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Europa age contra o duopólio da Visa e Mastercard em pagamentos com cartão: independência financeira até 2029

Europa age contra o duopólio da Visa e Mastercard em pagamentos com cartão: independência financeira até 2029

Published:
2026-02-09 17:47:01
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Num movimento estratégico para reduzir a dependência de sistemas de pagamento norte-americanos, a Europa está acelerando o desenvolvimento de soluções próprias. Com Visa e Mastercard dominando dois terços das transações por cartão no continente, autoridades e instituições financeiras europeias estão unindo forças para criar alternativas locais. Este artigo explora as iniciativas em curso, incluindo o aplicativo Wero e o projeto do euro digital, enquanto analisa os desafios geopolíticos e tecnológicos envolvidos nesta transição crucial.

Por que a Europa está preocupada com o domínio da Visa e Mastercard?

A situação atual é alarmante: segundo dados do Banco Central Europeu (BCE), em 2022, Visa e Mastercard processaram cerca de 65% de todos os pagamentos com cartão na zona do euro. Martina Weimert, CEO da Iniciativa de Pagamentos Europeus (EPI), não mede palavras: "Estamos altamente dependentes de soluções internacionais". O problema vai além dos números - 13 países da UE nem sequer possuem suas próprias redes de pagamento nacionais, e mesmo onde existem, esses sistemas estão em declínio.

Mario Draghi, ex-presidente do BCE, já havia alertado sobre os riscos: "A integração profunda criou dependências que poderiam ser exploradas quando nem todos os parceiros são aliados". Com as tensões geopolíticas atuais, essa vulnerabilidade tornou-se uma preocupação estratégica para o bloco europeu.

Quais são as soluções que a Europa está desenvolvendo?

A resposta vem em duas frentes principais. A primeira é o Wero, um aplicativo de pagamentos digitais lançado em 2024 pela EPI (que reúne 16 grandes bancos como BNP Paribas e Deutsche Bank). Com 48,5 milhões de usuários na Bélgica, França e Alemanha, o Wero opera de forma semelhante ao Apple Pay, mas com tecnologia totalmente europeia. A expansão completa para pagamentos online e físicos está prevista para 2027.

A segunda iniciativa é ainda mais ambiciosa: o euro digital. Liderado por Piero Cipollone no BCE, o projeto visa criar uma moeda digital pública que garanta a soberania europeia sobre seus sistemas de pagamento. "Como cidadãos europeus, queremos evitar uma situação em que a Europa dependa excessivamente de sistemas de pagamento que não estão em nossas mãos", afirmou Cipollone.

Quais são os principais desafios para essas iniciativas?

O caminho não está livre de obstáculos. O euro digital enfrenta resistência de bancos comerciais, que temem a concorrência com seus produtos privados, e de alguns políticos céticos. O Parlamento Europeu deve votar o projeto ainda este ano, numa decisão que promete ser apertada.

Quanto ao Wero, o principal desafio é a escala. "Temos ativos nacionais interessantes, como esquemas de cartões domésticos, mas não temos nada verdadeiramente transfronteiriço", admite Weimert. A interoperabilidade entre os diferentes sistemas nacionais e a adoção por comerciantes em toda a Europa são barreiras significativas.

Qual é o prazo para essas mudanças?

O cronograma é ambicioso. Se aprovado pelo Parlamento Europeu, o euro digital deverá estar disponível até 2029, com lojas sendo obrigadas por lei a aceitá-lo. Já o Wero pretende completar sua expansão até 2027.

No entanto, para Weimert, o tempo pode ser inimigo: "O problema com o euro digital é que ele virá em alguns anos, talvez após o mandato do [presidente dos EUA] Donald Trump. Acho que estamos um pouco sem tempo". A urgência reflete preocupações mais amplas sobre a soberania tecnológica europeia, como destacou o chefe de cibersegurança da Bélgica: "Já perdemos a internet" para empresas americanas.

Como o mercado está reagindo a essas iniciativas?

O setor financeiro europeu parece consciente da necessidade de mudança. "Muitos bancos e lojas já sabem que precisam de uma solução verdadeiramente transfronteiriça", observa Weimert. Com as tensões geopolíticas em ascensão, o tema está "se tornando um tópico mainstream".

Aurore Lalucq, que lidera o comitê econômico do Parlamento Europeu, vê no euro digital uma oportunidade para a Europa finalmente competir com Visa e Mastercard. No entanto, especialistas alertam que o sucesso dependerá não apenas da tecnologia, mas da capacidade de criar um ecossistema integrado que ofereça conveniência comparável aos sistemas existentes.

Perguntas frequentes sobre o futuro dos pagamentos na Europa

Quais países europeus não possuem sistemas de pagamento próprios?

Segundo dados do BCE, 13 países da UE atualmente não possuem suas próprias redes de pagamento nacionais, tornando-os totalmente dependentes de soluções internacionais como Visa e Mastercard.

Como funciona o aplicativo Wero?

O Wero opera como uma carteira digital semelhante ao Apple Pay, mas desenvolvida por um consórcio de bancos europeus. Atualmente disponível na Bélgica, França e Alemanha, permite pagamentos móveis com tecnologia totalmente europeia.

Quando o euro digital estará disponível?

Se aprovado pelo Parlamento Europeu, o euro digital deverá ser implementado até 2029, com obrigatoriedade de aceitação por comerciantes em toda a zona do euro.

Por que a Europa está investindo em soluções próprias de pagamento?

As motivações incluem preocupações com soberania financeira, redução de dependência de sistemas estrangeiros, e a necessidade de garantir resiliência em cenários geopolíticos tensos.

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