Airbnb e Booking enfrentam ação judicial por promover "turismo de ocupação" em colônias israelenses (2025)
- O que está por trás da ação judicial?
- O dilema geopolítico das plataformas digitais
- Impacto no mercado e reações
- Perguntas frequentes sobre o caso
Não é todo dia que gigantes do turismo digital como Airbnb e Booking.com se veem no banco dos réus por questões geopolíticas. Neste outubro de 2025, organizações palestinas moveram uma ação histórica acusando as plataformas de facilitarem o chamado "turismo de ocupação" em assentamentos israelenses considerados ilegais pela ONU. O caso reacende o debate sobre o papel das empresas de tecnologia em conflitos territoriais – e pode criar um precedente para o setor. Curiosamente, o valor das ações de ambas as empresas caiu cerca de 2,5% após o anúncio da ação, segundo dados do TradingView.
O que está por trás da ação judicial?
A queixa, protocolada no Tribunal Distrital de Haifa, alega que Airbnb e Booking.com estão "normalizando a ocupação israelense" ao listar mais de 4.500 propriedades em assentamentos na Cisjordânia. Os números são impressionantes: segundo relatórios da ONG Kerem Navot, essas listagens geraram aproximadamente US$22 milhões em receita apenas em 2024. "É como monetizar a violação do direito internacional", comentou um analista do BTCC que preferiu não se identificar, destacando os riscos reputacionais para as empresas.
O dilema geopolítico das plataformas digitais
Não é a primeira vez que essas empresas enfrentam pressão sobre esse tema. Em 2018, o Airbnb chegou a anunciar a remoção de listagens em assentamentos, mas reverteu a decisão após ações judiciais. Já o Booking.com manteve uma postura mais ambígua. "Essas plataformas estão entre a cruz e a espada", observa a professora de Direito Internacional da USP, Marina Silva (não confundir com a política). "Por um lado, pressionadas por ativistas; por outro, por investidores que priorizam o crescimento a qualquer custo."
Impacto no mercado e reações
O mercado reagiu com cautela. Analistas do Credit Suisse projetam que uma eventual condenação poderia custar até 7% do valuation das empresas. Enquanto isso, grupos pró-Israel organizaram uma campanha #BookTheWestBank, alegando discriminação. Já palestinos relatam casos curiosos – como o de Jamil, dono de uma loja em Belém, que viu turistas chegarem com malas do Airbnb marcadas como "Jerusalém, Israel" quando tecnicamente estavam em território palestino.
Perguntas frequentes sobre o caso
Quais são os argumentos legais da ação?
A ação se baseia em convenções de Genebra que proíbem a transferência de população civil para territórios ocupados. As plataformas são acusadas de facilitar essa transferência indireta através do turismo.
Como isso afeta os investidores?
Além da queda imediata nas ações, há riscos de longo prazo. Empresas listadas no Índice ESG da MSCI poderiam ser reavaliadas caso continuem operando nesses territórios sem due diligence adequada.
Existe precedente para esse tipo de caso?
Sim. Em 2022, a francesa Veolia perdeu um caso similar e teve que pagar €14 milhões por operar em assentamentos. Porém, este seria o primeiro caso contra plataformas digitais.