Coreia do Sul Regista Recorde de Mais de 36 Mil Transações Suspeitas com Criptomoedas em 2025

A Coreia do Sul atingiu um novo marco na monitorização de criptomoedas, mas não é um motivo para celebrar. As autoridades afirmam que o número de transações suspeitas com criptomoedas sinalizadas este ano já superou o total combinado dos últimos dois anos.
Recorde de Aumento nos Relatórios
Entre janeiro e agosto de 2025, as exchanges locais apresentaram 36.684 relatórios de transações suspeitas (STRs) à Unidade de Inteligência Financeira (FIU). Isso é mais que o dobro do total do ano passado e muito acima dos 16.076 casos registados em 2023.
O aumento tem sido acentuado. Em 2021, foram reportados apenas 199 casos. Em 2022, esse número disparou para quase 18.000, e a curva não abrandou desde então.
Remessas Ilegais Impulsionam o Aumento
Os funcionários afirmam que a maioria desses casos envolve "hwanchigi", ou esquemas ilegais de remessas para o exterior. Aqui, os fundos são convertidos em criptomoedas através de plataformas estrangeiras, canalizados para exchanges locais e depois convertidos em won.
Os números destacam a escala: de 2021 a agosto de 2025, o Serviço Alfandegário da Coreia (KCS) encaminhou ₩9,56 trilhões (US$ 7,1 mil milhões) em crimes relacionados com criptomoedas para os procuradores. Desse total, mais de 90% vieram de esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao hwanchigi.
Stablecoins no Ponto de Mira
As stablecoins, outrora promovidas como o futuro dos pagamentos fáceis, são agora uma preocupação crescente para os reguladores. Em maio, os funcionários da alfândega descobriram um corretor acusado de mover ₩57,1 mil milhões (US$ 42 milhões) entre a Coreia do Sul e a Rússia usando Tether (USDT). Dois cidadãos russos teriam realizado mais de 6.000 transações ilegais entre 2023 e 2024.
"À medida que as stablecoins se tornaram recentemente amplamente utilizadas como meio de pagamento e liquidação na economia real, o potencial de serem mal utilizadas para crimes cambiais, como lavagem de dinheiro, está a aumentar", afirmou o deputado Jin Seong-jun.
O deputado Jin apelou a agências como a FIU e o KCS para fortalecerem a sua resposta, salientando a necessidade de "medidas sistemáticas contra novos tipos de crimes cambiais" e repressões mais duras, incluindo o rastreamento de fundos criminosos e o bloqueio de remessas disfarçadas.
Um Problema Global, Não Apenas da Coreia
Os números recordes da Coreia do Sul refletem um desafio mais amplo para os reguladores em todo o mundo. O quadro MiCA da UE já impõe limites rigorosos às transações com stablecoins, enquanto os bancos centrais da Europa e do Reino Unido sugeriram limites para as moedas digitais para conter fluxos ilícitos.
Traduzido por NEMNinja