Stablecoins explodem globalmente e dominam 90% do mercado brasileiro: o novo padrão financeiro?
O mundo acordou para uma revolução silenciosa—e ela tem lastro em dólar.
Enquanto criptomoedas voláteis dominam manchetes, as stablecoins estão conquistando carteiras. Esses ativos digitais atrelados a moedas fiduciárias oferecem a agilidade do blockchain sem o drama das montanhas-russas de preço. No Brasil, a penetração chega a nove em cada dez transações—um domínio que faz o mercado tradicional parecer obsoleto.
Por que o Brasil abraçou as stablecoins?
Resposta simples: pragmatismo financeiro. Em um cenário de inflação histórica e juros elevados, os brasileiros encontraram nas stablecoins um porto seguro digital. Elas permitem transações internacionais sem as taxas extorsivas dos bancos—um alívio para freelancers, importadores e até pequenas empresas.
O real digital ainda engatinha, mas o USDT e o USDC já são realidade. Enquanto o Bacen debate regulamentação, a população votou com suas carteiras digitais.
O domínio global—e o ceticismo necessário
O fenômeno brasileiro espelha uma tendência global. Da América Latina à Ásia, economias emergentes estão adotando stablecoins como ferramenta de inclusão financeira e proteção cambial. Bancos centrais mundo afora correm para desenvolver suas próprias moedas digitais—uma reação defensiva clássica.
Aqui vai a cutucada cínica: a mesma elite financeira que desdenhava criptomoedas agora corre para criar stablecoins privadas—porque finalmente entenderam que podem controlar o lastro e lucrar com a liquidação.
As stablecoins não são perfeitas. Dependem da transparência das reservas—algo que reguladores começam a exigir com urgência. Mas seu crescimento explosivo sinaliza uma verdade inconveniente: quando o sistema tradicional falha, a inovação encontra um caminho.
O futuro financeiro será híbrido—parte tradicional, parte digital. E as stablecoins já garantiram seu assento à mesa. Resta saber se os bancos centrais vão liderar essa transição ou apenas correr atrás do prejuízo.
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Um novo relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) destaca a ascensão meteórica das stablecoins no sistema financeiro global, posicionando-as como o segundo maior detentor de títulos do Tesouro dos EUA, atrás apenas dos fundos do mercado monetário. No Brasil, esse fenômeno já é uma realidade consolidada. De acordo com dados da Receita Federal, as moedas estáveis representam até 90% do volume mensal de transações reportadas de criptoativos.
Relatório da OCED aponta que stablecoins lideram volumes e títulos dos EUA. Fonte: OCED
O relatório Economic Outlook da OCDE, divulgado nesta terça-feira (2), revela que as stablecoins ultrapassaram o volume anual de transações de gigantes como Visa e Mastercard. Em 2024, o volume global de stablecoins superou US$ 18 trilhões, à frente da Visa (US$ 16 trilhões) e da Mastercard (US$ 10 trilhões).
PublicidadeEntretanto, a entidade ressalva que enquanto as redes de cartões refletem liquidações de bens e serviços, as stablecoins têm sido usadas basicamente para liquidar negociações de outros criptoativos.
No cenário brasileiro, apresentado pelo auditor da Receita Federal Flavio Correa Prado, a dominância é ainda mais pronunciada. O mercado movimenta entre US$ 6 bilhões e US$ 8 bilhões por mês, sendo a maior parte desse volume em stablecoins como USDT e USDC.
“Se as tendências atuais continuarem, esse número pode subir para 9 bilhões de dólares mensais até 2030”, disse ele.
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Riscos e regulação em Foco
A OCDE também emite alertas sobre os riscos desse crescimento acelerado. Afinal, o relatório aponta que algumas stablecoins “apresentaram volatilidade de preços significativa, particularmente aquelas que não são totalmente lastreadas em moeda fiduciária”. Além disso, a entidade adverte que desvios persistentes de paridade e casos históricos de falhas colocam em xeque a confiabilidade desses ativos como meio de pagamento amplo ou reserva de valor estável.
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Esses alertas globais ecoam as ações regulatórias em curso no Brasil. Nesse sentido, a Receita Federal prepara-se para substituir seu sistema de declaração pelo DeCripto a partir de julho de 2026. O novo sistema é baseado no Marco de Relatórios de Criptoativos (CARF), padrão internacional desenvolvido pela OCDE. O sistema permitirá a troca automática de informações fiscais com mais de 60 países para rastrear transações.
Paralelamente, o Banco Central do Brasil avança com um novo arcabouço que cria um regime de licenciamento. Entre outras coisas, o novo regramento exige capital entre US$ 2 milhões e US$ 7 milhões dos provedores de serviços. O objetivo é trazer uma ampla gama de atividades sob as regras do país sobre câmbio e mercado de capitais.
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