BTCC / BTCC Square / BeincryptoPT /
Nova bolsa de valores no Brasil promete chegar até 2027, mas exclui criptomoedas do pregão

Nova bolsa de valores no Brasil promete chegar até 2027, mas exclui criptomoedas do pregão

Published:
2026-01-08 15:00:00
21
2

O mercado financeiro brasileiro se prepara para um novo player, com promessa de operação até 2027. Mas há uma ausência gritante na lista de ativos.

O que ficou de fora da carteira

A nova bolsa chega com um plano de expansão agressivo, mirando 2027 como marco operacional. No entanto, seu roadmap ignora completamente o setor de ativos digitais. Nenhum Bitcoin, Ethereum ou qualquer criptomoeda terá lugar no pregão inicial—uma decisão que soa como nostalgia financeira em plena década de 2020.

O timing questionável

Enquanto bolsas globais correm para integrar ETFs de Bitcoin e estruturas para tokens, a iniciativa brasileira opta por um caminho contrário. A exclusão acontece justamente quando a regulamentação local para criptoativos ganha corpo, sugerindo uma desconexão entre a proposta da nova bolsa e a direção do mercado.

Um tiro no pé estratégico?

A decisão de ignorar uma classe de ativos que movimenta trilhões globalmente pode limitar severamente o apelo da nova bolsa. Investidores institucionais e a geração mais jovem—que já têm a carteira digital como padrão—provavelmente seguirão em plataformas que oferecem o portfólio completo. Resta saber se a estratégia é conservadorismo ou simplesmente medo de modernidade.

No final, mais uma instituição financeira prefere discutir taxas de administração em produtos do passado em vez de construir pontes para o futuro. O pregão pode até abrir até 2027, mas sua relevância talvez expire antes mesmo do primeiro sino tocar.

O mercado de capitais brasileiro está prestes a passar por uma transformação histórica. Pela primeira vez em décadas, o monopólio da B3 será desafiado pela chegada de uma nova bolsa de valores: a Base Exchange, controlada pelo fundo soberano Mubadala.

Com previsão de iniciar operações até o começo de 2027, a nova plataforma promete tarifas mais justas e maior eficiência operacional. Porém, há um detalhe que chama atenção: ao contrário da B3, a Base não pretende negociar criptomoedas nem ETFs de cripto, pelo menos na fase inicial.

“Criptomoedas são ativos com fundamentos econômicos diversos, apetites distintos, e que concorrem com os ativos da bolsa na alocação de capital. Pode ser que no futuro a infraestrutura relacionada a cripto, blockchain, venha a ser usada, principalmente para a parte de depositária”, explicou Claudio Pracownik, CEO da Base Exchange, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

Processo de aprovação

A Base Exchange já passou por todas as avaliações técnicas preliminares conduzidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Agora, o processo depende da autorização final do Banco Central, responsável por aprovar a clearing, estrutura fundamental que garante a compensação e liquidação de todas as operações.

Segundo Pracownik, a empresa adota uma abordagem gradual porque nenhuma corretora pode se integrar à plataforma antes da aprovação completa, e as companhias abertas só podem levar propostas aos conselhos depois do aval formal dos reguladores.

Com isso, o primeiro pregão pode ocorrer no fim de 2026 ou no início de 2027.

Modelo diferenciado

A Base aposta em um modelo operacional diferente do praticado no país. Com estrutura enxuta, tecnologia proprietária e sistemas totalmente em nuvem, a empresa promete reduzir custos operacionais e aumentar a eficiência.

Entre os diferenciais, Pracownik destaca tarifas mais justas, chamadas de margem mais racionais e liberação rápida de garantias, pontos que costumam elevar o custo total das operações na B3.

A estratégia tem respaldo internacional. Em mercados onde uma segunda bolsa se instalou, houve aumento de até 25% no volume de negociação nos anos seguintes, enquanto o custo implícito das operações caiu entre 25% e 30%.

Na fase inicial, a Base Exchange oferecerá ações à vista, aluguel de ações, cotas de fundos imobiliários (FIIs), ETFs e BDRs. Produtos mais complexos, como derivativos e contratos futuros, devem ser lançados apenas depois, porque acelerar essa etapa poderia atrasar o processo de autorização.

A decisão de deixar criptomoedas de fora reflete uma análise estratégica. Pracownik explica que os criptoativos possuem fundamentos econômicos diferentes, níveis distintos de risco e comportamento que não se alinham ao propósito central da Base.

Além disso, esses ativos competem com ações e outros instrumentos tradicionais na alocação de capital dos investidores. Ainda assim, ele reconhece que tecnologias derivadas do setor digital, como a blockchain, podem ser incorporadas futuramente, principalmente na área de depositária.

A agenda regulatória segue como um dos principais desafios. A clearing própria exige rigorosas exigências técnicas do Banco Central, considerado por Pracownik um processo natural para garantir segurança e padronização.

O BC deve produzir uma norma após consulta pública sobre ciclos de liquidação, que pode permitir operações mais eficientes no mercado brasileiro. A Base afirma já estar preparada para operar com liquidação em D+1, caso esse novo prazo seja aprovado.

A transformação do setor não se limita à Base. A CSD BR tem planos de lançar outra bolsa no horizonte de três anos, reforçando a percepção de que o país começa a abrir espaço para um sistema mais competitivo.

Para Pracownik, o movimento é positivo, desde que os novos participantes ofereçam qualidade. Ele destaca ainda que outras bolsas poderão utilizar a clearing da Base, caso desejem acelerar sua entrada no mercado.

Pracownik acredita que o Brasil pode viver um momento mais favorável para ofertas públicas a partir do segundo semestre de 2026, caso o mercado reaja positivamente ao resultado da eleição presidencial.

Um ambiente político mais estável tende a estimular empresas a buscar capital. A Base, nesse sentido, entraria no momento em que investidores demonstram maior apetite por risco.

Com a chegada da Base Exchange, o mercado de capitais brasileiro se prepara para uma nova era de concorrência e inovação.

O artigo Nova bolsa de valores no Brasil promete chegar até 2027, mas sem criptomoedas foi visto pela primeira vez em BeInCrypto Brasil.

|Square

Baixe o aplicativo BTCC para iniciar sua jornada criptográfica

Comece hoje mesmo Escaneie e junte-se a nossos +100 M usuários

Aviso de Isenção de Responsabilidade: Todos os artigos republicados nesta plataforma são provenientes de redes públicas e destinam-se exclusivamente ao propósito de disseminar informações do setor. Eles não representam nenhuma posição oficial da BTCC. Todos os direitos de propriedade intelectual pertencem aos seus autores originais. Se acreditar que qualquer conteúdo infringe os seus direitos ou é suspeito de violação de direitos autorais, por favor, contacte-nos em [email protected]. Abordaremos a questão prontamente e de acordo com as leis aplicáveis. A BTCC não oferece quaisquer garantias, explícitas ou implícitas, quanto à precisão, pontualidade ou integridade das informações republicadas e não assume qualquer responsabilidade, direta ou indireta, por quaisquer consequências decorrentes da dependência de tal conteúdo. Todos os materiais são fornecidos apenas para referência em pesquisa setorial e não devem ser interpretados como conselhos de investimento, jurídicos ou comerciais. A BTCC não assume qualquer responsabilidade legal por quaisquer ações tomadas com base no conteúdo aqui fornecido.