Federal Reserve em desacordo: sem consenso sobre quando cortar juros novamente

O Federal Reserve está preso em um impasse. Membros do comitê não conseguem alinhar os ponteiros sobre o próximo movimento de política monetária—e o mercado está de olho.
O que está em jogo
Não se trata de 'se', mas de 'quando'. A indecisão no coração da política monetária americana cria um vácuo de previsibilidade. Traders, de Wall Street ao mercado de cripto, são forçados a adivinhar o próximo passo—e adivinhações custam caro.
O efeito dominó
Cada pronunciamento, cada minuto de ata divergentes, envia ondas de choque pelos ativos de risco. Enquanto isso, o velho jargão de 'dados dependentes' soa cada vez mais como um eufemismo para 'não temos ideia'. A única certeza? A incerteza é o novo normal.
O veredito final: os banqueiros centrais estão navegando às cegas, e todos nós estamos no mesmo barco—sem remos.
A votação expôs divisões claras
O governador Stephen Miran rompeu com a maioria ao defender um corte maior, de meio ponto percentual. Enquanto isso, Austan Goolsbee, do Fed de Chicago, e Jeff Schmid, de Kansas City, votaram contra qualquer redução. Eles queriam manter as taxas inalteradas.
A situação ficou mais complicada ao analisarmos as previsões de taxas de juros para 2025. Seis dos 19 membros do comitê de política monetária se opuseram ao corte de dezembro, afirmando que as taxas deveriam terminar o ano entre 3,75% e 4%. Essa era exatamente a posição deles antes da reunião.
Os banqueiros centrais estão lidando com preocupações conflitantes sobre a inflação e o emprego. A maioria dos membros observou que a redução das taxas de juros ajudaria a evitar danos graves ao mercado de trabalho, de acordo com a ata da reunião.
Mas outros tinham preocupações com os preços. Vários funcionários alertaram que cortar as taxas de juros enquanto a inflação permanece alta poderia enviar uma mensagem errada. As pessoas poderiam pensar que o Fed não está levando a sério o objetivo de atingir sua meta de inflação de 2%.
Após a reunião, o presidente do Fed, Jerome Powell, disse a jornalistas que as autoridades reduziram as taxas de juros o suficiente para proteger empregos, mantendo-as, ao mesmo tempo, altas o bastante para controlar os preços.
Tomar decisões provou ser mais difícil do que o habitual, pois os formuladores de políticas não dispunham dos dados econômicos típicos. A paralisação do governo se estendeu por todo o mês de outubro e quase metade de novembro, o que significou menor disponibilidade de informações. As autoridades observaram que os dados que seriam coletados nas próximas semanas ajudariam a orientar suas decisões.
Segundo a ata, alguns membros do comitê que desejavam manter as taxas de juros estáveis acreditavam que a grande quantidade de dados sobre emprego e inflação que seriam divulgados antes da próxima reunião seria "útil para avaliar se uma redução nas taxas seria justificada"
As novas informações divulgadas desde dezembro não resolveram o debate
O desemprego subiu para 4,6% em novembro, o nível mais alto desde 2021. Os preços ao consumidor subiram menos do que o previsto. Ambos os números corroboram a necessidade de taxas de juros mais baixas.
Mas há um porém. A economia cresceu a uma taxa anual de 4,3% no terceiro trimestre, otroncrescimento em dois anos. Isso provavelmente reforçou as preocupações das autoridades com a inflação.
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