Baleia das criptomoedas perde US$ 27,3 milhões em ataque hacker — e o mercado nem piscou

Um dos maiores detentores de criptoativos do mundo viu US$ 27,3 milhões evaporarem em uma transação suspeita. A notícia chegou, o mercado deu de ombros e seguiu em frente — porque, afinal, é só mais uma quinta-feira no criptoverso.
O que aconteceu?
Os detalhes são clássicos: um endereço de carteira associado a uma 'baleia' — jargão para um investidor com posições colossais — sofreu uma drenagem de fundos. Os ativos, principalmente tokens de alto valor, foram movidos para um endereço desconhecido em uma velocidade que grita 'ataque coordenado'. Não houve comunicado oficial, apenas o rastro digital de uma fortuna que mudou de mãos.
O silêncio é ensurdecedor
Nenhuma exchange grande assumiu o prejuízo. Nenhum protocolo de DeFi parou as operações. A transação foi validada pela rede, consumiu seu gás e entrou para o livro-razão imutável. A beleza — e a brutalidade — da descentralização em ação. Sua custódia, seu problema. A velha máxima 'not your keys, not your coins' ganha um amargo e caro capítulo novo.
Resiliência ou indiferença?
O preço do Bitcoin e das altcoins principais mal se mexeu. Para o mercado, US$ 27 milhões é troco de pinga quando se negocia trilhões. A liquidez absorveu o susto sem um arranhão. Isso mostra maturidade ou apenas que os grandes players já precificam o risco de hack como um custo operacional inevitável? Um pouco dos dois.
O lado cínico da força
Enquanto isso, em Wall Street, algum gestor de fundo tradicional deve estar servindo champagne. Cada falha de segurança no mundo cripto é uma justificativa a mais para adiar a adoção institucional — e manter as comissões gordas no sistema antigo. A ironia? Esse mesmo gestor provavelmente tem parte do fundo alocado em um ETF de Bitcoin, apostando no mesmo ativo que ele publicamente desdenha. O jogo financeiro nunca muda, só a tecnologia.
O que fica para você, investidor?
Revisite suas chaves privadas. Considere carteiras multi-assinatura. Desconfie de conexões de rede e contratos inteligentes com permissões muito amplas. A auto-custódia dá liberdade, mas exige a disciplina paranoica de um ourives. O ataque de hoje não foi no protocolo, foi no elo mais fraco — sempre é.
O episódio é um lembrete caro: na corrida para a soberania financeira, a segurança não é um recurso, é a pista inteira. E enquanto as baleias navegam nessas águas perigosas, o resto do cardume segue em frente, porque o próximo ATH não vai se comprar sozinho.
O hacker da carteira multisig ainda detém US$ 2 milhões dos fundos roubados.
Segundo a PeckShield, o atacante, que está usando o endereço 0x1fCf…367d23Ac, já lavou cerca de US$ 12,6 milhões, o equivalente a 4.100 Ether, por meio da Tornado Cash. A empresa de segurança acrescentou que o invasor ainda possui cerca de US$ 2 milhões em ativos líquidos, com base nos saldos da carteira observados no momento da publicação desta notícia.
Diversos analistas de segurança acreditam que o atacante controla a carteira multisig da vítima, que mantém uma grande posição alavancada na Aave . A carteira supostamente possui cerca de US$ 25 milhões em Ether como garantia para aproximadamente US$ 12,3 milhões emprestados em DAI.
O endereço do atacante, que a PeckShield compartilhou publicamente, contém Ether, Wrapped Ether, OKB, Trust Wallet Token, Bitfinex LEO, Fetch e Nexo. Até o momento, ele fez depósitos de Ether roubado na Tornado Cash em lotes de tamanho igual, totalizando 4.100 Ether, divididos em 41 transações de 100 Ether cada.
Na noite de quarta-feira, a Specter, empresa especializada em investigação on-chain, divulgou mais detalhes sobre a violação, publicando uma análise da sequência do ataque. A analista de blockchain mencionou que o comprometimento da chave privada de uma vítima elevou as perdas totais do incidente dent cerca de US$ 38 milhões.
Segundo Specter, a vítima criou uma carteira com múltiplas assinaturas configurada como um sistema 1-para-1 em 11 de abril de 2025, às 07:48:11. Pouco depois de transferir fundos para a carteira, a carteira principal, designada como a do signatário, sofreu uma saída maciça às 08:23:23.
Embora a causa exata da violação permaneça incerta, Specter sugeriu que a chave privada pode ter sido vazada durante o processo de configuração da carteira multiassinatura. Outra possibilidade levantada foi que a vítima tenha contado com a ajuda de um agente malicioso durante a criação da carteira multiassinatura.
A baleia 0xde5f44…b051e965 sofreu perdas consideráveis em maio, de acordo com o tracda plataforma de análise Onchainlens, que descobriu que o investidor retirou 2.520,5 Ether, avaliados em cerca de US$ 4,52 milhões na época, da OKX e os colocou em staking na Kiln Finance.
Ao longo do ano, o investidor teria feito staking de um total de 9.918 Ether, o equivalente a US$ 22,58 milhões em julho. Apesar de ter ganho 105,5 Ether em recompensas de staking, o investidor ainda acumulava um prejuízo líquido de cerca de US$ 4,26 milhões antes da última operação.
Carteiras multisig podem ser hackeadas mesmo sem o número mínimo de assinaturas necessário.
A maioria dos membros da comunidade cripto acredita na das carteiras multisig porque elas exigem a aprovação de duas ou mais entidades antes da execução de uma transação. Algumas configurações nesses tipos de carteiras incluem sistemas como 2 de 3 ou 3 de 5, onde o primeiro número do sistema representa o limite de detentores de chaves que devem aprovar uma troca ou negociação.
No entanto, configurações como a de 1 para 1, onde apenas um signatário é necessário, comprometem o principal benefício da proteção por múltiplas assinaturas. Nesses casos, a violação de uma única chave pode levar à perda total, como parece ter ocorrido no caso da baleia 0xde5f44…b051e965.
Em um caso separado, ocorrido em setembro deste ano, um investidor de criptomoedas nãodentperdeu mais de US$ 3 milhões após autorizar, sem saber, umtracmalicioso. O investigador de blockchain ZachXBT relatou odent em seu canal no Telegram, revelando que a carteira da vítima foi esvaziada em US$ 3,047 milhões em USDC, que foram trocados por Ether para serem processados pela Tornado Cash.
O fundador da SlowMist, Yu Xian, explicou posteriormente que o endereço comprometido, naquele caso, era uma carteira multisig 2-of-4 Safe. Ele continuou dizendo que otracfraudulento imitava o primeiro e o último caractere do endereço real, tornando a fraude difícil de detectar.
O atacante também explorou o mecanismo Safe Multi Send, ocultando a aprovação maliciosa dentro de uma autorização de rotina. "Essa autorização anormal foi difícil de detectar porque não era uma aprovação padrão", escreveu Xian no X.
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