Corporações entram na corrida do Bitcoin: reserva de valor vira padrão corporativo
O ouro digital está conquistando os balanços patrimoniais - enquanto os CFOs tradicionais ainda tentam entender o que é uma carteira quente.
Empresas de médio e grande porte estão realocando reservas para BTC em ritmo acelerado, ignorando os soluços de volatilidade. A estratégia? Proteção contra desvalorização cambial e um bilhete para a festa dos early adopters.
Setores mais agressivos - como tech e venture capital - lideram a carga, com algumas holdings já mantendo até 10% de seu caixa em criptomoedas. Bancos tradicionais reviram os olhos, mas ajustam silenciosamente suas políticas de compliance.
Enquanto isso, os mesmos gestores que chamavam Bitcoin de ’esquema Ponzi’ em 2020 agora contratam consultores de cripto... só para não perder o bonde da história.
Empresas e instituições do setor financeiro tradicional (TradFi) estão acelerando a entrada no mercado cripto com investimentos expressivos em Bitcoin (BTC), impulsionando sua adoção como reserva de valor.
Inspiradas por Michael Saylor, companhias em regiões como Brasil, Oriente Médio e Ásia têm incorporado o BTC em seus balanços patrimoniais.
Dinheiro TradFi flui para o mercado cripto com compras de Bitcoin
Ontem (15), a fintech brasileira Méliuz tornou-se a primeira empresa do país a integrar Bitcoin ao seu tesouro corporativo.
“Dia histórico! Nossos acionistas aprovaram, por ampla maioria, a transformação da Méliuz na primeira Bitcoin Treasury Company listada no Brasil”, disse o presidente da Méliuz, Israel Salmen, em publicação no X.
A empresa adquiriu 274,52 BTC por US$ 28,4 milhões, atingindo um rendimento de 600% com o ativo. O preço médio de compra foi de US$ 103.604. Em 6 de março, já havia comprado 45,72 BTC por US$ 4,1 milhões, a um preço de US$ 90.296 por unidade. Atualmente, a Méliuz possui 320,2 BTC, avaliados em US$ 33,3 milhões com base nas cotações de mercado.
No Oriente Médio, a Al Abraaj Restaurants Group, listada no Bahrein, também adotou o Bitcoin como ativo de reserva. Com a compra de 5 BTC, tornou-se a primeira companhia da região a seguir essa estratégia.
Em comunicado oficial, a empresa revelou uma parceria com a gestora norte-americana 10X Capital para se tornar a “MicroStrategy do Oriente Médio”. O plano inclui levantar capital adicional para expandir as aquisições e elevar o novo KPI de Bitcoin por ação.
“Nossa iniciativa de nos tornarmos uma Bitcoin Treasury Company reflete nossa abordagem visionária e dedicação em maximizar o valor para os acionistas. Acreditamos que o Bitcoin desempenhará um papel crucial no futuro das finanças, e estamos entusiasmados em estar na vanguarda dessa transformação no Reino do Bahrein”, afirmou Abdulla Isa, presidente do Comitê de Tesouraria de Bitcoin da Al Abraaj, em declaração.
Ainda na região, o fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala, aumentou sua exposição ao iShares Bitcoin Trust ETF (IBIT) no primeiro trimestre de 2025. Segundo documento 13F entregue à SEC, o fundo passou a deter 8,7 milhões de ações do ETF da BlackRock, ante 8,2 milhões no trimestre anterior.
A Coinsilium Group Limited, empresa de capital de risco com sede em Londres, captou US$ 1,6 milhão (cerca de £1,25 milhão) para ampliar as operações da subsidiária Forza (Gibraltar) Limited, voltada à gestão de tesouraria com Bitcoin.
“Coinsilium Group Limited (AQUIS:COIN, OTCQB:CINGF), o investidor, consultor e construtor de empreendimentos Web3, tem o prazer de anunciar que levantou GBP 1,25 milhão bruto por meio de uma colocação liderada por corretor de 41.666.657 novas ações ordinárias sem valor nominal (“Ações Ordinárias”) a um preço de 3 pence por ação (a “Colocação”). A colocação foi oversubscrita”, informou o comunicado de imprensa.
No Japão, a empresa Remixpoint, especializada em sistemas de gestão de energia, investiu US$ 3,4 milhões na aquisição de 32,83 BTC em 13 de maio, elevando seu total para 648,82 BTC. O movimento reforça o posicionamento da empresa no uso do Bitcoin como reserva de valor.
Segundo o BeInCrypto, uma empresa chinesa também avalia a compra de até 8 mil BTC de investidores de grande porte, embora ainda não haja acordo vinculativo formalizado.
Adoção do Bitcoin avança nos EUA
Empresas norte-americanas também intensificam suas estratégias envolvendo o BTC. A DDC Enterprise, plataforma de e-commerce transfronteiriço, anunciou a meta de acumular 5 mil BTC em até 36 meses.
Norma Chu, fundadora e CEO da empresa, afirmou que a decisão faz parte de uma estratégia de geração de valor a longo prazo.
“As propriedades únicas do Bitcoin como reserva de valor e proteção contra incertezas macroeconômicas se alinham perfeitamente com nossa visão de diversificar reservas e aumentar os retornos dos acionistas”, comentou Chu em declaração.
No fim de abril, as empresas Cantor Fitzgerald, SoftBank, Tether e Bitfinex uniram forças para lançar o veículo de investimento 21 Capital. Em 13 de maio, a nova companhia adquiriu 4.812 BTC, ao custo de US$ 458,7 milhões.
Além do Bitcoin, outras criptomoedas também começam a despertar atenção de instituições financeiras. A BTCS, empresa do setor de tecnologia blockchain, anunciou a intenção de alocar US$ 57,8 milhões em Ethereum (ETH), optando por priorizar a segunda maior cripto em capitalização de mercado.
Os movimentos evidenciam a maturação do mercado, com empresas de blockchain atraindo capital relevante e aproximando cada vez mais os universos TradFi e cripto.
O artigo Empresas intensificam adoção do Bitcoin como ativo de reserva foi visto pela primeira vez em BeInCrypto Brasil.
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