Setor aéreo em turbulência após resultados decepcionantes da IAG em 2026
- Como foram os resultados da IAG em 2026?
- Quais fatores impactaram o desempenho?
- Quais as perspectivas para 2026?
- Como o mercado reagiu?
- Qual a análise dos especialistas?
- Perguntas Frequentes
O grupo IAG, controlador da British Airways e Iberia, divulgou nesta quarta-feira (28/02/2026) resultados anuais que, apesar de positivos, ficaram abaixo das expectativas do mercado. O desempenho "sem brilho" arrastou as ações da companhia e de todo o setor aéreo, já pressionado pela alta do petróleo e tensões geopolíticas. Enquanto isso, a Wizz Air despencou após fundo majoritário reduzir participação. Veja análise completa dos números e impactos.
Como foram os resultados da IAG em 2026?
A IAG reportou lucro líquido de €3,1 bilhões em 2025, aumento de 22,3% em relação ao ano anterior, porém abaixo do consenso de €3,35 bilhões esperado pelo mercado. O lucro por ação básico ficou em 71,3 centavos de euro (+28%), enquanto o ajustado atingiu 69,5 centavos (+22,4%).
O faturamento total chegou a €33,21 bilhões (crescimento de 3,5%), ligeiramente abaixo dos €33,34 bilhões projetados. O resultado antes de impostos foi ponto positivo: €4,505 bilhões, superando as estimativas de €4,411 bilhões.
Quais fatores impactaram o desempenho?
Segundo o CEO Luis Gallego, dois elementos ajudaram a compensar pressões:
- Queda de 6,9% nos custos com combustível
- Efeitos cambiais favoráveis
Por outro lado, os custos unitários (excluindo combustível) subiram 2,8%, pressionando as margens. "Tivemos outro ano de desempenho excepcional em 2025, com margens notáveis e retorno sobre capital superior", afirmou Gallego, tentando acalmar investidores.
Quais as perspectivas para 2026?
A companhia projetou:
| Item | Previsão |
|---|---|
| Capacidade | Aumento de ~3% |
| Custos unitários (ex-combustível) | Queda de ~1% |
| Free cash flow (após investimentos) | Acima de €3 bilhões |
Além disso, anunciou programa de recompra de ações (SBB) de €1,5 bilhão nos próximos 12 meses, incluindo €500 milhões até maio de 2026.
Como o mercado reagiu?
As ações da IAG despencaram 7,1% em Londres, arrastando todo o setor:
- United Airlines: -8%
- Delta: -6,3%
- American Airlines: -5,6%
- Air France-KLM: -6,4%
- Lufthansa: -3,7%
O caso mais dramático foi da Wizz Air (-8,5%), após o fundo Indigo Partners reduzir participação de 24,2% para 14,2% - visto como sinal de desconfiança.
Qual a análise dos especialistas?
A Panmure Liberum manteve recomendação "compra" para IAG, com preço-alvo de 590 pence. "Não prevemos revisão significativa das estimativas", disse seu analista, destacando o programa de recompra como positivo.
Porém, o cenário macro preocupa: o barril de petróleo subiu 2,2% nesta quarta, com o querosene (25-30% dos custos das aéreas) ficando mais caro. Somado às tensões com o Irã, o ambiente é de "cautela extrema", segundo um trader do BTCC.
Perguntas Frequentes
Por que os resultados da IAG foram considerados decepcionantes?
Embora os números tenham mostrado crescimento, ficaram abaixo das expectativas do mercado em itens-chave como lucro líquido e faturamento total.
Quais companhias aéreas foram mais afetadas?
United Airlines (-8%) e Wizz Air (-8,5%) lideraram as quedas, seguidas por outras grandes como Delta e Air France-KLM.
O programa de recompra de ações da IAG é positivo?
Sim, indica confiança da gestão na geração de caixa futura, além de reduzir o número de ações em circulação (o que pode valorizá-las).