Empresa de ETF de BTC chama Bitcoin de ’Labubu digital’: apenas um brinquedo sem renda nem fluxo de caixa?
Uma crítica feroz vinda de dentro do próprio ecossistema financeiro digital. Uma gestora de ETFs de Bitcoin acaba de desferir um golpe retórico, comparando o ativo a um 'Labubu digital'—nada mais que um brinquedo colecionável, sem geração de renda ou fluxo de caixa tangível.
O ataque aos fundamentos
A alegação central corta direto ao coração do debate sobre valuation: como avaliar um ativo que não paga dividendos, não tem lucros reportáveis e cujo fluxo de caixa é puramente especulativo? Para os tradicionalistas, é o calcanhar de Aquiles do Bitcoin. Para os crentes, é justamente a revolução—um ativo que bypassa completamente os modelos antiquados de valuation corporativo.
O paradoxo do ETF
A ironia não passa despercebida. A empresa que faz a crítica lucra—e muito—com produtos que oferecem exposição ao mesmo ativo que desdenha. Um clássico movimento de finanças: criar um produto para capturar demanda, enquanto se mantém um ar de superioridade intelectual sobre o subjacente. Quem precisa de fluxo de caixa quando se tem taxas de administração garantidas?
O futuro além do fluxo de caixa
A discussão ignora voluntariamente o que o Bitcoin realmente é: uma rede descentralizada, uma reserva de valor digital, um protocolo de consenso. Medir seu valor com as métricas de uma ação de blue-chip é como julgar a internet pelo número de cabos de telefone—completamente missing the point.
No fim, o 'Labubu digital' já sobreviveu a mais ciclos de mercado, regulatórios e de mídia do que a maioria dos críticos consegue lembrar. Talvez alguns brinquedos sejam mais resilientes—e valiosos—do que os modelos financeiros mais ceticamente elegantes conseguem capturar.
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A Vanguard disse nesta sexta-feira, 12, que o Bitcoin é apenas um ativo especulativo, sem renda, sem fluxo de caixa e sem capacidade de gerar valor produtivo. A avaliação partiu de John Ameriks, chefe global de ações quantitativas da gestora, durante um evento da Bloomberg em Nova York.
A declaração ganhou força porque a Vanguard administra cerca de US$ 12 trilhões em ativos e decidiu, recentemente, liberar o acesso de seus clientes a ETFs spot de Bitcoin. Mesmo assim, a empresa manteve uma posição crítica e deixou claro que não vê um caso de longo prazo para a moeda digital.
PublicidadeAmeriks afirmou que o Bitcoin não oferece renda, não gera juros e não permite composição de retornos. De acordo com ele, esses fatores afastam o ativo de qualquer definição clássica de investimento produtivo. Por isso, a gestora prefere tratá-lo como um item colecionável. Durante o evento, o executivo foi ainda mais direto ao comparar o Bitcoin a um “Labubu digital”, referência a um brinquedo de pelúcia que viralizou recentemente. Para ele, a tecnologia por trás da moeda ainda não provou valor econômico duradouro.
A fala ocorreu enquanto o Bitcoin era negociado próximo de US$ 92 mil, após recuar de máximas acima de US$ 126 mil registradas poucas semanas antes. O movimento reforçou a percepção de volatilidade e fragilidade do ativo. Apesar da crítica, a Vanguard decidiu liberar a negociação de ETFs spot de Bitcoin para seus clientes. Ameriks explicou que a decisão veio após observar o desempenho desses produtos desde janeiro de 2024, quando começaram a bater recordes de volume.
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Bitcoin é um Labubu digital
Segundo ele, a empresa quis garantir que os ETFs realmente entregassem o que prometiam. Ainda assim, a gestora não pretende oferecer recomendações de compra ou venda e não indicará tokens específicos aos investidores. A Vanguard também deixou claro que não planeja lançar seus próprios ETFs de criptomoedas. A posição segue alinhada com avaliações anteriores, nas quais a empresa classificou o setor cripto como altamente especulativo.
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Mesmo com a crítica ao Bitcoin, a gestora reconhece que a tecnologia blockchain pode ter aplicações úteis no futuro. Segundo um porta-voz, a infraestrutura pode melhorar processos de mercado, embora isso não mude a visão negativa sobre o token. Ameriks admitiu que o Bitcoin poderia ter utilidade em cenários extremos, como inflação elevada ou crises políticas severas. No entanto, ele destacou que o histórico do ativo ainda é curto e inconsistente.
Para o executivo, apenas um padrão confiável de comportamento nesses contextos permitiria discutir uma tese de investimento mais sólida. Até agora, esse padrão não apareceu de forma convincente. A cautela da Vanguard surge em um momento em que bancos também revisam projeções para o Bitcoin. O Standard Chartered reduziu sua expectativa para 2026, cortando o alvo de US$ 300 mil para US$ 150 mil.
O banco também adiou a projeção de US$ 500 mil, antes prevista para 2028, agora empurrada para 2030. A revisão ocorreu após queda na demanda de tesourarias corporativas e desaceleração dos fluxos para ETFs. Analistas da Bernstein seguiram caminho parecido. Eles retiraram a previsão de US$ 200 mil ainda este ano e passaram a trabalhar com US$ 150 mil até o fim de 2026.
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