Presidente do Conselho Exige: Wingtech Deve Retomar Controle da Nexperia para Salvar Fornecimento Global de Chips
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A cadeia de suprimentos de semicondutores global está à beira de um colapso—e a solução, segundo a liderança, está em realinhar as estruturas de controle corporativo.
O Grito de Alerta Estratégico
O apelo não vem de um analista de mercado, mas diretamente do topo. A presidente do conselho emitiu uma declaração firme: a Wingtech precisa restaurar sua autoridade sobre a Nexperia. O motivo? Uma palavra: resiliência. Sem esse realinhamento, a já frágil rede que alimenta desde smartphones até carros elétricos enfrenta riscos intoleráveis.
Mais do que uma Reestruturação, uma Necessidade
Isso vai além de manobras acionárias ou disputas de diretoria. Trata-se de uma intervenção considerada crítica para a segurança da cadeia. A lógica é de que o controle consolidado sob a Wingtech permite uma coordenação mais ágil, investimentos mais assertivos e uma resposta mais rápida a interrupções—sejam geopolíticas, logísticas ou de produção.
O Preço da Incerteza
Enquanto os conselhos debatem, as fábricas esperam. A ambiguidade sobre quem comanda prejudica o planejamento de capacidade a longo prazo e a alocação de recursos escassos, como os wafer de silício. Em um setor onde os lead times já são medidos em trimestres, qualquer hesitação se multiplica em atrasos em cascata para indústrias clientes.
O fechamento irônico? A mesma volatilidade que os mercados financeiros adoram especular é o pesadelo que a indústria de hardware real tenta desesperadamente evitar—mas, claro, sempre há um fundo hedge disposto a apostar no caos.
Decisão judicial holandesa divide operações entre Holanda e China
Toda essa batalha explodiu quando uma decisão judicial removeu Zhang Xuezheng, fundador da Wingtech, do cargo de CEO da Nexperia e concedeu os direitos de voto a administradores nomeados pelo tribunal.
Depois disso, a Nexperia Netherlands parou de enviar wafers para sua fábrica em Guangdong, na China, interrompendo o fluxo de materiais essenciais para chips.
Em resposta, a Nexperia China rompeu completamente os laços com sua sede holandesa e começou a procurar fornecedores locais de wafers para se manter em atividade.
Isso criou duas versões desconectadas da mesma empresa. O lado holandês controla os wafers, enquanto o lado chinês opera as fábricas de acabamento.
Mas nenhuma das duas pode funcionar sozinha. Ruby afirmou claramente: "É preciso deixar claro que a causa direta e exclusiva da atual interrupção no fornecimento é a suspensão unilateral e inesperada do fornecimento de wafers pela entidade holandesa da Nexperia."
As consequências já começaram. A Honda anunciou que irá interromper a produção de automóveis no Japão e na China devido à escassez. E a maior fábrica da Nexperia fica na China, onde a empresa anteriormente produzia cerca de metade de sua produção pré-crise.
Embora Zhang tenha se afastado oficialmente da Wingtech, ele continuou intimamente envolvido e havia concordado inicialmente em falar com a Bloomberg antes de Ruby assumir a entrevista. Ruby Yang ingressou na empresa em 2019 e agora lidera os esforços para levar a disputa à Suprema Corte holandesa.
Ruby também informou que a Wingtech enviou uma notificação de disputa em 15 de outubro e que poderá recorrer à arbitragem internacional caso a situação não seja resolvida em seis meses. Essa ação judicial pode chegar a US$ 8 bilhões, com base na avaliação da Nexperia feita pela Wingtech.
Disputa sobre fábrica em Xangai e aumentos salariais gera mais acusações
Outro ponto crucial na disputa é o projeto WingSkySemi, uma fábrica de wafers em Xangai que fazia parte do plano estratégico da Nexperia desde 2020.
As instalações foram financiadas pela WinWorld, empresa controladora da Wingtech, e Ruby afirmou que a aprovação veio dos mesmos gestores holandeses que agora acusam a Wingtech de irregularidades.
“Ironicamente, os executivos da Nexperia que assinaram o acordo inicialmente são os mesmos três indivíduos que agora acusam a Wingtech de má conduta”, disse Ruby. Ela também os acusou de aumentarem seus próprios salários enquanto detinham o poder interino.
A Nexperia reagiu com veemência. Um porta-voz da empresa afirmou: "Rejeitamos categoricamente as insinuações da liderança da Wingtech de que a gestão interina agiu em benefício próprio."
A empresa também alegou que, sob a liderança de Zhang, a Wingtech inflou os pedidos para a fábrica de Xangai a fim de sustentar seu balanço patrimonial e, posteriormente, tentou demitir os mesmos executivos holandeses que alertaram sobre o problema.
Ainda assim, o lado holandês afirmou que deseja que ambas as partes retomem as negociações. "Gostaríamos de aproveitar a oportunidade para reiterar nosso apelo à Nexperia China e à Wingtech para que estabeleçam uma colaboração construtiva", declarou a empresa à Bloomberg.
Ruby não acredita que esse seja o plano. Ela disse que a Nexperia está expandindo suas operações de acabamento na Malásia, o que demonstra “uma clara intenção de se desvincular da China”
Apesar disso, a Wingtech continua insistindo em negociações, tendo convidado os administradores judiciais nomeados pelo tribunal para discussões, mesmo enquanto recorre da decisão.
E Ruby deixou claro que eles não vão recuar. "Ainda estamos ansiosos para levar a Nexperia a alcançar conquistas ainda maiores", disse ela.
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