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Japão aprovará stablecoins lastreadas em iene neste outono, começando com a fintech JPYC

Japão aprovará stablecoins lastreadas em iene neste outono, começando com a fintech JPYC

Published:
2025-08-17 19:48:02
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O Japão está prestes a dar um grande passo no mercado de criptomoedas com a aprovação regulatória de stablecoins lastreadas em iene, marcando a entrada oficial do país nesse setor em crescimento. A fintech Tokyo-based JPYC Inc. será a primeira a operar sob essa nova estrutura, que visa impulsionar remessas internacionais e transações transfronteiriças. Com um mercado global de stablecoins avaliado em mais de US$ 250 bilhões, o Japão busca uma fatia dessa liquidez – não por vaidade, mas por eficiência. Vamos explorar os detalhes dessa movimentação e o que ela significa para o ecossistema cripto.

O que está por trás da decisão do Japão?

O governo japonês está criando um marco regulatório para stablecoins vinculadas ao iene, com a JPYC liderando o caminho como a primeira empresa autorizada. A empresa já se registrou como operadora de transferência de dinheiro e planeja começar a emitir seus tokens ainda este mês. Essa aprovação é histórica: é a primeira vez que o Japão concede uma autorização completa para stablecoins lastreadas em moeda fiduciária.

Por que agora? O mercado global de stablecoins está dominado por tokens lastreados em dólar, como USDC e Tether, e o Japão quer uma parte desse bolo. Mas não se trata apenas de seguir a moda – há uma estratégia clara por trás disso. O país acredita que as stablecoins podem tornar as remessas internacionais e as transações transfronteiriças mais rápidas, baratas e eficientes quando emitidas em sua própria moeda.

Como funcionará o stablecoin da JPYC?

A JPYC adotou um modelo simples mas eficaz: cada token valerá exatamente 1 iene, garantido por ativos reais. A empresa usará uma combinação de depósitos bancários e títulos do governo japonês para lastrear cada moeda emitida. O processo de compra será direto: indivíduos ou empresas podem solicitar os tokens, e após a confirmação do pagamento via transferência bancária, as moedas serão depositadas na carteira digital do cliente.

Diferente de muitas empresas que criam suas próprias blockchains, a JPYC optou por uma abordagem mais aberta. Todas as emissões ocorrerão em blockchains públicas existentes, sem planos para desenvolver uma chain proprietária – pelo menos por enquanto. Essa decisão mantém a infraestrutura aberta e evita a criação de mais "jardins murados" no ecossistema cripto.

Stablecoins como "aspiradores" de títulos governamentais

Ryosuke Okabe, representante da JPYC, fez uma analogia interessante no X (antigo Twitter): comparou as stablecoins a "máquinas de absorção" de títulos governamentais. Ele destacou que grandes emissores como Tether e Circle já estão entre os maiores compradores de títulos do Tesouro dos EUA, e que a JPYC provavelmente seguirá esse modelo no Japão.

"Não é exagero dizer que as taxas de juros dos títulos do governo japonês repousam sobre os ombros da JPYC", afirmou Okabe. Ele alertou que o aumento da demanda por esses títulos por parte dos emissores de stablecoins pode fazer a diferença entre empréstimos com juros baixos e hipotecas mais caras.

Riscos e responsabilidades: quem arca com os problemas?

E se os preços dos títulos governamentais caírem, comprometendo o lastro? Okabe foi direto ao ponto: nesse caso, a responsabilidade é do emissor. "É uma regulação que, se o país entrar em colapso, o emissor da stablecoin pode afundar junto", explicou.

Outro ponto importante: os ganhos com os juros dos títulos governamentais não serão repassados aos detentores da stablecoin. Esse lucro ficará com o emissor. Pagamentos de juros aos usuários são proibidos, mas pequenos benefícios – semelhantes aos programas de recompensa de cartões de crédito – são permitidos.

E o risco de desvinculação (depegging)?

Okabe admitiu que existe o risco de a stablecoin perder sua paridade de 1:1 com o iene nos mercados secundários, especialmente se os títulos subjacentes perderem liquidez ou valor. Se isso acontecer e o token começar a ser negociado abaixo de 1 iene, os compradores ainda poderão resgatá-lo diretamente com a JPYC pelo valor total – o que, segundo ele, deve ajudar a recuperar rapidamente o preço.

Porém, ele alertou para cenários mais extremos: se o Japão deixar de honrar seus próprios títulos ou se os preços dos títulos entrarem em colapso, as pessoas podem tentar se desfazer do token abaixo do valor de face, e a paridade pode permanecer quebrada por mais tempo até que a situação se normalize.

Medidas de segurança para proteger os usuários

Para reduzir o risco de falta de liquidez, a JPYC será obrigada a depositar 101% do maior valor de emissão dentro de uma semana após o lançamento das stablecoins. Esse depósito deve ser feito em até três dias úteis, conforme as regulamentações atuais.

Essas medidas mostram que, apesar de abraçar a inovação, o Japão está priorizando a segurança e a estabilidade financeira. A abordagem regulatória cuidadosa pode servir de modelo para outros países que buscam entrar no mercado de stablecoins sem comprometer a proteção aos consumidores.

Perguntas frequentes sobre as stablecoins lastreadas em iene

Quando as stablecoins da JPYC estarão disponíveis?

A JPYC planeja começar a emitir seus tokens ainda este mês, após concluir seu registro como operadora de transferência de dinheiro.

Como a JPYC garante que cada token vale exatamente 1 iene?

A empresa mantém reservas equivalentes a 101% do valor emitido, compostas por depósitos bancários e títulos do governo japonês.

Os detentores da stablecoin receberão juros sobre seus tokens?

Não. Os ganhos com os juros dos títulos governamentais ficarão com o emissor, conforme as regulamentações japonesas.

O que acontece se o Japão enfrentar problemas econômicos graves?

Em cenários extremos como default dos títulos governamentais, a stablecoin pode perder sua paridade e o emissor pode enfrentar dificuldades para honrar os resgates.

Posso negociar os tokens da JPYC em exchanges como a BTCC?

Sim, a expectativa é que a stablecoin seja listada em diversas exchanges de criptomoedas, incluindo a BTCC, após seu lançamento.

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