Euro sobe pelo segundo ano consecutivo enquanto dólar atinge mínima em quatro anos: O que está por trás dessa virada?
- Por que o euro está em alta?
- O mito do dólar como refúgio seguro
- Risco político acelera fuga do dólar
- O que os dados técnicos revelam?
- Perguntas e Respostas sobre o Mercado Cambial
O euro continua sua trajetória de alta pelo segundo ano seguido, enquanto o dólar americano se aproxima de seu menor valor em quatro anos. Dados do TradingView mostram que o euro já subiu 0,91% em 2026, com oscilações entre 1,1849 e 1,1878 apenas na última sessão. Enquanto isso, o dólar despencou 1,3% este ano, após uma queda de 9% em 2025. Analistas do BTCC destacam que a combinação de fatores políticos, econômicos e tecnológicos está redefinindo o cenário cambial global. Vamos mergulhar nos detalhes.
Por que o euro está em alta?
Segundo dados do TradingView, o euro tem se beneficiado de uma recuperação econômica consistente na zona do euro, que cresceu 0,3% no quarto trimestre de 2025 (1,4% anualizado). Enquanto isso, o dólar enfrenta pressão de múltiplas frentes: desde riscos políticos até mudanças estruturais nos mercados financeiros. George Saravelos, do Deutsche Bank, desafia a noção tradicional do dólar como "porto seguro", mostrando que sua correlação com ações americanas tem sido próxima de zero. "Quando o risco aumenta e o dólar não sobe, o euro ganha espaço", explica.
O mito do dólar como refúgio seguro
Um relatório recente do Deutsche Bank sacudiu o mercado ao questionar uma crença arraigada: a de que o dólar sempre sobe quando as ações caem. Saravelos apresentou dados mostrando que, no último ano, o dólar se desvinculou completamente do S&P 500. "A IA está canibalizando setores inteiros", observou, referindo-se à queda de 20% no índice de software do S&P em 2026 após lançamentos disruptivos de empresas como Anthropic. Essa desconexão histórica está minando a atratividade do dólar.
Risco político acelera fuga do dólar
Uma pesquisa do Bank of America revelou que os gestores estão mais pessimistas com o dólar do que em qualquer momento desde 2012. O posicionamento líquido contra a moeda americana no CME Group supera agora as apostas favoráveis - um cenário que não se via desde a crise da COVID-19. "As medidas protecionistas do governo Trump em 2024 ainda ecoam nos mercados", comenta um analista do BTCC. O iene também sofre, com USD/JPY subindo para 153,27 após o fraco crescimento de 0,2% do Japão no quarto trimestre.
O que os dados técnicos revelam?
Analisando o gráfico semanal do EUR/USD no TradingView, vemos que o par rompeu uma resistência crítica em 1,1870. Nas últimas 52 semanas, a moeda única europeia oscilou entre 1,0360 e 1,2081, mostrando força relativa. "A Europa está conseguindo manter um crescimento estável enquanto outras economias vacilam", observa nossa equipe de análise. Com os fluxos de hedge contra o dólar atingindo níveis extremos, muitos investidores institucionais estão reduzindo exposição a ativos denominados em dólares.
Perguntas e Respostas sobre o Mercado Cambial
Por que o euro está mais forte que o dólar em 2026?
O euro beneficia-se da recuperação econômica europeia (1,4% em 2025) e da perda de confiança no dólar, agravada por riscos políticos e mudanças estruturais nos mercados financeiros.
É verdade que o dólar não é mais um porto seguro?
Dados do Deutsche Bank mostram que a correlação entre dólar e ações americanas tem sido próxima de zero, desafiando a noção tradicional. Durante crises recentes, o dólar não subiu como esperado.
Como está o posicionamento dos grandes investidores?
Segundo o Bank of America, os gestores estão mais pessimistas com o dólar desde 2012. Dados de opções do CME mostram mais apostas contra do que a favor da moeda americana.