Rendimentos dos títulos sobem conforme Fed sinaliza que não cortará taxas antes de setembro
- Por que o relatório de emprego surpreendeu tanto os mercados?
- Como o mercado de títulos reagiu a esses dados?
- Quais outros fatores estão influenciando as decisões dos investidores?
- Como os principais índices e ações se comportaram?
Os mercados financeiros estão em polvorosa após um relatório de emprego surpreendente em junho, que mostrou a criação de 147 mil postos de trabalho não agrícolas - muito acima das expectativas. Esse dado, combinado com a queda da taxa de desemprego para 4,1%, fez os investidores repensarem suas apostas sobre os próximos movimentos do Federal Reserve. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dispararam, enquanto os traders reduzem drasticamente as expectativas de cortes de taxas no curto prazo. Neste cenário, analisamos como os mercados reagiram, o que esperar da política monetária e como os investidores estão se posicionando diante dessa nova realidade econômica.
Por que o relatório de emprego surpreendeu tanto os mercados?
O relatório do Departamento de Estatísticas do Trabalho veio como um balde de água fria para quem esperava sinais de desaceleração econômica. Com 147 mil empregos criados em junho - bem acima dos 110 mil previstos pelos economistas - e uma revisão positiva para maio (144 mil), o mercado de trabalho mostrou uma resistência que poucos antecipavam. Para piorar (ou melhorar, dependendo do ponto de vista), a taxa de desempleo caiu para 4,1%, quando a expectativa era de aumento para 4,3%. Esses números jogaram por terra o pessimismo gerado pelo relatório ADP do dia anterior, que havia indicado perda de 33 mil empregos no setor privado. O resultado? Uma festa nos mercados acionários, com o Dow Jones subindo 381 pontos (0,9%), S&P 500 avançando 0,8% e Nasdaq crescendo 1%.
Como o mercado de títulos reagiu a esses dados?
Se as ações comemoraram, o mercado de títulos teve uma reação diametralmente oposta. Os rendimentos dos Treasuries deram um salto significativo, refletindo a mudança nas expectativas sobre a política monetária. Segundo dados da ferramenta FedWatch do CME Group, os traders agora atribuem 95% de probabilidade de que o Fed mantenha as taxas inalteradas na reunião de julho. O que era visto como um corte iminente se transformou em expectativa de manutenção por mais tempo, possivelmente até setembro. "O mercado está repricing toda a curva de juros", comentou um analista do BTCC. "Os dados mostram que a economia ainda tem fôlego, o que dá margem para o Fed ser mais paciente com os cortes."
Quais outros fatores estão influenciando as decisões dos investidores?
Além da política monetária, os investidores estão de olho em dois fronts: o comercial e o fiscal. No aspecto comercial, todos aguardam com ansiedade o fim da pausa de 90 dias nos novos aumentos de tarifas, que ocorre na próxima semana. O acordo comercial EUA-Vietnã anunciado recentemente pode ser apenas o primeiro de uma série. Já no campo fiscal, o projeto de lei de reforma tributária segue avançando no Congresso, tendo sido aprovado pelo Senado e enviado de volta à Câmara. Se aprovado, pode significar mudanças significativas na tributação corporativa ainda este ano. "É um daqueles momentos em que tudo parece estar acontecendo ao mesmo tempo", brincou um trader de Wall Street, enquanto ajustava suas posições antes do feriado do Dia da Independência.
Como os principais índices e ações se comportaram?
Apesar da sessão encurtada devido ao feriado, o ímpeto nos mercados foi notável. O S&P 500 e o Nasdaq acumulam altas de 1,5% na semana, enquanto o Dow Jones subiu 2,1%. Mas o mais impressionante foi o desempenho individual de algumas ações: 36 componentes do S&P 500 atingiram máximas de 52 semanas, sendo que 25 delas bateram recordes históricos. Nomes como Royal Caribbean (máxima desde 1993), American Express (recordes desde seu IPO em 1977), JPMorgan, Goldman Sachs e Nvidia lideraram o movimento. Até o Russell 2000, índice de pequenas empresas, entrou em território positivo no ano, recuperando quase 24% desde seus mínimos de abril. "Isso mostra que a força não está concentrada apenas nas big techs", observou um analista. "Há dinheiro entrando em vários setores da economia."
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