Bitcoin bate na porta dos US$ 108.500, mas dois obstáculos travam o avanço
O rei das criptomoedas esbarrou em uma barreira técnica que muitos analistas já previam - e a correção chegou com força.
O que travou a alta?
Dois fatores principais cortaram o ímpeto do Bitcoin. Primeiro, a resistência psicológica em torno dos US$ 110.000 provou ser mais sólida que o otimismo dos bulls. Segundo, o volume de compras não acompanhou o movimento de preço - um clássico sinal de divergência que costuma preceder correções.
O mercado reage
Altcoins seguiram o líder, com várias registrando quedas mais acentuadas. Traders institucionais reduziram exposições enquanto aguardam novos catalisadores. O sentimento, que estava extremamente ganancioso, agora mostra fissuras.
E agora?
Os US$ 108.500 permanecem como um marco psicológico crucial. Romper esse nível exigirá mais que especulação - precisará de influxo real de capital, algo que os bancos centrais tradicionais parecem relutantes em proporcionar enquanto brincam com suas moedas fiduciárias inflacionadas. A próxima semana definirá se esta é uma pausa saudável ou o início de algo mais profundo.
O preço do Bitcoin subiu cerca de 2,8% nas últimas 24 horas e está próximo de US$ 92.500. O gráfico diário ainda apresenta uma estrutura limpa de “ombro-cabeça-ombro invertido” apontando para US$ 108.500, mas todas as tentativas de romper esse patamar foram interrompidas.
Duas razões claras explicam por que o rompimento não acontece — e ainda há possibilidade de reversão, caso ambas mudem a favor do Bitcoin.
Um nível resistente e apoio fraco de baleias seguem dificultando o avanço
O Bitcoin continua seguindo a formação de ombro-cabeça-ombro invertido iniciada em 16 de novembro. A estrutura permanece válida, mas o nível de US$ 93.700 rejeitou todas as tentativas claras de rompimento até agora. Enquanto o preço do Bitcoin não fechar acima desse patamar, o padrão não se confirma.
O segundo fator é o posicionamento dos grandes investidores.
Investidores com pelo menos 1 mil BTC vêm reduzindo suas posições desde 19 de novembro. O indicador atingiu a mínima mensal de 1.303 em 3 de dezembro e permanece próximo desse nível. Isso enfraquece cada tentativa de superar a resistência, já que o grupo responsável por confirmar grandes rompimentos permanece cauteloso.
Situação semelhante foi observada entre 2 e 3 de dezembro.
O preço do Bitcoin chegou a US$ 93.400, mas a quantidade de grandes investidores caiu de 1.316 para 1.303. Logo em seguida, o preço recuou para US$ 89.300 — uma queda de cerca de 4,4%.
Quando o preço sobe e grandes investidores reduzem a exposição, o movimento costuma perder força, já que compradores de peso não sustentam a alta.
Esses dois fatores — a barreira de US$ 93.700 e a cautela dos grandes investidores — explicam por que o rompimento do preço do BTC ainda não acontece. Como nenhuma das questões é estrutural, ainda é possível uma reversão caso o cenário mude.
Um caminho possível: movimento de short squeeze pode impulsionar alta do preço do Bitcoin
A segunda parte do cenário é mais positiva. Mesmo sem apoio dos grandes investidores, o Bitcoin apresenta forte configuração de “short squeeze”, o que pode forçar um rompimento.
Na Binance, as liquidações de posições vendidas nos últimos 30 dias somam cerca de US$ 3,66 bilhões, em comparação com US$ 2,22 bilhões nas posições compradas. As operações short estão quase 50% acima das long, criando uma pressão que pode ser desfeita rapidamente se o Bitcoin ultrapassar US$ 93.700.
Esse mecanismo já se demonstrou algumas vezes neste mês.
Pequenos movimentos de 1–2% se transformaram em altas mais intensas conforme as posições vendidas foram liquidadas.
BREAKING: Bitcoin just broke $94,400 and it’s now up $4,400 in the last 2 hours.
ETH has also reclaimed $3,350.
The crypto market has added $156 billion in the last 4 hours, and $254 million worth of shorts have been liquidated in the same time.
This is massive short squeeze. pic.twitter.com/jvPvcc98ZA
Se o Bitcoin registrar um fechamento diário acima de US$ 93.700, a pressão pode ganhar força suficiente para romper os US$ 94.600, próximo patamar importante. Neste ponto, a participação dos grandes investidores pode deixar de ser fundamental para impulsionar a alta. Só a força do movimento pode elevar o preço ainda mais. E, com essa aceleração, os grandes investidores podem se sentir mais confiantes para entrar.
Acima de US$ 93.700 e US$ 94.600, o caminho se abre para os US$ 105.200. Superando essa faixa, o Bitcoin fica posicionado para alcançar o alvo projetado em US$ 108.500, um avanço de aproximadamente 15,7% a partir da linha de rompimento.
O padrão de ombro-cabeça-ombro invertido segue válido acima de US$ 83.800. Uma queda abaixo dos US$ 80.500 invalida a estrutura e aumenta o risco de correção mais significativa, caso grandes investidores sigam reduzindo suas posições.
No momento, o cenário é este: dois fatores impedem o rompimento — a linha de resistência e a cautela dos grandes investidores —, e ambos ainda podem ser revertidos se compradores superarem os US$ 93.700 ou caso o short squeeze prevaleça.
O artigo Avanço do Bitcoin para US$ 108.500 falha por dois motivos; entenda foi visto pela primeira vez em BeInCrypto Brasil.