Toyota desmente Trump: nunca prometeu investimento de US$ 10 bilhões nos EUA

Empresa japonesa nega acordo bilionário com governo americano
A montadora Toyota esclareceu oficialmente que não fez nenhuma promessa de investimento de US$ 10 bilhões nos Estados Unidos, contradizendo alegações públicas do ex-presidente Donald Trump. O desmentido ocorre em meio a crescentes tensões comerciais entre as duas nações.
Negociações em xeque
Fontes internas revelam que as relações entre a gigante automotiva e o governo americano enfrentam novo período de turbulência. A falta de transparência nas declarações públicas sobre acordos comerciais preocupa investidores internacionais.
Mais um capítulo na guerra comercial - porque é sempre sobre dinheiro, nunca sobre pessoas.
A visita de Trump ao Japão produziu poucas ações concretas.
A confusão em torno dos planos de investimento da Toyota surgiu durante a visita de três dias de Trump ao Japão, que terminou na quarta-feira. A viagem foi marcada por muitas palavras cordiais entre os líderes americano e japonês, mas produziu poucas ações concretas em relação ao programa de investimentos de US$ 550 bilhões prometido pelo Japão.
Trump passou de segunda a quarta-feira no Japão, onde elogiou repetidamente a primeira-ministra Sanae Takaichi e falou sobre uma nova "era de ouro" para as relações entre os dois países, conforme relatado pelo Cryptopolitan .
Trump se reuniu com Takaichi, que se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do Japão, na terça-feira. Ele elogiou a promessa dela de acelerar certas iniciativas e assinou acordos que abrangem comércio e outras questões.
Apesar de toda a cerimônia, nenhum projeto avançou no âmbito do compromisso de investimento japonês de US$ 550 bilhões enquanto Trump estava no país. Dois funcionários japoneses confirmaram que o programa, que prevê o financiamento de projetos pelo Japão sob o controle dos Estados Unidos, sequer foi iniciado.
“Nenhum projeto específico foi finalizado até o momento”, disse a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, na terça-feira, quando questionada sobre a promessa.
Um acordo assinado no início de setembro pelo então ministro da revitalização econômica, Ryosei Akazawa, e pelo secretário de Comércio, Howard Lutnick, define como o processo deve funcionar. Os projetos serão recomendados por um comitê liderado pelo secretário de Comércio e, em seguida, deverão ser aprovados pelodent .
“Não podemos afirmar com certeza quanto tempo o processo levará nesta fase”, disse Akazawa, que atualmente ocupa o cargo de ministro do Comércio do Japão, a repórteres na terça-feira.
Após deixar o Japão, Trump seguiu para a Coreia do Sul, onde outra grande promessa de investimento, desta vez de US$ 350 bilhões, está emperrada. Discussões sobre a velocidade com que o dinheiro deve ser liberado, sua origem, os critérios de seleção dos projetos e a divisão dos lucros têm atrasado o processo.
Fichas informativas listam projetos potenciais
Autoridades japonesas de comércio e finanças divulgaram um relatório informativo sobre o programa de 550 bilhões de dólares durante a estadia de Trump no país.
O documento lista 21 empresas americanas e japonesas interessadas em participar, com algumas informações sobre possíveis projetos e seu porte, com base em investimentos ou faturamento. Entre as empresas mencionadas estão a Panasonic, com sistemas de armazenamento de energia, e a Westinghouse, com pequenos reatores nucleares.
A Casa Branca divulgou seu próprio comunicado na terça-feira, nomeando tipos de projetos como energia, inteligência artificial, eletrônica tron materiais críticos, manufatura e logística, com estimativas de valores de investimento.
Akazawa afirmou que ainda ninguém sabe quantos projetos listados serão concretizados ou quanto financiamento virá de instituições japonesas. Ele observou que a estrutura permanece aberta a empresas de outros países e pode envolver financiamento também de bancos fora do Japão e dos Estados Unidos.
A incerteza em torno do programa de investimentos persiste, visto que as negociações comerciais entre os dois países enfrentam desafios contínuos em relação a diversas questões comerciais.
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