Citi projeta emissão explosiva: US$ 1,9 trilhão em stablecoins até 2030
Banco global revisa previsões e aponta crescimento massivo para stablecoins
O mercado de criptomoedas está prestes a receber um impulso monumental
Projeção otimista sinaliza adoção institucional acelerada
US$ 1,9 trilhão em stablecoins circulando até o final da década
Movimento reflete confiança crescente em ativos digitais lastreados - finalmente os bancos estão acordando para o potencial que já era óbvio há anos
Citibank vê coexistência com depósitos tokenizados
Apesar de enxergarem uma tendência positiva na utilização de stablecoins, os analistas do Citi acreditam que elas vão coexistir com outros formatos de moedas on-chain. Um exemplo são os tokens de bancos, que viriam de depósitos tokenizados.
O modelo é o mesmo que o Banco Central (BC) do Brasil pretendia impulsionar com o projeto do Drex.
Nesse sentido, bancos tradicionais registrariam em blockchain parte dos valores que possuem em depósitos e entregariam esses tokens para seus clientes, a fim de facilitar a aquisição de tokens de renda fixa, por exemplo.
Uma vantagem dos tokens de bancos, para os analistas, é que eles não precisam de uma infraestrutura totalmente nova para funcionar. Eles já nascem como representações digitais diretas do dinheiro dos bancos comerciais.
‘Tokens bancários, com características como confiança e privacidade, continuarão sendo preferidos por muitos’, destaca o relatório do Citi. ‘Acreditamos que, em 2030, o volume de transações com tokens bancários pode superar o de stablecoins.’
Apesar disso, o Citibank admite que este tipo de token terá maior adoção em fluxos corporativos do que no varejo.
Adoção institucional
Para os analistas, as empresas do mundo das finanças tradicionais, hoje, estão mais curiosas do que entusiasmadas com stablecoins.
O ponto mais atrativo para essas companhias é a possibilidade de efetuar pagamentos mais rápido e a custos menores. Mesmo assim, o Citi diz que 2025 é o momento ‘ChatGPT’ da tecnologia blockchain.
Este verão cripto trouxe uma série de anúncios, especialmente de empresas nativas digitais, para levar stablecoins ao comércio e às atividades do mundo real. Além disso, a atividade existente com stablecoins, impulsionada por criptomoedas, continuou a crescer.
Um dos motivos citados para isso é a aprovação do chamado Genius Act. A lei regulamentou o funcionamento do mercado de stablecoins nos Estados Unidos, trazendo maior legitimidade e segurança jurídica para o setor.
Os analistas calculam que os volumes de emissão aumentaram de aproximadamente US$ 200 bilhões no início de 2025 para cerca de US$ 280 bilhões em setembro.
‘A evolução dos ativos digitais, como stablecoins, depósitos tokenizados e tokens de depósito, parece, de certa forma, com os primeiros dias do boom das pontocom’ relatam.
Obstáculos ao crescimento
Mesmo com todos os pontos positivos, os analistas lembram que há alguns obstáculos ao crescimento das stablecoins. Um deles é o fato de que os pagamentos dos consumidores, dentro de alguns países, já funciona muito bem.
É o caso do Brasil, que tem pagamentos instantâneos com o Pix 24 horas por dia e a baixos custos.
Ao mesmo tempo, os emissores de stablecoins sofrerão com cada vez mais requisitos regulatórios para operar. Isso poderá jogar os custos destas empresas para patamares similares aos do sistema financeiro tradicional.
Por outro lado, as stablecoins podem trazer muita eficiência para os pagamentos transfronteiriços (cross border) de pequenas e médias empresas. Segundo o relatório, essas companhias historicamente possuem mais dificuldade em movimentar dinheiro internacionalmente.
‘Embora a vantagem de custo das stablecoins possa variar, seu valor reside na redução dos encargos de reconciliação, na redução de intermediários e na programabilidade’, ressalta o relatório do Citibank.
Explore mais: Previsão das Criptomoedas que devem explodir em 2025
Privacidade
Outro problema citado pelo Citi são as preocupações com a privacidade diante da evolução das stablecoins e das blockchains públicas. Isso porque é possível acessar todo o histórico de transações de uma pessoa, caso você saiba o endereço da carteira dela.
‘Para as empresas, a visibilidade das transações on-chain pode expor dados sensíveis, como preços de transações, termos de fornecimento, folha de pagamento etc. Isso pode não apenas prejudicar a competitividade, mas também entrar em conflito com as obrigações de confidencialidade’, destaca o relatório.
A solução para isso, segundo os analistas, é a evolução das tecnologias de prova de conhecimento zero (ZKPs, na sigla em inglês).
‘Para casos de uso corporativo, ZKPs podem criar uma camada de validação que preserva a privacidade entre as contrapartes, mantendo a integridade do mecanismo de consenso’, argumenta o Citi.
Stablecoins em 4 pontos:
- Stablecoins são criptomoedas de valor atrelado ao de alguma moeda tradicional, como o dólar americano. Elas têm paridade de 1:1 para o câmbio que acompanham, servindo como representação digital daquela divisa.
- As stablecoins cresceram no ambiente das finanças descentralizadas (DeFi) e, agora, ganham força no mundo do comércio exterior e das transações internacionais.
- A grande vantagem de comprar uma stablecoin de dólar em vez do dólar em si é escapar dos spreads das casas de câmbio e do controle de capitais governamental.
- Atualmente, as maiores stablecoins do mundo em valor de mercado são USDT, da Tether, com capitalização de US$ 174,4 bilhões, e USDC, da Circle, com US$ 73,5 bilhões.