Coinbase volta à Índia: aplicativo reabre cadastros após mais de dois anos de ausência

O gigante das criptomoedas está de volta ao mercado indiano. A Coinbase reativou seu aplicativo para novos cadastros no país, encerrando um hiato de mais de 24 meses que deixou investidores locais de fora.
O que mudou?
Regulações evoluíram, a demanda por ativos digitais explodiu e a Coinbase claramente não quis perder a festa. A Índia representa uma das bases de usuários com maior potencial de crescimento no planeta – ignorá-la era um luxo que nem mesmo uma exchange bilionária podia se dar por muito tempo.
Um movimento estratégico, não caridade.
A reabertura não é um ato de benevolência, mas um cálculo frio. É sobre capturar mercado antes que a concorrência domestique todo o espaço, aproveitando um momento em que a narrativa global sobre cripto parece menos tóxica. Claro, os reguladores ainda estão de olho – sempre estão – mas a Coinbase aposta que a fome por exposição a ativos digitais supera o medo de uma possível repressão.
Um alívio para os entusiastas, um lembrete para os céticos.
Para a comunidade cripto indiana, é uma vitória de acesso. Para o resto do setor financeiro tradicional, é mais um sinal de que os ativos digitais não vão desaparecer simplesmente porque alguns bancos centrais torcem o nariz. No fim, trata-se de negócios: onde há demanda, oferta eventualmente aparece – mesmo que leve dois anos para superar a burocracia.
A Coinbase suspendeu todas as suas atividades na Índia.
Em relação à decisão anterior da Coinbase de interromper seus serviços na Índia, relatos indicaram que a corretora de criptomoedas havia lançado suas operações no país em 2022. Após cuidadosa avaliação, a empresa teve que suspender rapidamente seus esforços para dar suporte ao sistema de pagamentos Unified Payments Interface (UPI). Essa decisão ocorreu depois que a National Payments Corporation (NPCI), operadora do UPI, se recusou a reconhecer as operações da corretora na Índia.
Após essa recusa, a Coinbase não teve outra escolha senão encerrar todas as suas atividades no país ainda em 2023. Posteriormente, a corretora de criptomoedas instruiu seus usuários residentes na Índia a fecharem suas contas.
“Antes tínhamos milhões de clientes na Índia e decidimos remover completamente esses clientes das entidades estrangeiras onde estavam sediados e regulamentados. Queríamos um novo começo aqui”, explicou O'Loghlen.
Ele reconheceu ainda que a decisão tomada não foi fácil para a Coinbase, uma empresa que se concentra em gerar mais receita e conquistar mais usuários ativos .
Após encerrar todas as suas operações na Índia, a empresa firmou parceria com a Unidade de Inteligência Financeira (Financial Intelligence Unit), uma agência governamental nacional responsável por coletar, analisar e divulgar informações sobre atividades financeiras suspeitas. A Coinbase obteve com sucesso o registro junto à agência este ano. Inicialmente, concedeu acesso ao aplicativo apenas aos seus usuários em outubro. Agora, a corretora o disponibilizou para todos.
A reabertura da Coinbase na Índia marca uma tendência crescente entre diversas empresas de internet que estão desenvolvendo novos mercados no país. Vários analistas comentaram essa tendência, observando que essas empresas visam alcançar o segundo maior grupo de usuários online do mundo.
Entretanto, fontes alertaram que, embora empresas de IA, como a OpenAI , e plataformas de mídia social estejam experimentando um rápido crescimento nesse mercado, as empresas de criptomoedas estão enfrentando desafios significativos devido às regulamentações rigorosas que estão sendo implementadas e aos aumentos de impostos sobre moedas digitais.
A Coinbase manifesta preocupação com o imposto indiano sobre ganhos com criptomoedas.
Na Índia, os ganhos com criptomoedas estão sujeitos a um imposto de 30%, incluindo quaisquer perdas incorridas. O país também cobra um imposto de 1% sobre cada transação.
Analistas alertaram que tais fatores podem dissuadir indivíduos de se envolverem em negociações frequentes. Com a reabertura completa da Coinbase no país, O'Loghlen afirmou que a corretora de criptomoedas está otimista de que o governo em breve reduzirá esses encargos tributários, facilitando a aquisição de ativos digitais por pessoas físicas.
Entretanto, apesar desses obstáculos, a empresa afirmou ter uma perspectiva otimista para suas expectativas na Índia. A Coinbase também mencionou que seu braço de investimentos aportou mais recursos na CoinDCX, o principal aplicativo de negociação de criptomoedas do país. Após sua rodada de financiamento, o aplicativo agora está avaliado em US$ 2,45 bilhões.
Para demonstrar ainda mais seu compromisso em consolidar sua posição como líder no setor de criptomoedas, a corretora destacou publicamente sua intenção de expandir sua força de trabalho, que atualmente conta com mais de 500 funcionários na Índia, contratando para diversas posições voltadas tanto para o mercado local quanto para o internacional.
“Acredito que queremos ser reconhecidos como uma corretora confiável que protege seu dinheiro”, afirmou O'Loghlen. “Não conseguiremos atingir um público amplo se não oferecermos uma interface fácil de usar e uma experiência confiável que permita o cadastro em minutos, assim como acontece com o Zepto, o Flipkart ou qualquer outro aplicativo popular na Índia.”
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