Parlamentar sul-coreano defende estrutura formal para stablecoins: regulamentação agora ou caos depois?

Um parlamentar sul-coreano está batendo o martelo: é hora de trazer as stablecoins para dentro da lei. O argumento? Sem uma estrutura clara, o setor de criptomoedas do país fica vulnerável a riscos sistêmicos e perde competitividade global.
Por que a pressão?
O movimento não surge do vácuo. Enquanto gigantes como os EUA e a UE avançam com suas próprias regras para moedas estáveis, a Coreia do Sul corre o risco de ficar para trás. O parlamentar alerta que a incerteza regulatória afasta inovação e investimento – e atrai operações obscuras que preferem a sombra à luz.
O que está em jogo?
Mais do que apenas controle. Uma estrutura formal promete segurança para os usuários, clareza para os emissores e um campo de jogo nivelado para as fintechs locais competirem. A ideia é transformar stablecoins de ativos especulativos em ferramentas financeiras legítimas, integradas ao sistema. Afinal, nada diz 'confiança' como um selo de aprovação governamental – ou pelo menos a ausência de uma multa da FSA.
O fechamento cínico.
No fim, trata-se de domar o futuro antes que ele nos domine. O apelo do parlamentar é um reconhecimento pragmático: as stablecoins não vão desaparecer. Melhor regulá-las do que chorar sobre uma crise depois – especialmente quando há tanto dinheiro 'estável' para taxar e supervisionar.
Parlamentar coreano insta o governo a institucionalizar as stablecoins.
Min, membro da Comissão de Assuntos Políticos da Assembleia Nacional e figura-chave no debate sobre políticas de criptomoedas na Coreia, afirmou que as stablecoins vieram para ficar. "Não se trata mais de decidir se devemos ou não adotá-las", disse ele. "A única questão que resta é a rapidez e a qualidade da nossa implementação." Min descreveu as stablecoins como uma ferramenta inevitável para pagamentos internacionais, liquidação de transações comerciais e remessas.
O parlamentar coreano também destacou que as stablecoins atreladas ao valor do dólar americano se tornaram ferramentas utilizadas no comércio global. Ele alertou que, se o governo coreano não aprovar a tempo o desenvolvimento de uma stablecoin lastreada no won, isso poderá levar à erosão da soberania monetária. Min observou que as stablecoins atreladas ao dólar se tornaram uma nova forma de moeda adotada pelos governos.
O parlamentar destacou as características dessas formas de moeda, observando que elas são mais rápidas e baratas quando usadas para realizar transações internacionais. Min acrescentou ainda que as empresas coreanas podem em breve se deparar com o dilema de ter que aceitar stablecoins lastreadas em dólar em suas negociações no exterior, independentemente das preferências da política nacional, observando que já existem sinais de que as coisas estão mudando nesse sentido internamente.
As empresas estão agora adotando stablecoins atreladas ao dólar.
Pequenas empresas na Coreia do Sul agora estão pagando trabalhadores estrangeiros com stablecoins lastreadas em dólar, a pedido deles. Enquanto isso, outras empresas estão estudando o uso de stablecoins para liquidações internacionais. Min destacou que essas práticas em breve se tornarão rotineiras, à medida que os riscos associados às stablecoins estrangeiras se consolidam nas transações cotidianas, antes que regras nacionais sejam implementadas para controlar seu uso em setores específicos do país.
“É aí que a soberania monetária desaparece”, alertou Min, acrescentando que os padrões de pagamento, uma vez amplamente adotados, são difíceis de reverter. Apesar dos crescentes apelos por regulamentação nesse aspecto do mercado, o governo coreano ainda não concluiu seu arcabouço regulatório para ativos digitais. Até o momento, as autoridades têm se concentrado na proteção do consumidor e na implementação de diversas medidas de segurança contra a lavagem de dinheiro, em conformidade com a Lei de Proteção ao Usuário de Ativos Virtuais.
As discussões políticas agora se voltaram para uma legislação . Reguladores e legisladores estão preparando um arcabouço intitulado Lei Básica de Ativos Digitais, que atualmente se encontra em sua segunda fase. Esta lei reconheceria formalmente os ativos digitais, defi seu status legal e estabeleceria princípios que regem sua emissão e uso além da negociação especulativa. Min destacou que, nesse caso, uma stablecoin lastreada em won atuará como uma ferramenta defensiva e uma estratégia de crescimento.
Min também destacou que, em vez de desenvolver uma stablecoin lastreada em won que competiria com uma stablecoin lastreada em dólar, o governo coreano deveria considerar o desenvolvimento de uma stablecoin com diferentes casos de uso que possam alavancar os pontos fortes do país. "Se criarmos uma stablecoin que seja especialmente útil para pagamentos culturais ou para pequenas empresas, e transformarmos usuários globais em clientes recorrentes, a Coreia poderá garantir uma participação significativa no mercado", afirmou.
Também presente no fórum estava a Vice-Chefe da Missão da Embaixada da Nova Zelândia em Seul, Sarah McDowell. Em seu discurso de boas-vindas, ela destacou a necessidade de fortalecer os laços comerciais bilaterais, observando que a Nova Zelândia está aberta e disposta a fazer negócios. "O comércio bilateral mais que dobrou desde que nosso acordo de livre comércio entrou em vigor há dez anos, e a Coreia é agora o quinto maior parceiro comercial da Nova Zelândia", acrescentou McDowell.
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