Xbox paga o preço: Microsoft prioriza nuvem e multiplataforma em nova estratégia

A Microsoft está virando o jogo. A aposta agora é clara: serviços na nuvem e jogos em qualquer tela, enquanto o Xbox tradicional encolhe no canto.
O plano multiplataforma avança
Esqueça o console como centro do universo. A estratégia da Microsoft agora lança jogos no PlayStation, no Switch e em qualquer dispositivo que rode um navegador. É sobre alcançar jogadores, não vender caixas de plástico.
A nuvem engole tudo
O futuro, segundo Redmond, está nos servidores. Game Pass Ultimate e o streaming xCloud são os novos protagonistas. A experiência de jogo se desloca do hardware sob a TV para data centers globais—uma jogada que corta custos de produção e amplia o mercado de forma brutal.
O Xbox sofre as consequências
Enquanto a visão se expande, a divisão de consoles tradicional enfrenta cortes. Equipes são remanejadas, investimentos são redirecionados e a sensação é de um produto que se tornou apenas mais uma peça em um tabuleiro muito maior. Um movimento necessário, talvez, mas que deixa fãs fiéis se perguntando sobre o lugar de seu console favorito.
No fim, é uma equação financeira simples: por que vender uma única peça de hardware com margens apertadas quando você pode assinar milhões em planos de serviço recorrente? O Xbox pode estar sangrando, mas os acionistas da Microsoft provavelmente estão sorrindo—desde que os lucros da nuvem continuem subindo.
A Microsoft direciona seus esforços para a nuvem e planos multiplataforma.
Phil Spencer afirmou no ano passado que a Microsoft não está tentando "superar a Sony ou a Nintendo em termos de consoles". Ele disse que "não há uma grande solução ou vitória" nessa disputa. Ele parabenizou a Valve pelo seu dispositivo e destacou a tendência dos jogos de se expandirem "entre PCs, consoles e dispositivos portáteis".
Sony e Nintendo continuam focadas em hardware. A Microsoft avança em direção à antiga ideia de Bill Gates de um centro doméstico para todo o entretenimento. Michael Pachter afirmou que a empresa quer atender a todos que jogam.
Satya Nadella afirmou que o modelo de jogos funcionará "em todos os lugares e em todas as plataformas", da TV aos dispositivos móveis. Ele também disse que o próximo Xbox poderá se comportar mais como um PC. Sarah Bond comentou que o próximo console incorporará "algumas das ideias" vistas nos portáteis Xbox fabricados em parceria com a Asus.
Esses dispositivos executam jogos de PC comprados nas lojas da Epic Games, CD Projekt e Valve. A Xbox expandiu essa ideia com o controle Backbone Pro em novembro, que oferece suporte a jogos na nuvem em celulares, PCs, TVs e outros dispositivos.
Pouco se sabe sobre o próximo Xbox. Uma fonte disse à CNBC que a Microsoft quer um sistema aberto que permita aos jogadores alternar entre console, PC, nuvem e outras formas de entretenimento. Spencer afirmou em 2019 que muitos dos dois bilhões de jogadores no mundo jamais comprarão um console.
O Game Pass demonstra essa abordagem. O plano mais básico foi lançado com 36 jogos em 2023 e agora oferece mais de 50. O plano Ultimate tem mais de 500. O Game Pass atingiu 34 milhões de assinantes em 2024 e arrecadou quase US$ 5 bilhões no ano passado.
O tempo gasto por assinantes em jogos na nuvem aumentou 45%. Os usuários de consoles também passaram 45% mais tempo jogando em streaming, enquanto outros usuários passaram 24% mais tempo. O Xbox Cloud Gaming agora está disponível em 30 países, incluindo a Índia, onde mais de 500 milhões de pessoas jogam.
Após um aumento de 50% no preço do seu plano Ultimate, a Microsoft começou a testar uma opção com anúncios. Analistas disseram que um plano gratuito poderiatracnovos jogadores, mas não geraria muita receita, pois o cloud gaming exige hardware caro nos servidores.
Cada jogador precisa de uma máquina dedicada, o que dificulta a escalabilidade.
Estúdios, cortes de gastos e crescente pressão dentro da empresa
Nos últimos anos, a Microsoft adquiriu diversos estúdios. Em 2018, incorporou a Ninja Theory, a inXile e a Obsidian. Em 2020, pagou US$ 8,1 bilhões pela ZeniMax. E em 2023, comprou a Activision Blizzard por US$ 75,4 bilhões.
Pachter afirmou que a empresa queria "conteúdo suficiente" para dar suporte ao jogo em nuvem. Mas o plano para jogos exclusivos mudou. Bond disse que os exclusivos são "antiquados". O próximo Halo será lançado para PS5. Quatro antigos exclusivos foram lançados para outros consoles em 2024.
Spencer afirmou que a Xbox não vai "criar barreiras". Ele disse que o objetivo é permitir que os jogadores acessem os jogos do Xbox em qualquer lugar.
Os cortes internos na empresa foram drásticos. A Microsoft demitiu 1.900 funcionários em janeiro e cortou mais 650 em setembro. Em maio, fechou a Arkane Austin e a Alpha Dog Games. Em julho, novas demissões levaram ao arquivamento de Perfect Dark, Everwild e vários outros projetos ainda não anunciados.
A Bloomberg afirmou que a Microsoft pediu à equipe de jogos que estabelecesse uma meta de margem de lucro de 30% em 2023, bem acima da margem de 12% apresentada em documentos judiciais para 2022. Analistas disseram que a margem média da indústria de jogos varia de 17% a 22%. A Microsoft negou o número de 30%, mas afirmou que continua a estabelecer metas ambiciosas.
A empresa aumentou os preços dos consoles duas vezes no último ano. A Sony e a Nintendo também aumentaram os preços em agosto. O PS5 agora custa a partir de US$ 549,99. O Switch custa US$ 399,99. O Switch 2 custa US$ 499,99.
O ROG Xbox Ally custa US$ 599,99. O Ally X sobe para US$ 999,99. Com tantos dispositivos no mercado, a disputa pelos compradores de hardware está acirrada.
O Xbox agora aposta na nuvem e em planos multiplataforma em vez da força do hardware. Os rumores sobre a morte do Xbox circulam há dez anos, e o próximo passo poderá selar o fim do modelo antigo ou transformá-lo em algo novo.
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