Reino Unido corta 90% dos provedores e abandona regras de referência em reforma regulatória

Londres dá um golpe de navalha na burocracia financeira. O governo britânico acaba de desmantelar a maior parte de seu arcabouço de regras de referência para provedores de serviços – e, no processo, excluiu nove em cada dez empresas do regime anterior.
O que isso significa na prática?
Simplificação radical. A mudança representa um corte profundo na teia regulatória que envolvia o setor. Em vez de um modelo único, a abordagem agora é mais seletiva, focando a supervisão em um núcleo menor de atores considerados de maior impacto ou risco sistêmico.
O subtexto financeiro.
É um movimento que ecoa um ceticismo crescente em relação a regulações excessivamente amplas – aquelas que, nas palavras cínicas de um veterano do mercado, "pegam todos no arrastão, mas só conseguem multar os peixes pequenos". A lógica parece ser: menos é mais. Menos entraves para a inovação, menos custo de compliance para a maioria, e uma fiscalização potencialmente mais afiada onde realmente importa.
O resultado é um cenário regulatório mais enxuto. Para os 90% fora do novo regime, é um suspiro de alívio administrativo. Para os 10% que permanecem sob o holofote, a atenção das autoridades será, sem dúvida, mais intensa. O Reino Unido não está abandonando a regulação; está tentando ser mais inteligente sobre onde aplicá-la.
O Tesouro limita o número de empresas sob as regras.
O Reino Unido possui atualmente cerca de 45 provedores de índices de referência autorizados, incluindo LSEG, S&P Global, JPMorgan Chase e Bloomberg.
De acordo com a nova abordagem, apenas as instituições que oferecem índices de referência amplamente utilizados permanecerão sob a jurisdição da Autoridade de Conduta Financeira (FCA). As demais ficarão fora do regime formal.
O Tesouro afirma que deseja receber feedback antes de consolidar as mudanças, apresentando-as como mais um passo para reduzir a burocracia em Londres, enquanto o governo busca maneiras de reativar o crescimento durante o segundo mandato dodent Donald Trump na Casa Branca.
O anúncio coincide com a aprovação das próprias reformas da UE. Os legisladores aprovaram um pacote destinado a incentivar mais pessoas comuns no bloco a investir em ações e títulos, em vez de manter a maior parte do seu dinheiro em contas bancárias com baixos rendimentos.
Uma das principais negociadoras, Stéphanie Yon-Courtin, afirmou que as novas regras "transformariam a união entre poupança e investimento de teoria em realidade" e que o trabalho se concentrou em prevenir abusos, mantendo o aconselhamento disponível para investidores comuns.
UE aumenta pressão sobre consultores para demonstrarem valor
O plano para o setor varejista faz parte da União dos Mercados de Capitais da UE, que está em vigor há uma década. Seu objetivo é facilitar a circulação de capitais em todo o bloco e ajudar as empresas a obter financiamento.
A iniciativa responde a preocupações antigas de autoridades que afirmam que as famílias mantêm uma parcela excessiva de seu patrimônio em depósitos. No ano passado, as famílias alocaram 41% de seus ativos financeiros em contas bancárias e apenas 20,6% em fundos e ações negociadas em bolsa.
De acordo com as novas regras, consultores e plataformas de investimento devem fornecer detalhes claros sobre os custos e encargos associados aos produtos de investimento e demonstrar que esses produtos oferecem uma boa relação custo-benefício. Dois órgãos reguladores, a Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA) e a Autoridade Europeia dos Seguros e Pensões Complementares de Reforma (IEOPPA), criarão parâmetros de referência para produtos baseados em seguros, para que os investidores possam comparar custos e desempenho.
As empresas que vendem outros produtos de investimento também devem comparar seus preços e retornos com opções semelhantes.
O pacote também introduz um novo teste de incentivo. Os consultores ainda podem receber incentivos por atividades como pesquisa, mas devem demonstrar que atuam no melhor interesse dos clientes e deixar esses incentivos suficientemente claros para que os clientes possam distingui-los de outras taxas.
Os consultores também devem avaliar se os clientes compreendem os investimentos que adquirem, incluindo a sua capacidade de lidar com perdas parciais ou totais.
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