CVM dá sinal verde: consultoria de cripto agora opera também com investimentos tradicionais
O regulador brasileiro acaba de abrir um precedente histórico. Uma consultoria especializada em criptomoedas recebeu autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para expandir suas operações e atuar também no mercado de investimentos tradicionais.
O que isso significa na prática?
A barreira entre o mundo cripto e o financeiro tradicional acaba de ser perfurada. A decisão da CVM não é apenas um aval administrativo; é um reconhecimento tácito de que a expertise desenvolvida no ecossistema digital tem valor e aplicação no mercado convencional. Agora, a mesma empresa que assessora em Bitcoin e DeFi pode estruturar carteiras de renda fixa, ações e fundos de investimento.
Um novo modelo de gestão híbrida surge.
O movimento sinaliza uma maturidade forçada do setor. Em vez de ficar confinada a um nicho, a consultoria poderá oferecer uma visão integrada de portfólio, algo que investidores sofisticados já demandavam. É a consolidação de uma tendência: a convergência de ativos. O cliente não precisa mais escolher entre uma assessoria para o mundo novo e outra para o velho.
O subtexto regulatorio é claro.
A autorização vem carregada de mensagens. Para a CVM, é uma forma de trazer parte da atividade cripto para dentro do seu guarda-chuva de supervisão, aumentando a proteção ao investidor. Para o mercado, é um atestado de que profissionais sérios do setor podem e devem operar em múltiplas frentes. Resta saber se os consultores tradicionais, muitas vezes lentos para inovar, vão encarar isso como uma ameaça ou uma aula.
No fim, o mercado dita as regras. E ele está pedindo por menos silos e mais pragmatismo. Enquanto alguns grandes bancos ainda debatem internamente se criam um departamento de cripto, consultorias ágeis do setor já obtiveram licença para fazer o caminho inverso e invadir seu quintal. A ironia financeira é deliciosa: a 'disrupção' agora vem com um selo de aprovação do próprio establishment que ela supostamente desafiava.
Altside, primeira empresa do tipo no país, passa a oferecer planejamento patrimonial integrado e une mercados tradicional e cripto sob mesma estratégia
A Altside, primeira consultoria especializada em criptoativos do Brasil, recebeu autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para expandir sua atuação também para investimentos tradicionais. A habilitação permite que a empresa una portfólios dos dois mercados em uma mesma estratégia de longo prazo.
A aprovação coloca a Altside entre as poucas consultorias independentes do país com estrutura para trabalhar simultaneamente com ativos tradicionais e digitais. A empresa atua exclusivamente com consultoria técnica, sem tocar nos recursos dos clientes ou executar ordens, cobrando taxa fixa sobre o valor aconselhado.
“A CVM valida nosso compromisso com governança, independência e segurança para famílias que querem unir cripto e mercado tradicional em uma única estrutura de planejamento patrimonial”, afirma Felipe Mendes, CEO da Altside.
Convergência dos mercados
A autorização ocorre em momento de aproximação entre os dois universos. O mercado tradicional de capitais movimenta cerca de R$ 3,5 trilhões em ativos sob gestão, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Já o setor de criptomoedas ganhou escala: enquanto a B3 registrava aproximadamente 5,4 milhões de investidores pessoa física em renda variável no segundo trimestre de 2025, estima-se que 26 milhões de brasileiros já possuam algum tipo de criptoativo.
Dados da Chainalysis mostram que o Brasil movimentou cerca de R$ 1,7 trilhão em cripto entre 2024 e 2025, alta de quase 110%. Pesquisas da Locomotiva e Datafolha indicam que 16% dos brasileiros acima de 16 anos já investiram no setor.
Entre investidores de alta renda, a presença dos ativos digitais é ainda mais expressiva. Levantamento revela que 42% desse público mantém exposição a criptomoedas, com patrimônio médio superior a R$ 521 mil — um perfil que demanda estrutura profissional de gestão.
Demanda por planejamento estruturado
Pesquisa desenvolvida pela Altside com quase 3 mil investidores revelou que um em cada quatro já possui mais de R$ 1 milhão em cripto, mas sem estratégia de risco, sucessão ou integração com ativos tradicionais.
“Estamos entrando em uma fase em que cripto deixa de ser um elemento isolado e passa a ocupar um papel estrutural no planejamento patrimonial brasileiro. Nosso objetivo é liderar essa transição com método, transparência e visão de longo prazo”, diz Mendes.
Fundada por Felipe Mendes, empreendedor há 14 anos na interseção entre tecnologia, finanças e comunicação, a Altside nasceu como spin-off da Criptomaníacos, maior canal brasileiro de educação em criptomoedas. Hoje opera de forma independente, com equipe própria e modelo 100% bootstrap (sem investidores externos).
Com sede em Florianópolis, a consultoria segue ampliando sua atuação e consolidando o modelo de gestão integrada entre ativos tradicionais e cripto, acompanhando a maturidade crescente do setor no país.
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