Prata supera ouro: oferta restrita e demanda de EVs e energia solar impulsionam o metal industrial

Esqueça o ouro. O verdadeiro brilho está na prata.
O metal industrial dispara, impulsionado por uma tempestade perfeita: oferta apertada e demanda explosiva dos setores de energia limpa e eletrônica. Enquanto os investidores tradicionais se agarram às barras amarelas, a prata corta o caminho, mostrando que o valor real muitas vezes está no que move o mundo, não no que fica parado em um cofre.
O motor da demanda
Carros elétricos e painéis solares não são apenas tendências verdes; são máquinas de consumo de prata. Cada célula fotovoltaica, cada componente eletrônico de um veículo novo suga mais do metal branco do mercado. É uma corrida por recursos onde a indústria define o preço, não os caprichos do sentimento do mercado.
O aperto da oferta
Do outro lado da equação, as minas não conseguem acompanhar. A produção está esticada, criando um cenário clássico de escassez. Quando a necessidade industrial bate na porta, a geologia nem sempre atende – e os preços disparam. É a velha história de oferta e demanda, só que agora com um brilho futurista.
Então, é melhor que o ouro? Depende se você acredita em adornos ou em progresso. Enquanto o ouro brilha em tempos de pânico, a prata avança quando o mundo decide construir algo. No final, pode ser apenas mais um ciclo para os traders aproveitarem – porque no mercado financeiro, até os metais preciosos viram apenas mais um ativo para ser comprado na baixa e vendido na alta.
Fluxos de ETFs, mineração fraca e apostas em opções prendem investidores em prata. Será que eles têm um plano?
Segundo dados da LSEG, as reservas globais de prata estão atualmente abaixo de US$ 50 bilhões. Para efeito de comparação, o ouro está estimado em cerca de US$ 1,2 trilhão, com uma grande parte desse valor em cofres de bancos centrais (especialmente o Banco da Inglaterra), onde pode ser emprestado aos mercados quando a situação fica crítica.
Esse sistema não existe para a prata, então, sim, é cada investidor por si. Mesmo assim, a prata é barata por onça em comparação com o ouro, então é muito mais fácil para investidores individuais comprarem, embora também seja mais arriscado. Mas para esses investidores, isso não é um problema.
Enquanto isso, os ETFs lastreados em prata física acumularam 15,7 milhões de onças somente em novembro. As reservas aumentaram em 9 dos últimos 11 meses. Essas são apostas ativas na manutenção da oferta restrita e dos preços elevados. Mas não são apenas os ETFs. O mercado de opções também está aquecido.
Jonathan Krinsky, analista técnico-chefe de mercados da BTIG, destacou que o iShares Silver Trust (SLV), que traco desempenho do metal, registrou três ganhos diários consecutivos de 2,5% ou mais na última semana. "Isso só aconteceu outras cinco vezes na história do ETF (desde 2006). Quatro dessas cinco vezes ocorreram durante ou logo antes de um pico importante para o SLV", afirmou.
A assimetria da prata (uma medida da demanda por opções de compra em relação às opções de venda) subiu 8 pontos percentuais, atingindo 10 pontos percentuais em duas semanas, o maior nível desde março de 2022. Isso também significa que apostar na alta ficou muito mais caro. Resta saber como isso se desenrolará.
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