Corretora de criptomoedas suspende operações após investigação sobre vínculos com o grupo hacker Lazarus
Uma exchange de criptomoedas foi forçada a encerrar suas atividades após autoridades identificarem possíveis conexões com o grupo Lazarus, organização norte-coreana conhecida por ataques cibernéticos em grande escala. O caso levanta preocupações sobre segurança e regulamentação no setor de ativos digitais, com especialistas alertando para riscos sistêmicos. A medida ocorre em meio a crescentes esforços globais para combater o uso de criptomoedas em atividades ilícitas, com órgãos reguladores intensificando a fiscalização sobre plataformas de negociação.

A exchange descentralizada eXch, com foco em privacidade, anunciou oficialmente que encerrará suas operações em 01 de maio. Com isso, os clientes que possuem fundos na plataforma deverão retirar suas criptomoedas até a data de fechamento.
De acordo com a publicação da eXch no Bitcointalk, a decisão ocorre após alegações de suposta lavagem de dinheiro. Ou seja, hackers do Grupo Lazarus supostamente estariam usando a eXch para ocultar a origem de fundos roubados.
A exchange negou envolvimento com o grupo, mas confirmou que soube que se tornou alvo de uma “operação transatlântica“. Quando soube disso, a equipe fez uma votação e decidiu encerrar suas atividades.
“Não vemos sentido em operar em um ambiente hostil, onde somos alvo de SIGINT (Inteligência de Sinais) simplesmente porque algumas pessoas interpretam mal nossos objetivos”, escreveu a eXch.
Exchange decide encerrar atividades. Fonte: Bitcointalk.
A maior fonte de suspeita é o fato de que a eXch não faz verificação de identidade, o famoso KYC. Com isso, ela não consegue identificar quem abre conta em sua plataforma nem a origem dos fundos. A medida, segundo a exchange tem como objetivo proteger a privacidade de seus clientes.
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Suposta ligação de exchange com hackers
Vários analistas on-chain alegaram anteriormente que a eXch estava sendo usada pelo Lazarus Group. O grupo, ligado à Coreia do Norte, roubou US$ 1,4 bilhão em Ethereum (ETH) Bybit em 22 de fevereiro.
A ação ocorreu em 22 de fevereiro e a Bybit afirmou que conseguiu recuperar 100% dos fundos roubados dois dias após o ataque. Só que essa recuperação ocorreu em forma de empréstimos, de modo que o dinheiro roubado ainda está com os hackers.
No mesmo dia do ataque, surgiram indícios de que o Lazarus utilizou a eXch para ocultar a origem de parte do dinheiro. O perfil vxdb, especializado em crimes cibernéticos, notou “movimentações anormais” vindas da exchange.
“[A eXch] registrou um pico anormal no volume de ETH — 20 mil ETH nas últimas 24 horas, contra seus habituais 800 ETH”, escreveu o analista. “Suas reservas de Bitcoin estão vazias, mas as reservas de ETH aumentaram 900%.”
Perfil liga roubo à Bybit a exchange. Fonte: X.
A exchange negou tais acusações na época.
“Não estamos lavando dinheiro para o Lazarus nem para a Coreia do Norte. [A] opinião contrária é apenas a perspectiva de algumas pessoas que desejam que a fungibilidade e a privacidade on-chain das moedas descentralizadas desapareçam… inimigos de longa data das criptomoedas descentralizadas em geral”, disse a exchange em sua defesa.
No entanto, a eXch não negou a presença de fundos ilícitos vinculados ao Lazarus na plataforma, mas declarou que jamais cooperou com o grupo.
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Descentralização e privacidade
O ataque contra a Bybit gerou debates entre protocolos de criptomoedas e fornecedores peer-to-peer. Muitos defenderam que a rede Ethereum deveria fazer um reset para invalidar os fundos roubados.
Mas houve quem se posicionou contra a medida, alegando que o importante era manter a descentralização da rede. O reset acabou não acontecendo.
Após a exploração da Bybit, a exchange descentralizada cross-chain Chainflip suspendeu temporariamente sua plataforma de swaps. Os hackers chegaram a utilizar serviços como a Wasabi para ocultar a origem dos fundos.
Em março, a OKX suspendeu seu agregador de exchanges descentralizadas (DEX) na Europa e nos EUA, com receio de se associar ao golpe. A eXch criticou projetos que bloquearam certos fundos de usuários da plataforma por terem uma “falsa ideia” de combate à lavagem de dinheiro.
“Privacidade não é crime”, escreveu o eXch.
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