Venezuela mira Bitcoin como reserva nacional para reconstrução econômica - proposta ousada de líder venezuelana
Uma proposta radical sacode os alicerces da política monetária tradicional: transformar Bitcoin na espinha dorsal das reservas nacionais.
O Plano: Fuga do Cativeiro Fiat
O modelo sugere uma ruptura total. Em vez de acumular dólares ou euros, o país alocaria uma parte significativa de sua riqueza soberana no ativo digital descentralizado. A lógica? Proteção contra a hiperinflação crônica e sanções financeiras internacionais que estrangularam a economia por anos.
Mecanismo de Implementação: Mineração e Aquisição Estratégica
A estratégia não se baseia apenas em compra no mercado aberto. Fontes próximas ao debate indicam um plano de dois pilares: ativar a capacidade de mineração nacional com energia subsidiada e criar um fundo soberano para aquisições programadas, evitando impactos bruscos no preço. A ideia é construir a posição gradualmente, transformando recursos naturais em segurança criptográfica.
Impacto Potencial: Soberania ou Especulação?
Proponentes veem uma chance única de reset. O Bitcoin, com seu suprimento fixo e rede global, ofereceria uma âncora credível - algo que o bolívar falhou em ser por décadas. Críticos, no entanto, alertam para o perigo de amarrar o futuro de uma nação ao volátil mercado de criptomoedas. "É trocar a dependência do FMI pela dependência dos whales de Bitcoin", dispara um analista de risco soberano, em uma típica cutucada do cinismo financeiro tradicional.
O Veredito Ainda Está no Ar
A proposta enfrenta um caminho árduo: aprovação legislativa, logística de custódia segura em escala nacional e o eterno ceticismo dos mercados tradicionais. Mas seu simples surgimento marca um ponto de inflexão. Quando um país devastado economicamente considera o ativo mais polêmico do século como sua tábua de salvação, o sinal é claro: o jogo das reservas internacionais nunca mais será o mesmo.
Engenheira María Corina Machado propõe nova política econômica com criptomoeda para restaurar economia devastada pela ditadura
A engenheira venezuelana María Corina Machado, laureada com o Prêmio Nobel da Paz em dezembro de 2025, afirmou nesta segunda-feira (5) que o bitcoin deve fazer parte das reservas nacionais de uma futura Venezuela democrática. A declaração foi dada em vídeo que circula nas redes sociais, dias após a captura do ex-ditador Nicolás Maduro.
Segundo Machado, a criptomoeda desempenhou papel crucial na proteção da população venezuelana contra a hiperinflação durante o regime chavista. “Alguns venezuelanos encontraram no Bitcoin uma tábua de salvação durante a hiperinflação, usando-o para se proteger e financiar sua fuga”, declarou a líder da oposição.
Da sobrevivência à política nacional
A engenheira destacou que o bitcoin evoluiu de ferramenta humanitária para instrumento de resistência política no país. “Ele contorna as taxas de câmbio impostas pelo governo e ajuda muitas pessoas em nosso país”, explicou Machado, acrescentando que sua campanha de oposição sobreviveu anos sem acesso ao sistema bancário tradicional graças à moeda digital.
VENEZUELA'S OPPOSITION LEADER SAID #BITCOIN WILL BE A "KEY PART" OF THEIR NATIONAL RESERVES
THE NEXT BTC COUNTRY. LOVE TO SEE IT 🔥🔥 pic.twitter.com/QU5oDkjVvJ
O historiador do bitcoin Pete Rizzo comentou a declaração sugerindo que a Venezuela pode se tornar o próximo país a adotar oficialmente a criptomoeda. “O líder da oposição venezuelana disse que bitcoin será uma ‘parte fundamental’ de suas reservas nacionais”, escreveu Rizzo em publicação nas redes sociais.
Recuperação de reservas congeladas
Machado também abordou a questão das reservas de ouro venezuelanas congeladas internacionalmente devido a sanções econômicas impostas durante a ditadura. “Antes de nossas reservas de ouro serem saqueadas, a Venezuela possuía reservas financeiras substanciais em todo o mundo. Restauraremos essas reservas e incluiremos o Bitcoin como um componente fundamental”, afirmou.
A líder propõe uma política econômica baseada em direitos de propriedade, controle da inflação e transparência governamental. “A única maneira de ajudar os mais pobres da Venezuela é garantindo direitos de propriedade, baixa inflação, igualdade de acesso a oportunidades e transparência governamental”, disse.
Transição pacífica
Em seu pronunciamento, Machado convocou a comunidade internacional para apoiar uma transição pacífica de poder no país sul-americano. “Convido todos que compartilham esses valores a defender uma transição pacífica de poder na Venezuela e a nos ajudar”, concluiu.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou na semana passada que apoie Machado como nova presidente da Venezuela após a prisão de Maduro no sábado (3). Apesar disso, a engenheira segue articulando propostas para a reconstrução econômica do país, com o bitcoin ocupando posição central em sua visão para o futuro venezuelano.
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