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Criptomoedas movimentam US$ 154 bilhões em transações ilícitas em 2025 - Mas o que isso realmente significa para o setor?

Criptomoedas movimentam US$ 154 bilhões em transações ilícitas em 2025 - Mas o que isso realmente significa para o setor?

Published:
2026-01-08 12:30:00
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O número chocante de US$ 154 bilhões em atividades ilícitas envolvendo criptomoedas em 2025 está dominando as manchetes - mas vamos colocar isso em perspectiva.

Contexto é tudo

Enquanto os reguladores apontam para esse valor recorde, os profissionais do mercado observam um detalhe crucial: esse montante representa menos de 1% do volume total de transações em blockchain. Para comparação, estimativas conservadoras sugerem que entre 2-5% do PIB global (cerca de US$ 2-5 trilhões) envolve lavagem de dinheiro no sistema financeiro tradicional.

A evolução, não a eliminação

O aumento nos valores detectados reflete principalmente o amadurecimento das ferramentas de análise forense em blockchain, não necessariamente um aumento exponencial na criminalidade. Empresas como Chainalysis e Elliptic estão mapeando fluxos com precisão nunca vista antes - o que significa que estamos vendo mais, não que exista mais.

Transparência paradoxal

Aqui está o ponto que os críticos frequentemente ignoram: cada transação ilícita em blockchain deixa um rastro permanente e público. Enquanto isso, transferências bancárias offshore podem desaparecer em labirintos corporativos em paraísos fiscais - o tipo de 'eficiência' que Wall Street realmente domina.

O caminho à frente

Em vez de demonizar a tecnologia, reguladores progressistas estão colaborando com exchanges para desenvolver sistemas de detecção mais sofisticados. A próxima geração de protocolos DeFi já incorpora verificações de conformidade nativas - algo que o sistema SWIFT levou décadas para implementar.

US$ 154 bilhões soam como muito dinheiro - até você perceber que bancos tradicionais pagaram mais do que isso em multas por lavagem de dinheiro na última década, enquanto continuam operando normalmente. A verdadeira revolução não é eliminar o crime, mas torná-lo impossível de esconder.

ataque de proxy

O crime envolvendo criptomoedas atingiu US$ 154 bilhões em 2025, aumento de 162% em relação ao ano anterior, de acordo com o mais recente relatório da Chainalysis, empresa especializada em análise blockchain.

O salto foi impulsionado principalmente por um crescimento de 694% nos recursos enviados a entidades sob sanções internacionais. Para a Chainalysis, isso marca uma nova fase na evolução do crime digital: a entrada massiva de Estados-nação no setor.

Três ondas do crime cripto

O relatório divide a história do crime com criptoativos em três fases distintas. A primeira onda, entre 2009 e 2019, foi dominada por cibercriminosos especializados. A segunda, de 2020 a 2024, marcou a profissionalização de organizações criminosas que passaram a oferecer infraestrutura on-chain para grupos ilícitos.

Fonte: Chainalysis

Agora, a terceira onda chegou. Estados-nação entraram de forma substancial no setor para contornar sanções econômicas.

“À medida que Estados-nação se conectam às cadeias de suprimento ilícitas de cripto, agências governamentais e equipes de conformidade enfrentam riscos muito maiores tanto na proteção do consumidor quanto na segurança nacional”, afirma o relatório.

Rússia, Coreia do Norte e Irã lideram atividades ilícitas

A Rússia lançou em fevereiro de 2025 a stablecoin A7A5, lastreada no rublo. Em menos de um ano, a moeda movimentou mais de US$ 93,3 bilhões. A iniciativa foi viabilizada por legislação aprovada em 2024 para facilitar a evasão de sanções via criptomoedas.

Hackers norte-coreanos tiveram seu ano mais destrutivo, com roubos totalizando US$ 2 bilhões. O ataque à exchange Bybit em fevereiro respondeu por quase US$ 1,5 bilhão desse montante, tornando-se o maior roubo digital da história do setor.

Redes ligadas ao Irã movimentaram mais de US$ 2 bilhões em lavagem de dinheiro, vendas ilegais de petróleo e compra de armamentos. Organizações como Hezbollah, Hamas e Houthis passaram a utilizar criptoativos em escala sem precedentes.

Stablecoins substituem Bitcoin no crime

Uma das mudanças mais significativas no crime que usa criptomoedas, segundo a Chainalysis, foi a inversão nos ativos preferidos por criminosos em 2025.

Fonte: Chainalysis

Em 2020, o Bitcoin representava cerca de 70% das transações ilícitas, enquanto stablecoins respondiam por apenas 15%. Em 2025, o cenário se inverteu completamente: stablecoins concentram 84% do volume ilegal, enquanto a participação do Bitcoin caiu para aproximadamente 7%.

A Chainalysis atribui a mudança às vantagens práticas das stablecoins: facilidade para transferências internacionais, baixa volatilidade e maior utilidade operacional. A tendência espelha o crescimento das stablecoins também nas transações legítimas.

Redes chinesas de lavagem em expansão

O relatório destaca a ascensão das Redes Chinesas de Lavagem de Dinheiro (CMLNs) como força dominante no ecossistema ilícito. Ampliando modelos como o da operação Huione Guarantee, essas redes passaram a oferecer “lavagem como serviço” e infraestrutura especializada para atividades criminosas.

Fonte: Chainalysis

As operações dão suporte desde fraudes até lavagem de recursos roubados por hackers norte-coreanos, evasão de sanções e financiamento de terrorismo.

A Chainalysis também alerta para o fortalecimento dos vínculos entre transações on-chain e crimes violentos. Operações de tráfico humano recorrem cada vez mais a criptoativos, enquanto ataques de “coerção física” — quando vítimas são obrigadas por violência a transferir recursos — cresceram de forma acentuada, muitas vezes coincidindo com altas nos preços dos ativos digitais.

Crime representa menos de 1% do volume total

Apesar dos números recordes, a Chainalysis ressalta que práticas ilícitas seguem representando menos de 1% do volume total de transações com criptoativos. A empresa frisa que o valor de US$ 154 bilhões é uma “estimativa mínima” baseada em endereços ilícitos já identificados.

Dados históricos mostram que o crime envolvendo cripto não cresce linearmente. O volume caiu de US$ 56 bilhões em 2022 para US$ 50 bilhões em 2023 durante o inverno cripto. A alta de 2025, porém, sinaliza uma mudança expressiva no cenário de ameaças.

O artigo Crime com criptomoedas bate recorde de US$ 154 bilhões em 2025 foi visto pela primeira vez em BeInCrypto Brasil.

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