Fed dá sinal verde para bancos que trabalham com criptomoedas — e o mercado reage
O Banco Central dos EUA acaba de enviar um recado claro ao setor financeiro: criptomoedas não são mais párias. Em movimento que pode acelerar a adoção institucional, o Fed está facilitando a vida de bancos que lidam com ativos digitais.
O que mudou? Reguladores parecem finalmente estar alinhando discurso com a realidade do mercado. Depois de anos tratando cripto como risco sistêmico, a abordagem agora é de 'supervisionar, não proibir'. Bancos com políticas robustas de compliance ganharão carta branca para operar.
O jogo de xadrez regulatório: Enquanto Washington debate leis abrangentes, o Fed resolveu agir por conta própria. A decisão chega no momento em que gigantes como BlackRock e Fidelity já administram ETFs de Bitcoin bilionários — ironicamente, com aval da SEC que antes combatia cripto.
Efeito dominó? Analistas preveem que mais instituições tradicionais entrarão no ecossistema agora que o risco regulatório diminuiu. Mas bancos cautelosos ainda lembrarão do tombo da FTX — porque em finanças, até os 'too big to fail' às vezes falham.

Em uma fala perante o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes dos EUA na última terça-feira (24), o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, reafirmou que o Banco Central não se opõe a que instituições financeiras tradicionais ofereçam serviços relacionados a criptomoedas, desde que cumpram normas de gerenciamento de risco e proteção ao consumidor.
Powell diz que FED não se opõe a adoção de criptos por bancos. Fonte: X.com
A declaração consolida uma mudança regulatória recente, na qual o Fed removeu o critério de “risco reputacional” de seu marco de supervisão bancária, alinhando-se com outras agências, como a FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation) e a OCC (Office of the Comptroller of the Currency). Essa medida elimina uma barreira subjetiva que, por anos, limitou o acesso de empresas de criptomoedas ao sistema bancário tradicional.
Apoio a bancos que atuam com criptomoedas
A decisão reflete um esforço coordenado entre os principais órgãos reguladores dos EUA para criar um ambiente mais previsível para o setor. Powell já havia sinalizado, em abril, que o Fed não pretende interferir em relações legítimas entre bancos e empresas de criptomoedas, desde que haja controles adequados.
Com a atualização das diretrizes, os supervisores do Fed serão treinados para aplicar as novas regras de forma uniforme, em colaboração com outras agências. O objetivo é permitir que os bancos ampliem sua atuação no ecossistema cripto. Incluindo custódia de ativos digitais, negociação de Bitcoin e serviços de pagamento — sem abrir mão da segurança financeira.
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Setor celebra, mas desafios persistem
A mudança foi bem recebida pelo mercado, que a enxerga como um passo crucial para a integração de criptomoedas ao sistema financeiro regulado. Dados do CoinGecko indicam que a capitalização do mercado subiu 1% nesta terça-feira (24).
Por outro lado, Powell destacou que padrões rigorosos sobre riscos legais, de liquidez e de crédito continuarão a ser exigidos, como o são para os bancos.
Em meio a esse cenário de abertura, ele destacou que está no horizonte o órgão reduzir os juros ainda esse ano. Essa é uma medida esperada por todo o setor de criptomoedas que enxerga na redução dos juros um catalisador para todo o setor.
Inclusive, o próprio presidente Donald Trump tem realizado críticas ácidas contra a política de Powell de manter a taxa de juros nos níveis atuais. Apesar das pressões, economistas alertam que as taxas que devem retornar ao calendário em julho podem empurrar a inflação para cima.
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