Índia Ordena Pré-instalação do App Sanchar Saathi em Smartphones: 90 Dias para Conformidade

O governo indiano acaba de dar um passo agressivo na segurança digital. Fabricantes de smartphones receberam uma ordem direta: pré-instalar o aplicativo de cibersegurança Sanchar Saathi em todos os novos dispositivos. O prazo? Apenas 90 dias.
O que isso significa para o mercado
A medida coloca o controle diretamente nas mãos do governo, prometendo uma camada extra de proteção contra fraudes e clonagem de dispositivos. Para o usuário comum, pode significar menos autonomia sobre o que vem pré-carregado em seu aparelho. Para as gigantes da tecnologia, é mais uma regulamentação para navegar em um dos maiores mercados consumidores do mundo.
O cronograma apertado
Com o relógio correndo, as empresas têm pouco menos de três meses para reconfigurar linhas de produção e processos de software. O não cumprimento pode resultar em barreiras à venda no território indiano – um risco comercial que nenhuma grande marca pode se dar ao luxo de correr.
Um novo normal para a privacidade?
Iniciativas como esta refletem uma tendência global de governos buscarem maior acesso e controle sobre o ecossistema digital de seus cidadãos. A justificativa é sempre a segurança. O custo, frequentemente, é medido em liberdade e privacidade – dois ativos que, curiosamente, ainda não têm um ticker de negociação nas bolsas tradicionais.
A corrida contra o tempo começou. Enquanto os departamentos jurídicos das fabricantes analisam os detalhes, os consumidores se preparam para encontrar um novo ícone padrão em suas telas iniciais. Resta saber se será visto como um escudo ou como uma algema digital.
Aplicativo obrigatório da Índia
O governo da Índia agora exige que todos os fabricantes de smartphones pré-instalem um aplicativo de segurança cibernética estatal em novos aparelhos. A ordem foi emitida em 28 de novembro e dá às empresas 90 dias para garantir que o aplicativo Sanchar Saathi venha pré-instalado em todos os novos celulares, sem opção para os usuários o removerem.
os principais fabricantes de smartphones, incluindo Apple, Samsung, Vivo, Oppo e Xiaomi, que juntos representam a maior parte do mercado de smartphones da Índia, com mais de 1,2 bilhão de assinantes, cumpram a exigência.
Para dispositivos que já estão na cadeia de suprimentos, os fabricantes devem disponibilizar o aplicativo nos telefones por meio de atualizações de software.
O governo insiste no aplicativo porque o considera necessário para combater o que descreve como sérias ameaças à segurança cibernética das telecomunicações. Essas ameaças incluem números IMEI duplicados ou falsificados que possibilitam golpes e uso indevido da rede. O IMEI é um número de identificação único dent a cada celular, que pode ser usado para bloquear o acesso de dispositivos roubados às redes.
A diretiva tem enfrentado resistência por parte de defensores da privacidade e empresas de tecnologia. A advogada especializada em tecnologia, Mishi Choudhary, afirmou que a decisão do governo, na prática, elimina o consentimento do usuário como uma escolha significativa.
Choudhary salientou que preocupações semelhantes foram levantadas quando a Rússia tornou obrigatória a pré-instalação do aplicativo de mensagens Max, em agosto.
As políticas internas da Apple proíbem explicitamente a instalação de quaisquer aplicativos governamentais ou de terceiros antes que um smartphone chegue aos consumidores. A empresa é responsável por aproximadamente 4,5% dos 735 milhões de smartphones da Índia, sendo o restante composto por dispositivos Android.
A Apple também entrou em conflito com os reguladores indianos em 2017 em relação a aplicativos governamentais, quando atrasou a implementação de um aplicativo anti-spam devido a preocupações com o envio de dados de registro de chamadas às autoridades indianas.
O aplicativo Sanchar Saathi
O aplicativo Sanchar Saathi foi lançado em janeiro e oferece diversas funções de segurança cibernética. Primeiramente, permite que os usuários trace bloqueiem smartphones perdidos ou roubados em todas as redes de telecomunicações, utilizando um registro central. Os usuários também podemdente desconectar conexões móveis fraudulentas por meio da plataforma.
Desde o seu lançamento, o aplicativo foi baixado mais de 5 milhões de vezes e ajudou a recuperar mais de 700 mil celulares perdidos, incluindo 50 mil somente em outubro. Dados do governo mostram que o aplicativo bloqueou mais de 3,7 milhões de celulares roubados ou perdidos e encerrou mais de 30 milhões de conexões fraudulentas.
Também em 28 de novembro, o Departamento de Telecomunicações emitiu ordens separadas exigindo que aplicativos de mensagens, incluindo WhatsApp, Telegram, Signal, Snapchat, ShareChat, JioChat e outros, mantenham vínculo contínuo com cartões SIM ativos.
O governo afirma que esse recurso está sendo usado indevidamente fora do país para cometer fraudes cibernéticas. O governo argumenta que exigir a verificação contínua do SIM dificultará a operação remota de contas falsas por criminosos, já que cada sessão exigirá um cartão SIM ativo e verificado.
A configuração do aplicativo de mensagens significa que esses serviços só funcionarão se o cartão SIM permanecer presente e ativo no dispositivo. Para as versões baseadas na web, os usuários serão desconectadosmatica cada seis horas e precisarão se autenticar novamente por meio do pareamento do código QR.
Essas plataformas foram classificadas como Entidades Usuáriasdentde Telecomunicações sob novas regulamentações e devem se adequar dentro de 90 dias.
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