48 Países Antecipam CARF com Declaração Global de Impostos sobre Criptomoedas
Governos correm para fechar a torneira fiscal antes que o marco regulatório entre em vigor.
Uma coalizão de 48 nações está coordenando uma declaração conjunta de impostos sobre criptoativos, sinalizando uma ofensiva regulatória global antes mesmo da implementação do CARF (Common Reporting Standard for Crypto-Assets). O movimento revela a pressa das autoridades em capturar receitas de um mercado que tradicionalmente opera nas sombras da tributação.
O Fim da Fronteira Fiscal Digital
A iniciativa representa o maior esforço coordenado até hoje para rastrear transações de criptomoedas entre jurisdições. Os dados compartilhados entre os países participantes criarão um mapa financeiro digital que torna quase impossível esconder ganhos de cripto no exterior. Bancos centrais e receitas federais estão construindo a infraestrutura para capturar tudo, desde trades em exchanges centralizadas até transações em DeFi.
O Preço da Legitimidade
Para o setor, a harmonização tributária traz uma faca de dois gumes. De um lado, oferece a clareza regulatória que grandes instituições financeiras exigem para entrar no mercado. Do outro, impõe uma burocracia que contradiz a filosofia de descentralização que originou as criptomoedas. É a ironia final do sucesso: quanto mais mainstream o ativo se torna, mais ele se parece com o sistema que prometia substituir.
Os próximos meses definirão se essa cooperação internacional será eficaz ou apenas mais uma camada de complexidade em um ecossistema já notório por contornar regras. Enquanto isso, traders e investidores enfrentam uma nova realidade onde cada satoshi ganho terá um endereço fiscal atribuído—o verdadeiro custo de admissão no sistema financeiro tradicional. Porque nada diz 'adoção institucional' como 48 governos dividindo seus lucros.
União Europeia, Ásia, Estados Unidos e Reino Unido se preparam para a transparência tributária global das criptomoedas
A iniciativa CARF exige que as jurisdições envolvidas implementem a estrutura, traduzindo seus requisitos em legislação nacional, incluindo obrigações de diligência prévia e padrões de reporte. Segundo a OCDE, isso ajudará os Provedores de Serviços de Criptoativos Reportadores (RCASPs) a saber quais informações do usuário coletar e como enviá-las às autoridades fiscais.
Além disso, os países participantes também precisam de marcos legais para a trocamatic de informações. Algumas jurisdições utilizarão a Convenção sobre Assistência Administrativa Mútua em Matéria Tributária (MAAC), que apoia o compartilhamento de dados no âmbito do Padrão Comum de Relatórios.
Outros podem optar pelos tratados bilaterais para evitar a dupla tributação, pelos Acordos de Troca de Informações Fiscais ou por mecanismos regionais como o sistema coordenado da UE.
A OCDE informou que diversas jurisdições já aprovaram legislação exigindo que as plataformas de criptomoedas coletem dados relacionados ao CARF ou estão finalizando medidas de fiscalização, e acredita que mais de 50 países estarão prontos quando as exchanges do CARF começarem a operar em 2027.
Autoridades do G20 acolheram favoravelmente a estrutura do CARF e convidaram o Fórum Global sobre Transparência e Troca de Informações para Fins Tributários a apoiar sua implementação. Até o momento, 59 países aderiram a uma declaração conjunta comprometendo-se com a conformidade com o CARF e estão demonstrando ativamente seu apoio político ao programa.
O primeiro lote de 48 jurisdições começará a coletar dados em 2026 para as bolsas de valores que iniciarão suas operações em 2027. No entanto, outros 27 países, incluindo Austrália, Canadá, México, Suíça e Hong Kong, deverão começar a reportar dados em 2028.
Segundo um comunicado de imprensa divulgado pelo governo de Hong Kong, jurisdição especial da China, a cidade abriu um fórum no início de dezembro para receber feedback sobre o CARF e atualizações nos padrões de declaração de impostos.
Mudanças imediatas começam no Reino Unido
Conforme noticiado pela BBC, o governo do Reino Unido emitiu um comunicado exigindo que todos os compradores de criptomoedas forneçam detalhes de suas contas à Receita e Alfândega do Reino Unido (HMRC) a partir de quinta-feira. Os requisitos de declaração atualizados agora fornecem às autoridades informações detalhadas sobre os ativos, transações e lucros dos usuários.
As corretoras de criptomoedas no Reino Unido agora são obrigadas a fornecer informações precisas e atualizadas sobre todos os usuários. As plataformas que não cumprirem essa exigência poderão ser multadas, e os investidores não poderão mais se basear em informações limitadas para sonegar impostos.
A Receita Federal do Reino Unido (HMRC) coletarámaticdados de todos os usuários de corretoras de criptomoedas e espera descobrir dezenas de milhões de libras em impostos não pagos anteriormente. Os defensores acreditam que as regras da CARF tornarão significativamente mais difícil para investidores ricos em criptomoedas ocultarem seus ganhos da Receita Federal.
“A HMRC (Receita e Alfândega do Reino Unido) está preocupada há algum tempo com os altos níveis de sonegação fiscal entre os investidores em criptomoedas. A HMRC oferece um programa de regularização para que os contribuintes possam declarar ganhos não declarados e impostos não pagos até abril de 2024”, disse Dawn Register, sócia da área de resolução de disputas tributárias da BDO, à publicação.
Em 2025, a maior criptomoeda em valor de mercado e suposta referência para o setor, Bitcoin, teve uma valorização expressiva, passando de aproximadamente US$ 93.500 no início do ano para quase US$ 124.500, antes de cair para menos de US$ 90.000 no final do ano. Os investidores que compraram durante as quedas de preço e venderam durante os picos agora estão sujeitos ao pagamento de impostos sobre seus ganhos.
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