Brasil em Foco: Desafios Jurídicos e Operacionais na Gestão de Criptomoedas Apreendidas
Autoridades brasileiras enfrentam o dilema do século digital: o que fazer com milhões em criptomoedas confiscadas de criminosos.
Labirinto Regulatório
Procuradores e juízes debatem protocolos de custódia—como armazenar ativos digitais sem riscos de hacking ou perda de chaves privadas. Sem diretrizes claras, os ativos ficam parados em carteiras bloqueadas.
Operacionalização Complexa
Leilões públicos esbarram na volatilidade extrema—leiloeiros federais temem vender Bitcoin num dia de crash. E liquidar altcoins? Esquece—nem todas as exchanges operam no Brasil.
Futuro Incerto
Enquanto isso, os valores oscilam wild—herdeiros de processos criminais podem eventualmente reclamar apreensões com valorização de 500%. Ironia financeira: o estado vira HODLer involuntário.
Um cenário onde o sistema judicial aprende na marra o que traders já sabem—gerenciar cripto exige mais que um cofre tradicional.
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Na última quarta-feira (20), autoridades e especialistas se reuniram em Brasília (DF) a fim de discutir os procedimentos de apreensão, custódia e alienação de criptomoedas e outros ativos digitais pelo poder público. O encontro ocorreu no Palácio da Justiça e integrou os trabalhos da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla).
O seminário, intitulado Aspectos Práticos da Apreensão, Custódia e Alienação de Ativos Digitais, faz parte da Ação nº 7/2025 da Enccla. Essa iniciativa estuda o momento mais adequado para a liquidação de criptomoedas apreendidas ou perdidos em favor da União e dos Estados. O grupo avalia se a venda desses ativos deve ocorrer antes ou após o trânsito em julgado das ações judiciais.
PublicidadeDe acordo com o diretor de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, Paulo Maurício Teixeira da Costa, o encontro possibilitou a troca de experiências e o aperfeiçoamento dos procedimentos.
“A tecnologia traz novos desafios e soluções inovadoras no combate à corrupção e à lavagem de dinheiro. É essencial estarmos preparados para atuar com eficiência nesse cenário em constante transformação”, disse ele.
Mesa de abertura do seminário – Foto: Isaac Amorim/MJSP
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Brasil debate gestão de criptomoedas apreendidas
A secretária Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos, Marta Machado, afirmou que o debate exige perspectivas variadas e ressaltou que a questão não é apenas nacional, mas global.
“Esse é um desafio que não é só brasileiro, mas mundial. Em outros fóruns internacionais também temos debatido como lidar com esse mercado em expansão e com o risco de sua utilização em esquemas de lavagem de dinheiro”, disse.
Machado ainda frisou que a Enccla se diferencia por reunir Executivo, Judiciário e sociedade civil em um fórum pouco burocrático e diverso.
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Representantes da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) também participaram da mesa de abertura. Os magistrados federais Marcello Granado e Rodrigo Pessoa defenderam o fortalecimento da cooperação entre instituições e a consolidação de mecanismos que assegurem segurança jurídica e efetividade no combate à corrupção e à lavagem de dinheiro.
O tema ganha relevância diante da ampla utilização de criptomoedas e outros ativos digitais em operações ilícitas. Atualmente, não há regulamentação específica sobre o momento adequado para a liquidação desses bens. Isso gera riscos tanto para a União quanto para os acusados.
A programação do seminário contou com quatro painéis:
Publicidade- Painel 1 – Dados que Falam: Coleta, Investigação e Análise Avançada com o Projeto Analytics
- Painel 2 – Desafios em uma Investigação Envolvendo Ativos Digitais
- Painel 3 – Ativos Digitais – A Nova Realidade das Investigações e as Dificuldades a Serem Superadas
- Painel 4 – Riscos Inerentes à Custódia e Alienação de Ativos Digitais
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