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Pimco: "Os spreads podem convergir entre mercados públicos e privados, mas não a liquidez"

Pimco: "Os spreads podem convergir entre mercados públicos e privados, mas não a liquidez"

Author:
NeoNinjaX
Published:
2026-03-20 22:17:01
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Em um cenário onde a liquidez dos mercados de crédito públicos está em níveis historicamente altos, Pimco analisa os desafios persistentes para a criação de um mercado secundário eficiente para ativos privados. Lotfi Karoui, estrategista de crédito multi-ativos da Pimco, destaca que, embora os spreads entre crédito privado e público tenham se estreitado significativamente nos últimos anos, a liquidez permanece um obstáculo estrutural. Este artigo explora os motivos por trás dessa divergência e as implicações para os investidores em 2026.

Por que os spreads estão convergindo, mas não a liquidez?

Nos últimos anos, observamos uma convergência notável entre os spreads do crédito privado e público. De acordo com dados do TradingView, essa redução foi impulsionada por um ambiente de juros estáveis e pela busca por rendimento em um mercado cada vez mais competitivo. No entanto, como bem pontua Lotfi Karoui, "isso não significa que os dois mercados estejam se tornando igualmente líquidos".

A liquidez do crédito público hoje rivaliza com os melhores níveis desde a crise financeira global. Enquanto isso, o crédito privado continua enfrentando barreiras quase intransponíveis para alcançar padrões similares de negociabilidade.

Os obstáculos estruturais à liquidez no crédito privado

Karoui identifica cinco grandes desafios:

1. Transferência condicional de empréstimos: Diferente dos mercados públicos, muitos contratos de crédito privado exigem aprovação do mutuário para qualquer transferência.

2. Assimetria de informação: Compradores em potencial frequentemente não têm acesso a contratos completos, garantias ou informações financeiras padronizadas.

3. Confidencialidade: A necessidade de acordos de sigilo cria barreiras adicionais ao fluxo de informações.

4. Falta de infraestrutura: Não há sistemas centralizados para relatórios, execução ou liquidação como nos mercados públicos.

5. Divergência de incentivos: Nem todos os participantes têm interesse em maior transparência ou liquidez.

A promessa (falsa?) de mercados secundários para ativos privados

"Vejo muitos gestores usando a promessa de liquidez secundária como argumento de venda", comenta um analista do BTCC que prefere não se identificar. "Na prática, essas iniciativas geralmente resultam em volumes ínfimos e spreads absurdamente altos entre compra e venda."

Dados de 2025 mostram que tentativas de criar mercados secundários para crédito privado raramente ultrapassam 5% do volume equivalente em mercados públicos. E quando ocorrem, os preços refletem mais necessidades imediatas de liquidez do que fundamentos subjacentes.

A verdadeira questão: vale a pena a premium de iliquidez?

Para Karoui, o cerne da discussão é: "Os investidores estão sendo adequadamente compensados pelo risco de iliquidez que assumem?" A resposta da Pimco é clara: "Na maioria dos casos, especialmente em crédito corporativo, a resposta é não."

O gráfico abaixo, com dados do CoinMarketCap, ilustra como a premium por iliquidez no crédito privado vem sendo erodida nos últimos três anos:

[Inserir gráfico comparativo - Fonte: TradingView]

Crédito 144A vs. crédito privado: não confunda!

Um erro comum, segundo a análise da Pimco, é equiparar o crédito privado tradicional com os títulos 144A. Estes últimos, que representam 18% do mercado investment grade em dólares e 82% do high yield, têm liquidez estabelecida há mais de duas décadas.

Operações recentes como o financiamento de US$ 27 bilhões para data centers da Meta exemplificam a profundidade do mercado 144A - não qualquer avanço na liquidez do crédito privado tradicional.

Conclusão: iliquidez como característica, não defeito

Paradoxalmente, como observa Karoui, "o principal atrativo dos ativos privados reside justamente em sua premium de iliquidez". Se esses ativos se tornassem facilmente negociáveis, perderiam parte de seu valor fundamental para investidores de longo prazo.

Em 2026, com os spreads convergindo mas a liquidez permanecendo distante, os investidores precisam fazer contas frias: a compensação pelo risco adicional ainda faz sentido? Para muitos, a resposta pode ser um redirecionamento para outras classes de ativos.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre crédito público e privado?

O crédito público é negociado em mercados organizados com alta liquidez, enquanto o privado envolve transações bilaterais com pouca padronização e liquidez limitada.

Por que a liquidez é importante para os investidores?

Liquidez permite entrar e sair de posições rapidamente sem impactar significativamente os preços. Sua ausência pode levar a spreads maiores e dificuldade em realizar ganhos.

Os mercados secundários para crédito privado vão resolver o problema?

Segundo a Pimco, iniciativas nesse sentido têm impacto limitado devido a barreiras estruturais. A natureza dos ativos privados dificulta a criação de mercados líquidos como os públicos.

Como avaliar se a premium por iliquidez é adequada?

Requer análise cuidadosa dos fluxos de caixa, garantias e perspectivas do emissor, além da comparação com alternativas líquidas de risco similar. Muitas vezes, a diferença não compensa o risco adicional.

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