulação: como o fracasso diplomático vira oportunidade para os tubarões do mercado.
Enquanto isso, os criptoativos disparam como hedge contra a instabilidade geopolítica – porque claro que disparam.
Zelenskiy fica de fora enquanto Trump busca um segundo turno
Dentro da base, Trump estava ladeado por Marco Rubio, o Secretário de Estado, e Steve Witkoff, seu enviado especial à Rússia. Putin veio acompanhado do Ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, e do assessor de política externa, Yury Ushakov.
Eles se encontraram em uma sala segura enquanto o tempo corria e, no final, a maior manchete foi a falta de uma. O objetivo original de Trump era fazer com que Putin se comprometesse a se encontrar com Volodymyr Zelenskiy e fechar um acordo para encerrar a guerra que começou em fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia.
Mas Zelenskiy nem sequer recebeu um convite. Os temores de Kiev e das capitais europeias eram principalmente de que Trump pudesse deixar a Rússia manter os territórios que já havia conquistado, garantindo a Moscou o controle sobre cerca de 20% do território ucraniano.
Trump tentou acalmar esses temores, dizendo que não estava lá para "negociar pela Ucrânia", mas apenas para empurrar todos para a mesa. "Quero que a matança pare", disse ele antes de embarcar no Air Force One.
A matança não parou. No mesmo dia da cúpula, um míssil russo atingiu a região de Dnipropetrovsk, matando um e ferindo outro. Zelenskiy não se calou. Ele postou no Telegram: "É hora de acabar com a guerra, e a Rússia precisa tomar as medidas necessárias. Contamos com a América."
Mas de Anchorage, Trump não tinha nada de concreto para lhe dar.
Putin sai com óculos, Trump sai com perguntas
Putin pode não ter fechado um acordo, mas ele conseguiu algo que provavelmente queria: a imagem da Rússia sentando-se com os EUA novamente, não como um pária, mas como um ator importante.
Mesmo com um mandado ativo do Tribunal Penal Internacional acusando-o de deportar crianças ucranianas, acusação que Moscou nega, ele conseguiu apertar a mão de Trump, desfilar no tapete vermelho e dividir o palco. Ambos os países não são membros do TPI, então o mandado não teve efeito nesta cúpula.
Trump ofereceu o tratamento de boas-vindas. Ele cumprimentou Putin na pista com um aperto de mão e um tapinha no braço antes de ambos seguirem na limusine de Trump até o local da cúpula. Essa imagem, já divulgada pela mídia, está sendo usada por Moscou para alegar que o isolamento ocidental fracassou.
Quanto a resultados reais, não houve nenhum. Nenhum acordo sobre um cessar-fogo. Nenhuma próxima reunião agendada. Nenhum roteiro. Apenas mais promessas de Trump, que certa vez disse que acabaria com a guerra "em 24 horas", agora admitindo que a tarefa é mais difícil do que imaginava. "Se tudo correr bem, a cúpula tripartite terá mais importância do que hoje", disse Trump na quinta-feira, já minimizando as negociações no Alasca antes mesmo de elas acontecerem.
Zelenskiy ainda insiste em que não haja transferências territoriais. Ele também quer garantias de segurança apoiadas pelos EUA. Nenhuma das duas foi discutida publicamente. Trump prometeu ligar para Zelenskiy e os líderes da OTAN após a cúpula para atualizá-los. Mas, novamente, o que há para dizer? Nada foi alcançado.
Keith Kellogg, enviado de Trump à Ucrânia, disse anteriormente que o total de baixas de ambos os lados gira em torno de 1,2 milhão. Mesmo assim, a cúpula terminou com nada além de câmeras e frases cuidadosamente redigidas.
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