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60% dos economistas duvidam que a IA permita ao Fed reduzir as taxas de juros em 2024, revela pesquisa

60% dos economistas duvidam que a IA permita ao Fed reduzir as taxas de juros em 2024, revela pesquisa

Published:
2026-02-09 04:18:02
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Uma pesquisa recente realizada pela Universidade de Chicago em parceria com o Financial Times mostra que a maioria dos economistas céticos sobre o impacto imediato da IA na política monetária. Enquanto o candidato de Trump à presidência do Fed prevê uma revolução na produtividade, especialistas alertam para efeitos mínimos nos próximos dois anos e riscos inflacionários de curto prazo. A divergência de opiniões coloca o novo presidente do Fed em uma posição delicada diante das pressões políticas por cortes agressivos nas taxas.

O otimismo de Kevin Warsh sobre a IA colide com o ceticismo dos economistas

O candidato de Donald Trump para assumir o comando do Federal Reserve, Kevin Warsh, nomeado em janeiro para substituir Jay Powell em maio, fez declarações ambiciosas sobre o potencial da inteligência artificial. Ele prevê que a IA desencadeará "a maior onda de crescimento de produtividade de nossa era", permitindo ao Fed reduzir as taxas de juros atuais entre 3,5% e 3,75% sem superaquecer a economia.

Porém, os dados do levantamento com 45 dos principais economistas do país pintam um cenário bem diferente. Cerca de 60% dos especialistas acreditam que o impacto da IA sobre a inflação e os custos de empréstimo nos próximos 24 meses será praticamente insignificante, com reduções inferiores a 0,2% tanto na inflação quanto na taxa neutra (aquela que não afeta o crescimento econômico).

Por que os economistas duvidam do efeito desinflacionário da IA?

Jonathan Wright, economista da Universidade Johns Hopkins e ex-membro do Fed, resume o ceticismo predominante: "Não acredito que [o boom da IA] seja um choque desinflacionário. Também não acho - pelo menos no curto prazo - que seja muito inflacionário".

O estudo revela que aproximadamente um terço dos entrevistados vai além, sugerindo que a IA poderia até pressionar o Fed a elevar levemente sua taxa básica. Essa visão contradiz frontalmente a tese central de Warsh de que a tecnologia por si só justificaria cortes nos juros.

Os riscos inflacionários de curto prazo da revolução da IA

Philip Jefferson, vice-presidente de política monetária do Fed, alertou em evento no Brookings Institution que, mesmo que a IA aumente a capacidade produtiva no longo prazo, seu efeito imediato pode ser inflacionário. "Um aumento mais rápido da demanda relacionada às atividades de IA pode elevar temporariamente a inflação", afirmou, citando especificamente os projetos massivos de construção de data centers e infraestrutura relacionada.

Analistas do BTCC observam que esse fenômeno cria um dilema para Warsh: enquanto Trump pressiona por cortes agressivos antes das eleições de meio de mandato em novembro, o próprio Fed projeta apenas uma redução modesta de 0,25% este ano, mantendo a taxa básica acima de 3,25% - muito acima do patamar de 1% que o ex-presidente considera ideal.

O complicado jogo político por trás das taxas de juros

A tentativa de Warsh de convencer o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) a adotar um afrouxamento monetário rápido baseado apenas no otimismo com a IA parece fadada ao fracasso. Fontes próximas ao Fed relatam que muitos membros do comitê compartilham as preocupações de Jefferson sobre os riscos inflacionários de curto prazo.

Dados do TradingView mostram que os mercados já começam a precificar um cenário mais conservador, com os futuros de taxas de juros indicando expectativas moderadas de corte para os próximos trimestres.

A polêmica sobre o balanço do Fed

Warsh também gerou controvérsia ao criticar o balanço do Fed, chamando-o de "inchado" e defendendo reduções adicionais. O FOMC acabou de concluir um programa de três anos de "aperto quantitativo" que reduziu os ativos do banco central de quase US$ 9 trilhões para US$ 6,6 trilhões.

Qualquer tentativa de acelerar esse processo pode desestabilizar os mercados de títulos e elevar os custos de empréstimos de longo prazo, especialmente as taxas hipotecárias - um tema politicamente sensível em um ano eleitoral. Apesar dos riscos, 75% dos economistas pesquisados apoiam reduzir o balanço para menos de US$ 6 trilhões nos próximos dois anos.

As incertezas sobre o futuro da política monetária

Robert Barbera, economista da Johns Hopkins, apresenta dois cenários extremos para ilustrar a imprevisibilidade do momento: "O boom da IA poderia gerar forte crescimento econômico, redução de déficits, aumento das taxas neutras e um encolhimento moderado do balanço do Fed. Por outro lado, poderíamos testemunhar um colapso dos mercados financeiros, recessão profunda, retorno às taxas zero, queda do dólar e demandas por nova expansão massiva do balanço."

Jane Ryngaert, da Universidade de Notre Dame, resume o sentimento predominante: "A incerteza reina. É difícil se pronunciar sobre qualquer coisa com convicção neste momento."

Perguntas Frequentes

Qual é a posição da maioria dos economistas sobre o impacto da IA nas taxas de juros?

Cerca de 60% dos economistas pesquisados acreditam que a IA terá impacto mínimo sobre a inflação e as taxas de juros nos próximos dois anos, contrariando as previsões otimistas do candidato à presidência do Fed.

Por que alguns economistas veem riscos inflacionários na IA?

Especialistas argumentam que, embora a IA possa aumentar a produtividade no longo prazo, no curto prazo ela pode estimular a demanda por infraestrutura e data centers, pressionando os preços.

Qual é a posição atual do Fed sobre os cortes nas taxas de juros?

O Fed projeta apenas um corte modesto de 0,25% este ano, mantendo as taxas acima de 3,25%, muito aquém do que desejaria a administração Trump.

Quais são os riscos de reduzir o balanço do Fed muito rapidamente?

Reduções aceleradas podem desestabilizar os mercados de títulos, elevar as taxas de juros de longo prazo e prejudicar setores sensíveis como o mercado imobiliário.

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