Quênia monta força-tarefa especializada para combater fraudes com criptomoedas

O governo do Quênia está montando uma unidade especializada para combater fraudes com criptomoedas, um movimento que reflete a crescente adoção digital na África Oriental—e os riscos que a acompanham.
O que está em jogo?
Com o aumento do uso de criptomoedas para remessas e comércio, as autoridades quenianas identificaram uma necessidade crítica de proteção ao consumidor. A nova unidade, que reúne especialistas em tecnologia e finanças, visa investigar esquemas de pirâmide, golpes de phishing e ofertas iniciais de moeda (ICOs) fraudulentas que têm como alvo investidores locais.
Um mercado em expansão—e sob vigilância
O Quênia tem sido um dos líderes africanos em adoção de criptomoedas, impulsionado por uma população jovem e tecnologicamente conectada. No entanto, essa rápida expansão também atraiu operadores mal-intencionados, levando a perdas significativas para investidores despreparados. A nova força-tarefa representa um passo crucial para legitimar o setor, separando inovação financeira de fraude pura e simples.
O equilíbrio entre inovação e regulamentação
Especialistas observam que a ação do Quênia segue um padrão global: à medida que os ativos digitais ganham tração, os reguladores são forçados a correr atrás do prejuízo. A chave será criar um ambiente que proteja os investidores sem sufocar a inovação—algo que até os bancos centrais mais tradicionais ainda estão tentando descobrir, muitas vezes com resultados… questionáveis.
Para o setor de criptomoedas, essa movimentação é um sinal de maturidade. A regulamentação inteligente pode, ironicamente, ser o melhor amigo do crescimento sustentável—mesmo que alguns no mundo das finanças tradicionais ainda prefiram enterrar a cabeça na areia e torcer para que tudo isso seja apenas uma moda passageira.
O total de fraudes com criptomoedas no Quênia em 2025 ultrapassa o total de 2024.
A chamada repressão ocorre em meio a um aumento acentuado nas perdas relatadas com fraudes em criptomoedas. A perda de US$ 43,3 milhões em 2024 representou um aumento de 73% em relação ao ano anterior. No geral, os quenianos perderam US$ 231,5 milhões para o cibercrime em 2024, colocando o país entre os mercados mais afetados da África em termos de perdas com crimes digitais.
“A proliferação de ativos digitais trouxe tanto oportunidades quanto perigos. Embora muitos quenianos usem criptomoedas para remessas e como uma solução financeira alternativa, milhares também foram vítimas de fraudadores, perdendo bilhões de xelins”, disse Kuraru .
Entretanto, embora o DCI ainda não tenha publicado números auditados ou finalizados para 2025, um detetive queniano relatou que as perdas nos primeiros 10 meses de 2025 já ultrapassaram o total de 2024.
Por outro lado, as autoridades afirmam que a atividade de fiscalização aumentou. Houve dezenas de prisões relacionadas a fraudes com criptomoedas este ano, de acordo com declarações da polícia e acusações judiciais. Casos recentes citados pela mídia queniana incluem supostos golpes de US$ 119.000, US$ 100.000 e US$ 30.000 nas principais cidades de Nairóbi e Nakuru.
A DCI afirmou ter lidado com mais de 500 casos relacionados a criptomoedas nos últimos três anos. Paralelamente, os investigadores também conduziram um pequeno número de casos envolvendo o suposto uso de ativos digitais no financiamento do terrorismo, que as autoridades trataram como questões de segurança nacional distintas das investigações de fraude.
Os crimes envolvendo ativos digitais têm atraído a atenção nos mais altos níveis políticos. Em seu relatório sobre o Estado da Segurança ao parlamento, odent William Rutodento uso indevido de plataformas de criptomoedas como uma ameaça crescente à economia digital do Quênia.
“Os cibercriminosos têm explorado as plataformas de criptomoedas para fraudes, pagamentos de resgate e transações anônimas, alimentando assim o cibercrime — uma ameaça à nossa segurança nacional”, afirmou Ruto.
A transição do Quênia para a regulamentação de criptomoedas
Ao longo dos anos, a atividade cripto no Quênia cresceu sem uma legislação específica. Corretoras, carteiras digitais e plataformas ponto a ponto atendiam usuários quenianos, muitas vezes residentes no exterior. Os volumes aumentaram por meio de negociações no varejo, remessas, experimentos de aceitação por comerciantes, jogos e projetos de tokens.
Segundo dados apresentados ao Parlamento, os quenianos processaram cerca de 2 bilhões de dólares por meio de protocolos descentralizados no ano passado, com aproximadamente 6,1 milhões de usuários. Isso colocou o Quênia em terceiro lugar na África em termos de volume de transações na blockchain.
O país também deu passos importantes em termos de regulamentação. Conforme relatado pela Cryptopolitan, em outubro, os legisladores aprovaram um projeto de lei sobre provedores de serviços de ativos virtuais (VASP, na sigla em inglês). Ele legalizou a atividade com criptomoedas e introduziu requisitos de licenciamento. O Banco Central do Quênia afirmou que ainda não emitiu licenças sob a nova estrutura, aguardando a implementação.
Além disso, o país recebeu com satisfação o lançamento de um Módulo de Treinamento em Investigação de Blockchain e Criptomoedas, cofinanciado pela União Europeia. Este módulo capacita investigadores com habilidades especializadas em perícia forense de blockchain e investigações digitais transfronteiriças.
“A investigação aprofundou-se no trac e análise de transações em blockchain, na apuração de crimes relacionados a carteiras digitais e corretoras de criptomoedas, na aplicação das melhores práticas internacionais em perícia digital e no fortalecimento da cooperação transfronteiriça para combater crimes digitais transnacionais”, afirmou Kuraru. O objetivo é incentivar a inovação supervisionada em vez da proibição.
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