Rússia anuncia correção de contas bloqueadas indevidamente após excesso na fiscalização de criptomoedas

Moscou admite erro regulatório e promete devolver acesso a investidores afetados por ação desproporcional.
O que aconteceu?
Autoridades russas reconheceram que uma operação recente de fiscalização do mercado de criptoativos ultrapassou os limites legais. O resultado? Contas de usuários e empresas foram congeladas sem justificativa técnica ou jurídica suficiente. Agora, o governo se compromete a revisar caso a caso e liberar os recursos bloqueados indevidamente.
O contexto regulatório
A Rússia caminha a passos largos para estabelecer uma estrutura clara para criptomoedas, mas o processo é cheio de idas e vindas. Enquanto o Banco Central prefere cautela extrema, outras agências pressionam por adoção controlada. Esse episódio revela as tensões internas e a dificuldade de equilibrar supervisão financeira com inovação.
Impacto no mercado
Notícias de contas bloqueadas sempre geram calafrios nos investidores – e com razão. A arbitrariedade regulatória é um risco maior para os criptoativos do que a volatilidade dos preços. A correção anunciada pode acalmar os ânimos, mas a sombra da intervenção pesada permanece. Afinal, confiança perdida se reconstrói a conta-gotas, enquanto o medo se instala num piscar de olhos.
Lição aprendida?
O caso russo serve de alerta para outros países: fiscalização agressiva sem critérios transparentes gera mais danos do que proteção. Para o setor, é mais um lembrete de que, no jogo entre inovação e regulação, os usuários frequentemente viram peões. E no tabuleiro financeiro global, até os governos cometem erros caros – mas quem paga a conta, como sempre, são os investidores.
A Rússia toma medidas para desbloquear contas bancárias usadas para troca de criptomoedas.
Em estreita colaboração com o Ministério do Interior (MVD), o Banco Central da Rússia (CBR) iniciou a implementação de procedimentos para desbloquear os ativos de pessoas que negociam criptomoedas.
Clientes regulares do banco têm reclamado que suas contas estão sendo bloqueadas sob suspeita de operações fraudulentas, quando, na realidade, as transferências estão simplesmente relacionadas a transações com criptomoedas.
A autoridade monetária introduziu um mecanismo para reabilitar os cidadãos que cumprem a lei, anunciou o chefe do seu Departamento de Segurança da Informação, Vadim Uvarov, na conferência “Rússia Antifraude”.
Durante o evento realizado esta semana, o funcionário lembrou que, de acordo com a legislação vigente, as pessoas que foram indevidamente incluídas no banco de dados especial do banco para fraudadores podem solicitar a sua remoção.
Eles podem fazer isso recorrendo aos seus provedores de serviços bancários ou diretamente ao Banco da Rússia, para que a legalidade de sua inclusão na lista negra e sua justificativa possam ser reconsideradas, observou o jornal econômico Vedomosti em uma reportagem.
O executivo do CBR revelou, no entanto, que muitos desses pedidos ainda são rejeitados. Na sexta-feira, ele foi citado pela agência de notícias Tass dizendo:
“Posso afirmar de imediato que não atendemos à maioria das solicitações recebidas pelo Banco da Rússia. A maioria das pessoas que acabam no banco de dados está lá por um bom motivo.”
Uvarov destacou que a maioria das pessoas que contatam o órgão regulador com esse tipo de reclamação são jovens, com idades entre 15 e 24 anos, pois representam a maior parte dos nomes listados e são frequentemente alvo de investigações policiais.
No entanto, ele se mostrou otimista de que o mecanismo de reabilitação já funciona, e incentivou os cidadãos afetados que acreditam ter sido envolvidos em atividades suspeitas sem o seu consentimento a entrarem em contato com o MVD para resolver a questão.
O Banco da Rússia planeja aprimorar o processo de recuperação judicial.
Vadim Uvarov também revelou que o banco central pretende "aprimorar" o mecanismo de recuperação e "limpar um pouco o banco de dados", já que a autoridade financeira recebe atualmente até 1.000 reclamações desse tipo por dia.
Algumas semanas atrás, em meados de novembro, do Banco Central da Rússia, Elvira Nabiullina, admitiu que a avalanche de denúncias desse tipo indicava que houve excessos no combate aos fraudadores .
Ela reconheceu que o número de reclamações sobre bloqueios injustificados de contas bancárias aumentou, apesar da queda nos alertas sobre esquemas de fraude recebidos pelas autoridades, e expressou esperança de que o problema seja resolvido eventualmente.
A Rússia vem adotando uma série de leis este ano, supostamente destinadas a combater os fluxos financeiros resultantes de fraudes, golpes e lavagem de dinheiro, inclusive por meio de criptomoedas .
Como parte desses esforços, o Banco da Rússia anunciou que planeja lançar uma plataforma chamada “Antidrop”. Na gíria russa, a palavra “drop” ou “dropper” é usada para se referir a alguém explorado por criminosos, às vezes sem perceber.
Os fundos roubados de vítimas de fraude são frequentemente convertidos de e para criptomoedas, usando cartões bancários e contas registradas em nome desses "laranjas". Os bancos russos estão tentando detectar e bloquear rapidamente esse tipo de transação.
Transferências múltiplas, inclusive entre contas pertencentes à mesma pessoa, e geralmente de pequenas quantias de dinheiro, costumam ser sinalizadas como suspeitas pelos sistemas automatizados e as respectivas contas são bloqueadas.
Os críticos vêm alertando sobre essa e outras medidas, como limitar cash em caixas eletrônicos, pois elas não afetam apenas os golpistas, mas também os negociadores comuns de criptomoedas, especialmente aqueles que negociam moedas digitais ponto a ponto.
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