Coreia do Sul acaba com "proibição sombra" de 9 anos e libera investimentos em criptoativos para 3.500 empresas listadas
- O fim de uma era: Coreia do Sul libera criptoativos para empresas
- Por que as stablecoins ficaram de fora?
- O que as empresas estão argumentando?
- A estratégia em fases do governo
- Novas regras para exchanges
- O que esperar do futuro?
- Perguntas Frequentes
Em um movimento histórico, a Coreia do Sul está revogando uma polêmica restrição que impedia empresas listadas de investir em criptomoedas desde 2017. A decisão, anunciada em março de 2026, permitirá que cerca de 3.500 companhias negociem ativos digitais como Bitcoin e Ethereum, porém com uma importante ressalva: stablecoins como USDT e USDC permanecerão proibidas. Este artigo explora os detalhes da nova regulamentação, os argumentos das empresas e as preocupações dos reguladores.
O fim de uma era: Coreia do Sul libera criptoativos para empresas
Depois de quase uma década de restrições, o governo sul-coreano finalmente cedeu às pressões do mercado e decidiu permitir que empresas listadas negociem ativos digitais. A Comissão de Serviços Financeiros (FSC) está preparando as diretrizes finais que devem ser publicadas ainda neste primeiro trimestre de 2026. Curiosamente, essa mudança ocorre exatamente nove anos após a implementação da proibição original em 2017, quando o mercado de criptomoedas era visto com extrema desconfiança pelas autoridades.
Por que as stablecoins ficaram de fora?
Apesar da abertura geral, as stablecoins - especialmente as atreladas ao dólar como USDT e USDC - foram explicitamente excluídas da nova regulamentação. Os reguladores argumentam que permitir essas "moedas digitais fáceis de usar" poderia facilitar lavagem de dinheiro e fuga de capitais. Além disso, há uma contradição legal: enquanto a Lei de Transações de Câmbio não reconhece stablecoins como método formal de pagamento externo, permitir que empresas as mantenham como investimento criaria um vácuo regulatório.
O que as empresas estão argumentando?
Grandes corporações com volume significativo de comércio exterior têm pressionado pelo uso de stablecoins, alegando que elas permitiriam:
- Liquidação mais rápida de pagamentos internacionais
- Proteção contra volatilidade cambial
- Redução de custos comparado a transferências bancárias tradicionais
- Gestão mais eficiente de balanços digitais
Atualmente, algumas empresas já contornam as regras usando carteiras pessoais como MetaMask ou plataformas OTC estrangeiras, mas sem contas corporativas oficiais - uma prática que esperavam ver regulamentada.
A estratégia em fases do governo
A Lei Marco de Ativos Digitais está sendo implementada em duas etapas claras:
- Fase 1 (2024-2025): Foco na proteção de investidores individuais
- Fase 2 (2026 em diante): Construção de infraestrutura para um mercado profissional
As discussões recentes sugerem que o governo planeja primeiro permitir investimentos em Bitcoin e Ethereum antes de criar regras específicas para stablecoins lastreadas em won sul-coreano.
Novas regras para exchanges
O partido governante estabeleceu limites importantes para as plataformas de criptomoedas:
- Participação de acionistas majoritários limitada a 20% (com exceções até 34%)
- Exigência de capital mínimo de 5 bilhões de KRW para emissores de stablecoins
- Participação majoritária (acima de 50%) de bancos em empresas emissoras
Isso pode forçar gigantes como Upbit e Bithumb a reestruturações significativas nos próximos três anos. Aliás, a FSC citou recentemente um incidente com transferência acidental de US$ 43 bilhões na Bithumb como justificativa para essas medidas de segurança.
O que esperar do futuro?
Enquanto o mercado comemora a abertura para criptoativos, a exclusão das stablecoins deixa um vácuo significativo para empresas com operações internacionais. Especialistas do BTCC acreditam que o governo pode estar preparando o terreno para um ecossistema próprio de stablecoins lastreadas em won, reduzindo a dependência de soluções estrangeiras.
Este artigo não constitui aconselhamento de investimento. Dados históricos foram obtidos através do CoinMarketCap e TradingView.
Perguntas Frequentes
Por que a Coreia do Sul proibiu empresas de investir em criptomoedas em 2017?
Em 2017, o governo sul-coreano implementou a proibição devido a preocupações com fraudes, volatilidade excessiva e falta de regulamentação no nascente mercado de criptoativos. A medida visava proteger tanto os investidores quanto o sistema financeiro tradicional.
Quais empresas serão afetadas pela nova regulamentação?
Aproximadamente 3.500 empresas listadas na bolsa sul-coreana poderão investir em criptoativos a partir de 2026. Isso inclui grandes conglomerados (chaebols) como Samsung e Hyundai, além de empresas de médio porte com interesse em tecnologia e finanças digitais.
As stablecoins poderão ser liberadas no futuro?
Analistas do BTCC acreditam que sim, mas provavelmente sob um regime regulatório específico que priorize stablecoins lastreadas em won e com participação majoritária de instituições financeiras tradicionais. O governo parece preferir desenvolver uma solução local em vez de adotar as stablecoins globais existentes.