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Influenciadora digital cai na rede por golpes com criptomoedas — mais um ’case’ de promessas inflacionárias

Influenciadora digital cai na rede por golpes com criptomoedas — mais um ’case’ de promessas inflacionárias

Published:
2025-05-29 18:00:20
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Mais um dia, mais um escândalo no circo das criptomoedas. Desta vez, uma influenciadora é acusada de aplicar golpes através de uma plataforma de ativos digitais — porque, claro, a autorregulação do setor está funcionando tão bem quanto sempre.

Vítimas relatam perdas após investirem em promessas de retornos absurdos. Porque quem precisa de due diligence quando se tem um influencer sorridente garantindo lucros overnight?

O caso já chama atenção das autoridades — que, como de costume, chegam depois que o estrago está feito. Enquanto isso, o mercado segue sua farra especulativa, porque o próximo golpe nunca é o último.

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Uma investigação publicada pelo Folha de S. Paulo revelou que a advogada e influenciadora digital Tábata Miqueletti, conhecida por se apresentar como especialista em recuperação de valores perdidos em golpes financeiros, está sendo acusada de lesar clientes em mais de R$ 3 milhões por meio de uma plataforma de criptoativos.

Tábata Miqueletti e seu ex-marido, Rafael Lins, eram sócios na empresa Designo Investimentos, fundada em 2023. A companhia prometia retornos atraentes no mercado de criptomoedas.

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Especialista em golpes em plataforma de criptoativos

De acordo com a reportagem, Tábata Miqueletti, que possui 139 mil seguidores no Instagram, abordava vítimas de pirâmides financeiras e golpes digitais oferecendo seus serviços jurídicos. Após conquistar a confiança dos clientes, ela os incentivava a investir na Designo, descrevendo a plataforma de criptoativos como uma oportunidade segura e lucrativa.

No entanto, quando tentavam resgatar seus recursos, os investidores descobriam que o aplicativo estava inacessível ou que os extratos fornecidos eram falsos.

Pelo menos doze ex-clientes relataram prejuízos. Entre eles está Kátia Brito, de 56 anos, que transferiu R$ 2,7 milhões para uma suposta conta na Suíça indicada por Tábata como forma de proteger seus bens em um processo de divórcio. Anos depois, Kátia descobriu que a conta nunca existiu e que os comprovantes de movimentação eram fraudulentos.

Outro caso envolve Felipe Elias, de Niterói (RJ), que havia perdido R$ 200 mil em um esquema de pirâmide em 2022. Tábata teria entrado em contato com ele oferecendo ajuda jurídica para recuperar o dinheiro.

Felipe contratou os serviços de Tábata por R$ 20 mil e afirma que ela o pressionou a investir R$ 1.000 na Designo.

“Não imaginava que a advogada que eu contratei para me defender de um golpe iria me aplicar outro”, disse ele à reportagem.

Funcionário também foi vítima

Gustavo Lopes, ex-assistente administrativo de Tábata, relatou que sua função no escritório da advogada era identificar vítimas de fraudes e convencê-las a investir na plataforma de criptoativos. Ele próprio foi coagido a aplicar R$ 3 mil na empresa, além de convencer familiares a investirem outros R$ 25 mil. Quando questionou a chefe sobre o sumiço dos recursos, foi demitido e bloqueado.

As autoridades prenderam Rafael Lins, ex-marido de Tábata e sócio da Designo, em janeiro por descumprir uma medida protetiva. Tábata havia obtido a medida após acusá-lo de violência doméstica.

O Ministério Público de São Paulo investiga Lins por suspeita de estelionato. A reportagem entrou em contato com Tábata, mas sua assessoria não respondeu às solicitações. O advogado David Garcia, que defende Tábata, afirmou que “não tem conhecimento” das acusações.

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