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Coreia do Sul acaba com "proibição sombra" de 9 anos e libera investimentos em criptoativos para 3.500 empresas listadas

Coreia do Sul acaba com "proibição sombra" de 9 anos e libera investimentos em criptoativos para 3.500 empresas listadas

Published:
2026-03-08 03:21:02
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Em um movimento histórico, a Coreia do Sul está revogando uma polêmica restrição que impedia empresas listadas de investir em criptomoedas desde 2017. A decisão, anunciada em março de 2026, permitirá que cerca de 3.500 companhias negociem ativos digitais como Bitcoin e Ethereum, porém com uma importante ressalva: stablecoins como USDT e USDC permanecerão proibidas. Este artigo explora os detalhes da nova regulamentação, os argumentos das empresas e as preocupações dos reguladores.

O fim de uma era: Coreia do Sul libera criptoativos para empresas

Depois de quase uma década de restrições, o governo sul-coreano finalmente cedeu às pressões do mercado e decidiu permitir que empresas listadas negociem ativos digitais. A Comissão de Serviços Financeiros (FSC) está preparando as diretrizes finais que devem ser publicadas ainda neste primeiro trimestre de 2026. Curiosamente, essa mudança ocorre exatamente nove anos após a implementação da proibição original em 2017, quando o mercado de criptomoedas era visto com extrema desconfiança pelas autoridades.

Por que as stablecoins ficaram de fora?

Apesar da abertura geral, as stablecoins - especialmente as atreladas ao dólar como USDT e USDC - foram explicitamente excluídas da nova regulamentação. Os reguladores argumentam que permitir essas "moedas digitais fáceis de usar" poderia facilitar lavagem de dinheiro e fuga de capitais. Além disso, há uma contradição legal: enquanto a Lei de Transações de Câmbio não reconhece stablecoins como método formal de pagamento externo, permitir que empresas as mantenham como investimento criaria um vácuo regulatório.

O que as empresas estão argumentando?

Grandes corporações com volume significativo de comércio exterior têm pressionado pelo uso de stablecoins, alegando que elas permitiriam:

  • Liquidação mais rápida de pagamentos internacionais
  • Proteção contra volatilidade cambial
  • Redução de custos comparado a transferências bancárias tradicionais
  • Gestão mais eficiente de balanços digitais

Atualmente, algumas empresas já contornam as regras usando carteiras pessoais como MetaMask ou plataformas OTC estrangeiras, mas sem contas corporativas oficiais - uma prática que esperavam ver regulamentada.

A estratégia em fases do governo

A Lei Marco de Ativos Digitais está sendo implementada em duas etapas claras:

  1. Fase 1 (2024-2025): Foco na proteção de investidores individuais
  2. Fase 2 (2026 em diante): Construção de infraestrutura para um mercado profissional

As discussões recentes sugerem que o governo planeja primeiro permitir investimentos em Bitcoin e Ethereum antes de criar regras específicas para stablecoins lastreadas em won sul-coreano.

Novas regras para exchanges

O partido governante estabeleceu limites importantes para as plataformas de criptomoedas:

  • Participação de acionistas majoritários limitada a 20% (com exceções até 34%)
  • Exigência de capital mínimo de 5 bilhões de KRW para emissores de stablecoins
  • Participação majoritária (acima de 50%) de bancos em empresas emissoras

Isso pode forçar gigantes como Upbit e Bithumb a reestruturações significativas nos próximos três anos. Aliás, a FSC citou recentemente um incidente com transferência acidental de US$ 43 bilhões na Bithumb como justificativa para essas medidas de segurança.

O que esperar do futuro?

Enquanto o mercado comemora a abertura para criptoativos, a exclusão das stablecoins deixa um vácuo significativo para empresas com operações internacionais. Especialistas do BTCC acreditam que o governo pode estar preparando o terreno para um ecossistema próprio de stablecoins lastreadas em won, reduzindo a dependência de soluções estrangeiras.

Este artigo não constitui aconselhamento de investimento. Dados históricos foram obtidos através do CoinMarketCap e TradingView.

Perguntas Frequentes

Por que a Coreia do Sul proibiu empresas de investir em criptomoedas em 2017?

Em 2017, o governo sul-coreano implementou a proibição devido a preocupações com fraudes, volatilidade excessiva e falta de regulamentação no nascente mercado de criptoativos. A medida visava proteger tanto os investidores quanto o sistema financeiro tradicional.

Quais empresas serão afetadas pela nova regulamentação?

Aproximadamente 3.500 empresas listadas na bolsa sul-coreana poderão investir em criptoativos a partir de 2026. Isso inclui grandes conglomerados (chaebols) como Samsung e Hyundai, além de empresas de médio porte com interesse em tecnologia e finanças digitais.

As stablecoins poderão ser liberadas no futuro?

Analistas do BTCC acreditam que sim, mas provavelmente sob um regime regulatório específico que priorize stablecoins lastreadas em won e com participação majoritária de instituições financeiras tradicionais. O governo parece preferir desenvolver uma solução local em vez de adotar as stablecoins globais existentes.

|Square

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