Brasil classifica transações com stablecoins como operações cambiais a partir de fevereiro de 2026 – o que isso significa para o mercado?

O Banco Central do Brasil acaba de dar um passo decisivo na regulamentação de criptomoedas. A partir de fevereiro de 2026, todas as transações envolvendo stablecoins serão tratadas como operações cambiais – uma mudança que promete sacudir o ecossistema financeiro.
Preparem-se para novos tempos: a medida coloca stablecoins como USDT e USDC no mesmo patamar de regulamentação que transações em moeda estrangeira. Bancos e corretoras já estão recalculando suas estratégias.
Enquanto isso, os entusiastas de DeFi respiram fundo – afinal, quando os reguladores chegam tarde à festa, geralmente é para estragá-la. Será que o Brasil está finalmente abraçando o futuro financeiro ou apenas preparando mais uma camada de burocracia?
Banco central introduz novas regras
As autoridades brasileiras têm monitorado o aumento nas transações com stablecoins, com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, descrevendo a alta como “significativa e preocupante”.
No início deste ano, Galípolo afirmou que cerca de 90% do volume de transações com criptomoedas no Brasil está ligado a stablecoins, muitas das quais são usadas para pagamentos ou para contornar os sistemas financeiros tradicionais, que são mais rigorosamente regulamentados e tributados.
Autoridades afirmam que, embora as stablecoins sejam menos voláteis do que criptomoedas como Bitcoin , sua crescente adoção criou pontos cegos na regulamentação.
O banco central afirmou que deseja garantir que esses ativos não sejam mais usados como canais para transferências ilícitas, evasão fiscal ou lavagem de dinheiro.
“As novas regras reduzirão o potencial para golpes, fraudes e o uso de mercados de ativos virtuais para lavagem de dinheiro”, disse Gilneu Vivan, diretor de regulação do banco central, em uma coletiva de imprensa para anunciar as medidas .
Desafio de alinhamento e conformidade regulatória
A classificação das stablecoins como operações cambiais significa que cada transação agora precisará seguir os mesmos padrões de divulgação e conformidade aplicáveis às transações cambiais internacionais convencionais.
Essa mudança pode aumentar os custos de conformidade para as empresas de criptomoedas que operam no Brasil, mas também confere certa legitimidade ao setor, ao esclarecer como os ativos virtuais se encaixam no arcabouço financeiro nacional.
No mês passado, Roberto Campos Neto, presidente do banco central, afirmou que a regulamentação das stablecoins e da tokenização de ativos deveria começar no próximo ano, e este último anúncio regulatório parece ser o primeiro passo nessa direção.
As jurisdições implementam regulamentações sobre stablecoins caso a caso.
A medida do banco central coloca o Brasil entre as primeiras grandes economias a tratar as stablecoins como instrumentos de câmbio, um passo que pode influenciar a forma como outras jurisdições lidam com desafios semelhantes.
Diversos países continuam a regulamentar as stablecoins e a tratá-las de acordo com suas próprias realidades. A histórica Lei GENIUS dos EUA aborda reservas e programas de combate à lavagem de dinheiro. A União Europeia possui o Regulamento sobre Mercados de Criptoativos (MiCA); Hong Kong também lançou sua legislação sobre stablecoins em agosto.
Singapura e os Emirados Árabes Unidos também possuem estruturas e regulamentações em vigor para stablecoins.
O mercado de stablecoins é dominado principalmente por moedas atreladas ao dólar americano, e o fato de o Brasil tratar as stablecoins como moeda estrangeira demonstra isso. Muitas nações estão tentando contornar essa situação emitindo suas próprias moedas eletrônicas ou stablecoins atreladas às suas moedas locais.
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