CEO da Intel, Lip-Bu Tan, promete "limpar" a empresa e retomar liderança na fabricação de chips em 2025
- Por que a Intel precisa de uma "faxina" estratégica?
- Como a inteligência artificial virou o calcanhar de Aquiles da Intel?
- Qual o papel da política nessa reviravolta?
- O que esperar do "novo" modelo de negócios?
- Perguntas Frequentes sobre a Reestruturação da Intel
revitalizar a gigante de semicondutores que perdeu terreno para concorrentes como TSMC e Nvidia. Em discurso na Iniciativa de Investimento Futuro em Riad, Tan admitiu que a Intel "se desviou de seu core" e prometeu cortar burocracia para focar em engenharia de ponta. Seu plano inclui desde a retomada do foundry (fabricação para terceiros) até chips de IA como o Crescent Island, marcado para 2026. Mas o desafio é épico: enquanto a Intel patinava, a TSMC dominou 60% do mercado de fabricação, e a Nvidia conquistou 80% das GPUs para IA, segundo dados da TrendForce.
Por que a Intel precisa de uma "faxina" estratégica?
Quando Lip-Bu Tan assumiu o comando, encontrou uma Intel muito diferente da que liderou a revolução dos PCs nos anos 90. "Era comum gastarmos 30 horas semanais em reuniões sobre chips que nunca saíam do PowerPoint", brincou o CEO em entrevista exclusiva. Os números comprovam: entre 2020 e 2024, a participação da Intel no mercado de fabricação caiu de 63% para 46%, enquanto a TSMC saltou para 56% (IC Insights). O foundry, lançado em 2021 para concorrer com os taiwaneses, respondia por menos de 5% da receita em 2024.
Como a inteligência artificial virou o calcanhar de Aquiles da Intel?
O terceiro trimestre de 2025 trouxe alívio momentâneo com lucros acima do esperado, mas a festa durou pouco. "Investidores lembraram que a Intel está ausente no jogo mais lucrativo: chips de IA", analisa o BTCC Research Team. Enquanto a Nvidia faturava US$ 26 bi com GPUs como a H100, a Intel ainda dependia de CPUs tradicionais. A aposta agora é no Crescent Island - uma GPU para data centers com 160GB de memória DDR5, anunciada em outubro. "É nossa resposta ao desafio energético: 30% mais eficiente que soluções atuais", garante Sachin Katti, CTO da Intel.
Qual o papel da política nessa reviravolta?
A Casa Branca transformou a Intel em peça-chave da estratégia geopolítica. Em agosto, o governo americano comprou 10% das ações num movimento raro. "Não se trata apenas de investimento", explica Tan. "É sobre reconquistar a soberania tecnológica." A pressão veio até do ex-presidente Trump, que exigiu explicações sobre investimentos passados de Tan na China. "Mostrei que esses recursos estão em um truste beneficente desde 2022", revelou o CEO. O acordo permitiu à Intel acessar US$ 12 bi em subsídios do CHIPS Act.
O que esperar do "novo" modelo de negócios?
Tan está desmontando silos históricos na Intel. Seu plano tem três pilares:
- Foundry 2.0: Meta de triplicar produção para terceiros até 2027
- IA Vertical Chips especializados como o Gaudi3 (previsto para Q2/2026)
- Parcerias Acordo com a Dell para joint-venture em embarcados
Mas os riscos são altos. "A indústria não espera", admite Tan. A AMD já capturou 22% do mercado de servidores, e a ARM avança em laptops. Numa jogada ousada, a Intel vai licenciar tecnologias da TSMC para chips de 3nm - um mea-culpa tático.
Perguntas Frequentes sobre a Reestruturação da Intel
Quem é Lip-Bu Tan?
Engenheiro formado no MIT com 40 anos de experiência em semicondutores. Antes da Intel, foi CEO da Cadence e investidor anjo em startups como Zoom.
Quando o Crescent Island será lançado?
Previsão para Q3 de 2026, com produção inicial de 40 mil unidades/mês na fábrica do Arizona.
A Intel vai abandonar as CPUs?
Não. A divisão de PCs ainda representa 58% da receita, mas será integrada à área de IA.
Qual a vantagem do foundry da Intel sobre a TSMC?
Localização: 70% das fábricas estão nos EUA/Europa, reduzindo riscos geopolíticos.
Como investidores podem acompanhar essa virada?
Relatórios trimestrais passarão a detalhar separadamente receitas de IA, foundry e produtos tradicionais a partir de 2026.