Bitcoin atinge menor volatilidade desde 2015: transformação em ativo de reserva acelera?

O rei das criptomoedas finalmente está crescendo? A volatilidade do Bitcoin caiu para níveis não vistos desde janeiro de 2015—um movimento silencioso que está fazendo os grandes players reconsiderarem seu lugar nos portfólios.
Maturidade ou estagnação?
Enquanto os traders reclamam da falta de emoção, os institucionais esfregam as mãos. A queda drástica na oscilação de preços remove uma das maiores objeções para adoção em larga escala—os gestores de fundos podem finalmente dormir sem precisar checar gráficos a cada três horas.
O novo ouro digital?
Com volatilidade comparável a blue chips tradicionais, o Bitcoin começa a parecer menos com cassino e mais com reserva de valor legítima. Bancos centrais ao redor do mundo já discutiram a inclusão—enquanto isso, Wall Street continua tentando entender como perdeu o bonde… de novo.
O mercado testemunha uma transformação histórica: de ativo especulativo para pilastro estratégico. Resta saber se os reguladores vão estragar a festa—ou se finalmente vão admitir que o futuro financeiro já chegou.
Bitcoin está se tornando um ativo de reserva de valor?
A volatilidade elevada do bitcoin impedia que o mercado reconhecesse a criptomoeda como um ativo de reserva de valor. Mas, de uns tempos para cá, essa característica tem ganhando força em torno do bitcoin. Em março, o presidente americano, Donald Trump, anunciou a criação de uma reserva estratégia de bitcoin que será formada apenas por BTCs detidos pelo governo federal em processos legais.
Em um primeiro momento, os detalhes do decreto trouxeram uma decepção dos investidores que esperavam da Casa Branca anúncios de compras de bitcoin, algo que, até o momento, não aconteceu. Apesar da frustração inicial, os principais players da indústria avaliaram o decreto como algo positivo. Isso porque, na avaliação deles, a ordem executiva consolidou o reconhecimento do bitcoin, como ativo de reserva, pela maior economia do mundo e distinguiu o ativo digital das outras criptos.
O evento tem sido acompanhado pelo interesse de empresas de capital aberto pelos fundamentos do BTC. Também em março, a Méliuz (CASH3) aprovou a aplicação de até 10% do seu caixa total em bitcoin com objetivo de retornos no longo prazo. A estratégia da empresa de cashback segue os passos da empresa de software Strategy (antiga MicroStrategy), que possui sede nos Estados Unidos (EUA). Relembre o caso nesta reportagem.
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Esses movimentos, embora sejam relevantes, ainda não são suficientes para consolidar o ativo digital como ativo de reserva. André Franco, analista de investimentos cripto e CEO da Boost Research, explica que é preciso ter uma adesão maior e uma queda mais acentuada da volatilidade para que o BTC conquiste o título de ouro digital.
A volatilidade ainda é muito alta para ser cravado com ativo de reserva. Mas vejo que isso pode acotencer consolidado até 2035, quando a geração mais nova de investidores terá uma participação mais relevante na indústria, diz Franco.O que esperar do bitcoin daqui para frente?
O recuo da volatilidade não blinda o bitcoin de oscilações significativas nas próximas semanas. Nesta semana, a criptomoeda deve ficar suscetível aos desdobramentos do cenário macroeconômico, especialmente em torno das expectativas do ciclo de queda de juros nos EUA para setembro, quando ocorre a próxima reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). As apostas ganharam força na última semana após a divulgação dos dados de inflação ao consumidor americano (CPI, na sigla inglês).
Em julho, o indicador econômico subiu 0,2% em comparação ao mês anterior, em linha com as projeções do mercado. O resultado, somado aos dados fracos do mercado trabalho que foram divulgados no início do mês, reforça a necessidade de mudanças na condução da política monetária do país, que mantém as taxas de juros nos intervalos de 4,25% e 4,5% ao ano.
Na prática, a flexibilização da política monetária tende a criar um ambiente econômica mais favorável para a indústria de criptomoedas. Isso porque, com a queda das taxas americanas, os investidores tendem a direcionar as suas alocações para ativos de maior risco em busca de retornos mais elevados. E as criptomoedas entram nesse radar.
Qualquer sinal de postura mais rígida ou de atraso nos cortes de juros pode pressionar os ativos de risco, enquanto sinais mais brandos podem dar continuidade ao momento positivo das criptos, diz Guilherme Prado, country manager da Bitget no Brasil.
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