Crown capta US$ 13,5 milhões: Paradigm faz seu primeiro investimento no Brasil
O cenário de criptomoedas no Brasil acaba de receber um voto de confiança multimilionário.
Um marco para o ecossistema local
A Paradigm, uma das maiores e mais influentes empresas de capital de risco do setor cripto, colocou seu dinheiro onde está sua boca. O alvo? A Crown, que acaba de levantar uma rodada de US$ 13,5 milhões. O valor não é apenas significativo—é histórico. Representa a primeira incursão oficial da gigante do Vale do Silício no mercado brasileiro, sinalizando uma mudança de percepção sobre a região.
Mais do que capital, um sinal
Esse aporte vai muito além de um simples cheque. É um endosso estratégico. Para a Paradigm, conhecida por apostar cedo em infraestruturas fundamentais, o movimento sugere que enxerga no Brasil não apenas um mercado consumidor, mas um potencial hub de inovação. O capital deve impulsionar a expansão da Crown, mas o verdadeiro ativo é a credibilidade e a rede que vêm junto com o investidor.
O timing é tudo (ou quase)
A jogada acontece em um momento de otimismo cauteloso nos mercados globais. Enquanto alguns fundos tradicionais ainda brincam na margem com ETFs aprovados por reguladores, players como a Paradigm continuam cavando fundo na busca pela próxima peça fundamental da web3. É uma aposta no longo prazo, uma demonstração clássica de que o capital de risco sério ignora o ruído de curto prazo—seja FOMO ou medo—e foca na arquitetura do futuro.
Um lembrete sutil, mas potente, de que enquanto o sistema financeiro tradicional debate taxas de juros, a próxima geração de construção de valor já está sendo financiada, linha de código por linha de código.
A Crown, emissora da stablecoin BRLV, confirmou o encerramento de sua Série A com a captação de US$ 13,5 milhões. A rodada foi liderada pela Paradigm, empresa de criptoativos dedicada à pesquisa e ao apoio a projetos desde fases iniciais. Fundada em 2018, a Paradigm parte da premissa de que a criptoeconomia promove uma das transformações técnicas e econômicas mais relevantes da atual geração, influenciando o sistema financeiro, o conceito de dinheiro e a infraestrutura da internet. Este é o primeiro investimento do fundo de Venture Capital em uma companhia brasileira.
Com o novo aporte, a Crown passa a valer US$ 90 milhões, consolidando-se como infraestrutura institucional de referência para um real digital seguro, transparente e programável. O BRLV já superou R$ 360 milhões em subscrições, tornando-se a maior stablecoin de mercados emergentes.
Stablecoins são representações digitais de moedas oficiais, totalmente lastreadas em reservas, que funcionam como base para pagamentos e liquidações na camada on-chain. No Brasil, essa estrutura precisa existir em real para permitir que instituições inovem e operem diretamente em BRL, sem depender de mecanismos dolarizados.
A Crown desenvolveu exatamente essa base: um real digital com lastro integral em títulos públicos brasileiros e interoperabilidade total, conectando Pix, sistemas bancários e mercados internacionais ao ambiente on-chain com liquidez contínua.
“… Somos a primeira stablecoin do mundo a oferecer aos holders garantia real sobre as reservas que sustentam o token. Isso assegura proteção jurídica mesmo em cenários extremos”, disse John Delaney, CEO e cofundador da Crown.
A arquitetura da empresa foi criada para atender instituições financeiras, exchanges e plataformas de tokenização com padrões comparáveis aos do setor bancário. Delaney acrescenta que, desde o início, a Crown buscou parceiros tradicionais — como Atmos Capital e Citrino — para validar que sua infraestrutura atende às exigências institucionais.
Marcelo Cabral, sócio da Citrino, afirma que a gestora observava o avanço do blockchain havia anos, mas ainda sem a estrutura necessária para ganho de escala. “… O ambiente mudou com os avanços regulatórios recentes. A Crown se destaca nesse contexto, unindo uma equipa sólida a uma infraestrutura madura e regulada”, avaliou Cabral.
A equipe fundadora reúne John Delaney (CEO), nome ligado ao mercado cripto desde 2013 e ex-COO da fintech Xerpa, além de ex-advogado de finanças internacionais no Cleary Gottlieb; Vinicius Correa (Engenheiro Principal), ex-Nubank e cofundador da Pipo Saúde; Vitor Makoto (Founding Engineer), ex-Pipo; e Alex Gorra (Head de Ecossistema), ex-partner da Brainvest. Recentemente, o quadro executivo ganhou reforço com Bruno Passos (COO), ex-Hashdex, e Tatiana Rezende (CFO), ex-Nuvemshop. A Crown também conta com assessoria jurídica do Pinheiro Neto Advogados e consultoria estratégica de André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real.
A operação da Crown no Brasil começou há poucos meses, com o lançamento do BRLV e uma rodada seed de US$ 8,1 milhões liderada por Framework Ventures, Valor Capital Group, Coinbase Ventures, Norte Ventures, Paxos e Edward Wible, cofundador do Nubank. Wible, hoje referência em tecnologia e infraestrutura financeira na América Latina, integra o board da Crown e acompanha de perto o desenvolvimento da empresa desde seus primeiros passos.
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