Oracle, Meta, xAI e CoreWeave movimentam US$ 120 bilhões em dívidas de IA para fora do balanço com SPEs de Wall Street

Os gigantes da tecnologia estão realizando um dos maiores movimentos de engenharia financeira do ano. Oracle, Meta, xAI e CoreWeave transferiram um colossal montante de US$ 120 bilhões em dívidas relacionadas à Inteligência Artificial para fora de seus balanços patrimoniais. O mecanismo? As sempre discretas Sociedades de Propósito Específico (SPEs) de Wall Street.
O Jogo das Contabilidades
Essa manobra não é novidade para os veteranos de finanças corporativas, mas a escala é inédita. As SPEs atuam como veículos legais separados, permitindo que as empresas abriguem ativos – ou, neste caso, passivos – longe do escrutínio direto dos investidores. O resultado? Balanços mais limpos, índices de endividamento mais atraentes e, claro, uma narrativa financeira mais palatável para o mercado.
Por que a Pressa com a IA?
A corrida por infraestrutura de IA consome capital a taxas estratosféricas. Servidores, chips especializados e centros de dados representam investimentos de bilhões que precisam ser financiados. Em vez de sobrecarregar suas próprias folhas contábeis com essa dívida, as empresas estão canalizando o financiamento para essas entidades fora do balanço. É uma forma de manter o crescimento agressivo sem assustar os acionistas com uma alavancagem aparente.
O Ceticismo de Wall Street
Enquanto os CFOs comemoram a flexibilidade contábil, alguns analistas levantam a sobrancelha. Mover dívidas para SPEs não as faz desaparecer; apenas as torna menos visíveis. É uma arte antiga: apresentar a fachada mais sólida possível, enquanto os custos reais da expansão são arquivados em notas de rodapé e entidades legais distantes – um clássico da contabilidade criativa que, convenientemente, sempre retorna na próxima crise.
O que isso significa para o futuro?
Esse movimento sinaliza que a guerra da IA está entrando em uma fase ainda mais capital-intensiva. A necessidade de financiamento maciço está levando as maiores empresas de tecnologia a soluções financeiras complexas, tradicionalmente associadas ao setor de energia ou imobiliário. A pergunta que fica não é sobre a legalidade da operação, mas sobre a transparência. Quando US$ 120 bilhões em obrigações saem de cena, o que mais está sendo escondido atrás do palco?
Capital privado absorve empréstimos maciços para centros de dados de IA
As empresas do Vale do Silício antes dependiam de cash em caixa e baixo endividamento, mas isso mudou à medida que a corrida pelo poder computacional da IA se intensificou e a construção de data centers agora exige dezenas de bilhões de dólares de cada vez.
Em outubro, a Meta ditou o ritmo com um acordo de crédito privado de US$ 30 bilhões para seu centro de dados Hyperion planejado para a Louisiana , colocando o projeto dentro de uma SPE (Sociedade de Propósito Específico) chamada Beignet Investor, criada em parceria com a Blue Owl Capital.
O veículo de investimento captou cerca de US$ 27 bilhões em empréstimos da Pimco, BlackRock, Apollo e outros investidores, além de US$ 3 bilhões em capital próprio da Blue Owl. Nenhuma dessas dívidas constava no balanço patrimonial da Meta, o que permitiu à empresa captar outros US$ 30 bilhões em títulos corporativos em novembro.
Enquanto isso, a Oracle aluga poder computacional para a OpenAI, e por isso fez parcerias com construtoras e financiadoras como Crusoe, Vantage, Related Digital e Blue Owl para desenvolver vários centros de dados, cada um pertencente a uma SPE (Sociedade de Propósito Específico) separada.
Um dos veículos de financiamento que apoiam a unidade de Abilene, no Texas, recebeu cerca de US$ 13 bilhões da Blue Owl e do JPMorgan, incluindo US$ 10 bilhões em dívida. Outros acordos incluem um pacote de dívida de US$ 38 bilhões para unidades no Texas e em Wisconsin e um empréstimo de US$ 18 bilhões para uma unidade no Novo México.
Em todos os casos, a Oracle aluga as instalações, enquanto os credores detêm os direitos sobre os ativos.
O risco se espalha por Wall Street à medida que as SPEs se multiplicam
Os investidores muitas vezes acreditam que o risco real ainda está com a empresa de tecnologia que aluga o site, como exemplificado pelo acordo da Meta com a Beignet Investor. A Meta detém 20% da SPE (Sociedade de Propósito Específico) e ofereceu uma garantia de valor residual, o que significa que reembolsará os investidores se o valor do data center cair abaixo de um nível predefinido ao final do contrato de locação e a Meta não o renovar.
A xAI de Elon Musk está seguindo uma abordagem semelhante. A startup está captando US$ 20 bilhões, incluindo até US$ 12,5 bilhões em dívidas. Uma SPE (Sociedade de Propósito Específico) usará os fundos para comprar unidades de processamento gráfico da Nvidia e alugá-las de volta para a xAI.
A CoreWeave seguiu o mesmo caminho. Em março, a empresa criou uma SPE (Sociedade de Propósito Específico) para cumprir umtracde US$ 11,9 bilhões para fornecer poder computacional à OpenAI. Em julho, contraiu um empréstimo de US$ 2,6 bilhões para financiar essas obrigações.
O interesse do capital privado permanecetron. O UBS afirmou que as empresas de tecnologia captaram cerca de US$ 450 bilhões em empréstimos de fundos privados até o início de 2025, um aumento de US$ 100 bilhões em relação ao ano anterior. Cerca de US$ 125 bilhões foram destinados a financiamento de projetos somente neste ano.
A construção de centros de dados depende agora fortemente do mercado de crédito privado de US$ 1,7 trilhão, onde crescem as preocupações com a avaliação, a iliquidez e a concentração de tomadores de empréstimo.
Mas o risco está aumentando à medida que mais empresas adotam as mesmas estruturas, porque só a OpenAI já investiu mais de US$ 1,4 trilhão emtracde computação de longo prazo em todo o setor.
Até o momento, Google, Microsoft e Amazon evitaram cash e títulos tradicionais.
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