SoftBank corre contra o tempo para garantir os US$ 22,5 bilhões restantes que deve à OpenAI até o final do ano

O relógio está correndo para um dos maiores investidores de tecnologia do mundo. Um pagamento colossal de US$ 22,5 bilhões paira sobre a SoftBank, com o final do ano servindo como prazo final.
Uma corrida contra o tempo financeira
Não se trata de uma dívida qualquer. O valor, que ultrapassa o PIB de várias nações, representa um compromisso pendente com uma das empresas de inteligência artificial mais valiosas do planeta. A pressão não é apenas contábil; é uma questão de credibilidade no cenário global de investimentos em deep tech.
Os mecanismos por trás da dívida
Enquanto os detalhes do acordo permanecem sob sigilo, transações dessa magnitude raramente são simples transferências bancárias. Envolvem estruturas complexas, possivelmente com instrumentos de dívida conversível ou acordos de financiamento baseados em milestones—o tipo de manobra que mantém os banqueiros de investimento acordados à noite, cobrando taxas generosas por cada reviravolta.
O que está em jogo para o ecossistema de IA
Mais do que um balanço patrimonial, este cenário coloca um holofote sobre a sustentabilidade do frenesi de investimento em IA. A capacidade de um gigante como a SoftBank de honrar seus compromissos monumentais serve como um termômetro para a confiança do capital de risco—que, convenhamos, tem a memória curta e o apetite por risco tão volátil quanto as criptomoedas em um dia de notícias regulatórias.
O desfecho deste capítulo vai além de um simples lançamento contábil. Sinalizará se a era do 'dinheiro fácil' para megaprojetos de IA está encontrando seus limites—ou se os cheques continuam a ser assinados, independentemente do preço.
SoftBank retira cash de ativos, empréstimos e listagens adiadas.
Para levantar mais dinheiro, o SoftBank está preparando várias estratégias simultaneamente. Uma das maiores é a abertura de capital, há muito planejada, do PayPay, sua unidade de aplicativos de pagamento.
A oferta pública inicial (IPO) era esperada para este mês, mas foi adiada devido à paralisação do governo americano que durou 43 dias e terminou em novembro. Fontes agora afirmam que a abertura de capital deve ocorrer no primeiro trimestre do próximo ano e poderá arrecadar mais de US$ 20 bilhões, caso as condições de mercado sejam favoráveis.
O grupo também pretende reduzir sua participação na Didi Global, a maior empresa de transporte por aplicativo da China. A Didi planeja abrir seu capital na Bolsa de Valores de Hong Kong após ser forçada a sair do mercado americano em 2021, em decorrência de medidas regulatórias. Uma fonte com conhecimento direto do assunto teria afirmado que o SoftBank está explorando oportunidades de saída relacionadas a essa mudança.
Além da venda de ativos, Masa dispõe de diversas ferramentas financeiras. O SoftBank expandiu sua capacidade de empréstimo com margem em US$ 6,5 bilhões, elevando o poder de endividamento total não utilizado para US$ 11,5 bilhões. Esses empréstimos são garantidos por sua participação na Arm Holdings, cujas ações triplicaram desde seu IPO, dando ao SoftBank mais margem de garantia.
Em 30 de setembro, o SoftBank também reportou 4,2 trilhões de ienes, ou US$ 27,16 bilhões, em cash. A empresa ainda detém aproximadamente 4% da T-Mobile US, uma participação avaliada em cerca de US$ 11 bilhões, segundo dados da LSEG.
Apesar de reduzir suas atividades gerais, o SoftBank continuou financiando startups de IA selecionadas, incluindo a Sierra e a Skild AI, mesmo com a maior parte do capital sendo direcionada para a OpenAI.
OpenAI aumenta os gastos à medida que a demanda por computação explode.
O dinheiro é importante porque a OpenAI precisa dele rapidamente. A empresa ainda não recebeu o restante dos fundos, mas espera receber o pagamento até o final de 2025, conforme estipulado emtrac.
Tanto a OpenAI quanto o SoftBank apoiam o Stargate, um projeto de US$ 500 bilhões para construir enormes centros de dados de IA para treinamento e inferência, que, segundo executivos, está alinhado aos objetivos dos EUA de se manterem à frente da China enquanto Donald Trump estiver na Casa Branca em 2025.
As grandes empresas de tecnologia estão investindo pesado em infraestrutura semelhante. A Meta Platforms e outras estão aplicando cash em chips, energia, sistemas de refrigeração e servidores, frequentemente buscando parcerias para diluir os riscos.
Essa onda de gastos gerou preocupações sobre o retorno do investimento e a possibilidade de uma bolha de IA caso as receitas não sejam suficientes para cobrir os custos.
Em abril, o SoftBank concordou em investir até US$ 30 bilhões na OpenAI. US$ 10 bilhões foram investidos imediatamente. O restante dependia da conclusão da transição da OpenAI para uma estrutura com fins lucrativos até o final do ano, mudança que a empresa finalizou em outubro.
Os custos dentro da OpenAI continuam a subir. O treinamento e a execução de modelos estão ficando mais caros à medida que a concorrência do Google, da Alphabet, se intensifica. Sam Altman disse recentemente aos funcionários que a empresa entrou em uma fase de "alerta máximo" para atualizar o ChatGPT, adiando outros lançamentos para contrabalançar o sucesso do Gemini.
Em outubro, Sam afirmou que a OpenAI pretende construir 30 gigawatts de capacidade computacional por US$ 1,4 trilhão, com o objetivo de longo prazo de adicionar 1 gigawatt por semana, numa escala em que cada gigawatt custa atualmente mais de US$ 40 bilhões.
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