Stablecoins e remessas da América Latina: o mercado mal compreendido de US$ 174 bilhões

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Autora: Claudia

 

Compilado por: Jiahua, ChainCatcher

 

Ultimamente, o plano de negócios de todas as empresas fintech inclui a mesma página: "A América Latina é a próxima grande oportunidade. As stablecoins são a solução definitiva para pagamentos internacionais."

 

Mas se você perguntar a eles qual o tamanho real de seus canais de remessa; qual a porcentagem de usuários que preferem dólares em vez de sua moeda local; por que a taxa de digitalização do México é de 25%, enquanto a da Colômbia ultrapassa os 50%, na maioria das vezes, você receberá silêncio.

 

Passei seis meses trabalhando com nossas equipes locais no Brasil, México, Argentina, Colômbia e Peru, realizando pesquisas de campo. Conversei com usuários, mapeei concorrentes, analisei dados internos de compartilhamento de arquivos, cartões e pagamentos, e testei a fundo cada hipótese presente em relatórios públicos.

 

Aqui estão nossas descobertas reais. Como desenvolvedor na linha de frente, levei seis meses para escrever este artigo e espero que ele ajude você a obter uma compreensão abrangente do que está acontecendo nesse mercado. Você verá que a maioria das empresas fintech interpretou mal esse mercado e, ao final do artigo, também destaco o potencial desse mercado, esperando que seja útil para você.

 

México atinge o pico, América Central prospera.

Até 2025, o total de remessas para a América Latina deverá atingir um recorde histórico de aproximadamente US$ 174 bilhões, um aumento em relação aos US$ 161 bilhões registrados em 2024. Isso representa cerca de 2,5% do PIB da região.

 


Pela primeira vez em 11 anos, o México registrou uma queda de 4,5%, para US$ 61,8 bilhões. Enquanto isso, a América Central vive um período de crescimento: Guatemala: +15%; Honduras: +19%; El Salvador: +18%; Colômbia: +13%; República Dominicana: +10%.

 

Essa não é uma flutuação aleatória. Trata-se de uma mudança estrutural impulsionada pela política de imigração dos EUA. Imigrantes da América Central estão enviando mais dinheiro para casa, mais rapidamente e em quantias maiores, para evitar o risco de deportação.

 

O México possui uma população imigrante mais madura e bem documentada, e não apresentou o mesmo comportamento de remessas impulsionado pelo pânico. Os canais de remessa "quentes" que surgem agora não são os canais-alvo otimizados pela maioria das empresas fintech.

 

A distribuição completa dos dados é a seguinte: México: aproximadamente US$ 61,8 bilhões (queda de 4,5%); América Central: aproximadamente US$ 55 bilhões (aumento de mais de 20%); América do Sul: aproximadamente US$ 36 bilhões (aumento de 11%); Caribe: aproximadamente US$ 21 bilhões (aumento de 9%).

 

Um dado interessante: até 2027, o volume de transações de pagamento transfronteiriças (comércio exterior + B2C + remessas) deverá ultrapassar os 300 mil milhões de dólares.

 

Um fato estrutural pouco discutido é que, na América Latina, a proporção entre entradas e saídas de capital chega a 16 para 1. As entradas somam US$ 174 bilhões, enquanto as saídas são de aproximadamente US$ 10 bilhões. Os cinco principais canais de entrada têm origem nos Estados Unidos:

 

EUA → México

EUA → Guatemala

EUA → República Dominicana

EUA → El Salvador

EUA → Honduras

 

Todos estão competindo por esses mercados. As áreas inexploradas são os canais de remessa fora dos EUA:

 

Venezuela → Colômbia → Espanha → Equador / Colômbia / República Dominicana → Argentina → Bolívia / Espanha → Costa Rica → Nicarágua

 

Esses canais são relativamente pequenos em escala, mas quase não existem operadores de remessas (MTOs) com licenças americanas que forneçam serviços, e eles são pouco afetados pelas redes de pagamento em criptomoedas.

 

Se você busca um canal defensivo em 2026, é aqui que deve prestar atenção. Principalmente porque o imposto de 1% sobre remessas nos EUA (aprovado no verão de 2025, afetando cerca de metade dos remetentes) começará a impulsionar o volume de transações para canais digitais e fora dos EUA.

 

Os usuários-alvo não são negociadores de criptomoedas.

A maioria das empresas fintech está criando produtos para traders de criptomoedas de 25 anos. Esse é o público-alvo errado.

 

 

Com base em nossa pesquisa de campo, o perfil real dos usuários de remessas na América Latina é o seguinte:

 

Idade: 40 a 60 anos. Envia dinheiro para casa todos os meses.

 

Valor: de US$ 131 a US$ 648 por mês, representando de 6% a 23% de sua renda.

 

Destinatários: Mais da metade envia dinheiro para suas mães. Um terço envia para seus pais.

 

Utilização dos fundos: 80% para despesas do dia a dia, incluindo alimentação, moradia e transporte. Em seguida, despesas médicas. Depois, educação e poupança.

 

Isso representa uma economia vital para as famílias. O que isso significa para os produtos?

 

A tolerância ao risco é quase zero. A confiança é mais importante do que a funcionalidade. Um processo simples é essencial. Depositar → Confirmar → Enviar, só isso.

 

Espanhol e português são requisitos indispensáveis, não meros "desejáveis". O WhatsApp e a abordagem "mobile-first" sempre superam as soluções baseadas na web.

 

Se o seu produto fizer um operário de fábrica de 50 anos em Nova Jersey pensar por mais de 30 segundos antes de enviar 300 dólares para sua mãe em Honduras, você já perdeu.

 

O setor de criptomoedas passou cinco anos otimizando seus serviços para o grupo de usuários errado. Os clientes de remessas de varejo na América Latina não querem "autocustódia". Eles só querem saber se o dinheiro chegou em segurança.

 

Na América Latina, as stablecoins são o próprio produto.

Os dados a seguir devem reformular a estratégia de todas as empresas fintech. Salvo indicação em contrário, todos os dados são provenientes do Relatório de Panorama das Criptomoedas de 2025 da Bitso (mais de 10 milhões de usuários de varejo) e do Relatório de Geografia das Criptomoedas de 2025 da Chainalysis.

 

 

Argentina: USDC e USDT representam mais de 70% de todas as compras de criptomoedas. Dolarização digital completa. O impacto do Bitcoin é mínimo, representando cerca de 8%. (Bitso 2025)

 

Colômbia: As stablecoins representam cerca de 52% das compras de criptomoedas, um aumento de 2 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Impulsionadas pela desvalorização do peso e pelo limite mínimo de depósito de US$ 5.000 para contas bancárias em dólares colombianos, as stablecoins se tornaram a única alternativa acessível ao dólar. (Bitso 2025)

 

México: As stablecoins representam cerca de 40% das compras de criptomoedas, um aumento em relação ao ano passado. Principalmente USDT, impulsionado principalmente pelo fluxo de fundos provenientes de canais de remessa dos EUA. (Bitso 2025)

 

Brasil: Dois números contam histórias diferentes. As stablecoins representam cerca de 34% das compras (o Bitcoin representa cerca de 22%), tornando-o o mercado de varejo mais equilibrado da América Latina.

 

Mas, em nível sistêmico, relatórios de bancos centrais indicam que cerca de 90% do volume de negociação de criptomoedas está ligado a stablecoins. Os ativos adquiridos pelos usuários são mistos, mas o fluxo de fundos é denominado em dólares. (Bitso 2025; Chainalysis 2025 citando dados de bancos centrais)

 

Na América Latina: até 2025, as stablecoins representarão 40% de todas as compras de criptomoedas, ultrapassando o Bitcoin (18%) na região pela primeira vez. O volume acumulado de negociação de criptomoedas ao longo de três anos (de julho de 2022 a junho de 2025) é de aproximadamente US$ 1,5 trilhão. (Bitso, Chainalysis)

 

Em nível institucional: Uma pesquisa da Fireblocks com instituições na América Latina revelou que 71% delas utilizam stablecoins para pagamentos internacionais, a maior proporção global, enquanto a média mundial é de 49%. (Relatório de Status das Stablecoins da Fireblocks para 2025)

 

Existem duas maneiras de interpretar esses dados, ambas verdadeiras e que merecem ser distinguidas:

 

Na Argentina, mais de 70% dos ativos comprados em corretoras são stablecoins. Este é um sinal comportamental que representa a completa dolarização do varejo. As pessoas usam USDC e USDT como contas de poupança.

 

No Brasil, as stablecoins representam cerca de 90% do volume de negociação. Isso indica que a maior parte dos fundos que circulam na rede de pagamentos criptográficos brasileira está denominada em dólares, mesmo que os usuários utilizem Bitcoin ou tokens locais na experiência de compra.

 

Essas situações contam histórias diferentes. A Argentina representa usuários que desejam dólares. O Brasil representa um sistema que opera em dólares. Ambos chegam à mesma conclusão, mas as implicações para os produtos são diferentes.

 

Por que isso está acontecendo? Não porque os usuários latino-americanos amem criptomoedas. Elas estão resolvendo três problemas que os bancos não conseguem solucionar: proteção contra a inflação (Argentina, Venezuela), controle de capitais (Argentina, Brasil) e transferências transfronteiriças de ativos de forma rápida e barata.

 

É aqui que a maioria das empresas fintech ocidentais se esquece: na América Latina, os saldos em stablecoins são o grande diferencial. Os usuários não querem "usar" stablecoins para uma transação e depois convertê-las de volta para a moeda local.

 

Eles querem manter dólares. As transações são apenas uma consequência.

 

Isso é fundamentalmente diferente dos produtos que estão sendo desenvolvidos pela Wise ou pela Remitly. É por isso também que a próxima fase das fintechs na América Latina será vencida por quem controla os saldos diários, e não por quem controla as transferências.

 

Quem vencerá na próxima década?

O mercado de remessas da América Latina não possui atualmente um vencedor absoluto. Este mercado de US$ 161 bilhões está dividido entre os seguintes seis tipos de participantes:

 

 

Bancos (Citibank, Bancolombia, BAC): Possuem confiança e infraestrutura, mas são lentos e caros, dependendo de sistemas de bancos correspondentes.

 

Operadoras tradicionais de remessas (Western Union, MoneyGram, Ria): Possuem marca e redes de agentes, mas custos elevados e são sobrecarregadas por locais físicos.

 

Empresas de telecomunicações e varejistas (M-Pesa, Tigo, Walmart, 7-Eleven): Possuem canais de distribuição, mas não são plataformas digitais nativas.

 

Operadoras de remessas digitais (Wise, Remitly, Xoom): Boa experiência, baixo custo, mas menor confiança e reconhecimento da marca.

 

Operadoras de criptomoedas (Bitso, Strike, Felix Pago): Rápidas e com custo quase zero, mas carecem de confiança e enfrentam riscos regulatórios.

 

Provedores de serviços de infraestrutura (TerraPay, Thunes, Loop, dLocal): Possuem capacidade de cobertura B2B, mas não têm marcas voltadas para o varejo.

 

Se você não tem certeza de quem está dominando o mercado, podemos analisar as mudanças na participação de mercado. No corredor EUA-América Latina e Caribe (2020 → 2024):

 

Western Union: 29% → 16,8% (em colapso)

 

Remitly: 14% → 22,7% (plataformas puramente digitais estão vencendo)

 

MoneyGram: 7% → 9,9% (taxa fixa)

 

 

A tendência é clara: as operadoras tradicionais de remessas, como a Western Union, estão perdendo essa batalha, enquanto as plataformas digitais estão conquistando rapidamente a participação de mercado das empresas tradicionais.

 

A Bitso sozinha agora processa cerca de 10% do fluxo de fundos entre os EUA e o México usando redes de pagamento com stablecoins. A Felix Pago facilitou mais de US$ 1 bilhão em transações de USDC para SPEI via WhatsApp.

 

Os vencedores da próxima década serão uma combinação destes quatro fatores: experiência digital do usuário, baixo custo, confiança e a rede de pagamentos stablecoin subjacente.

 

Os bancos ficam com 5%, as redes de criptomoedas apenas com 2%.

O custo médio do envio de remessas para a América Latina é de aproximadamente 6,0% do valor da remessa. O país mais caro é o Paraguai, com 11,9%, e o mais barato é El Salvador, com 3,9%. Transferências em dinheiro têm um custo médio de cerca de 6,21%, enquanto transferências digitais custam em média 5,11%.

 

Vamos analisar um panorama real da situação dos EUA ao México (US$ 300, dezembro de 2025):

 

 

A partir dos dados, podemos ver facilmente: os bancos obtêm um lucro de cerca de 3 a 5% com o spread cambial. Mesmo que a taxa apareça como "0 dólares", os bancos ainda assim lucram com a variação cambial.

 

As redes de pagamento em criptomoedas reduzem os custos totais para menos de 1-2%. Para um imigrante que envia US$ 300 por mês, isso significa economizar de 5 a 8% por transação diretamente para sua família. Acumulado ao longo de um ano, isso equivale a um mês de compras no supermercado.

 

Este é o ponto de entrada. Além disso, em canais fora dos EUA, essa vantagem é ainda mais acentuada.

 

O corredor Venezuela-Colômbia é o canal intrarregional mais popular, estimado em US$ 2,35 bilhões em 2021. Antes de considerar as taxas de câmbio extremamente inflacionadas dos bancos tradicionais, as tarifas podem chegar a 1-3%.

 

Os canais com as piores estruturas de custos tradicionais são precisamente onde as stablecoins estão a causar disrupção. É por isso que, anos antes da introdução de qualquer quadro regulamentar, a Venezuela já tinha avançado em direção às transações ponto a ponto com stablecoins.

 

O mesmo continente, cinco conjuntos de regras regulatórias.

A maioria dos planos de negócios para "expansão na América Latina" trata a região como um único país. Mas não é. O cenário regulatório é o principal motivo pelo qual a maioria das fintechs não consegue se expandir para cá. Além disso, a partir de 2025, surgiu uma nova variável que a maioria das pessoas não levou em consideração.

 

 

A maior mudança neste mapa não está na América Latina, mas nos Estados Unidos.

 

Uma taxa federal de 1% sobre remessas em dinheiro, parte do "Big Beautiful Bill", foi aprovada no verão de 2025, afetando cerca de metade dos remetentes. Transferências por meio de redes de pagamento digitais e criptomoedas são, em grande parte, isentas.

 

Este é o maior benefício regulatório para o setor de remessas de stablecoins concedido pela política dos EUA em uma década. Propostas para que os estados aumentem seus próprios impostos também estão circulando. A migração em curso do dinheiro físico para o digital acaba de receber uma aceleração forçada.

 

Ao visualizar este mapa, uma estratégia inteligente e faseada para a expansão na América Latina torna-se evidente:

 

Primeiro, Colômbia e Argentina: caminhos mais rápidos, intervenção regulatória mais leve.

 

Avançando simultaneamente no Brasil e no México, entrando por meio de parceiros locais licenciados: ritmo mais lento, porém defensivo.

 

Entrando na Venezuela por meio de redes de stablecoins ponto a ponto: a demanda já existe naturalmente, vá aonde a demanda está.

 

Um erro comum na maioria dos planos de expansão é começar pelo Brasil porque "é o maior". O Brasil é o maior, mas também o mais difícil. Primeiro, conquiste os mercados mais fáceis para adquirir experiência prática em redes de pagamento locais e, em seguida, entre no Brasil com parceiros devidamente licenciados.

 

Não subestime a influência dos EUA. Este imposto de 1% é o tipo de mudança política que silenciosamente redesenha o mapa.

 

Dentro de 12 meses, a proporção de remessas realizadas por meio de dinheiro em espécie cairá drasticamente. Até lá, aqueles que controlarem as redes de pagamento digitais e de criptomoedas dominarão um mercado totalmente novo, vastamente diferente do atual.

 

Qual é a aparência de uma pilha tecnológica vencedora?

Após seis meses de observação sob diversas perspectivas, eis a arquitetura tecnológica que pode vencer:

 

Integração com redes de pagamento locais: Pix (Brasil), SPEI (México), PSE (Colômbia), CVU/CBU (Argentina).

 

Liquidez escalável em stablecoins: USDT e USDC, livros de ordens amplos, spreads mínimos e conversão rápida para moedas locais (Real brasileiro/Peso mexicano/Peso argentino/Peso colombiano). Este é um requisito básico, não uma vantagem competitiva significativa.

 

Camada de cartão: Como os destinatários geralmente querem gastar esses dólares, e não apenas recebê-los, adicionar um cartão além dos saldos em stablecoins pode transformar os produtos de remessa em produtos financeiros do dia a dia.

Essa é a direção que a Visa e a Bridge estão tomando em relação ao seu design de cartão com stablecoin, à integração do USDC pelo Nubank e a uma onda de colaborações regionais entre empresas de cartões e fintechs.

 

Camada de valor agregado/rendimento: Refere-se à parcela das remessas que os destinatários mantêm em vez de gastarem. Oferecer um rendimento de 4 a 6% em USDC supera todas as contas de poupança locais da região. Esta é uma parte que quase ninguém consegue integrar bem.

 

Confiança e uma experiência minimalista: verificação KYC única, uso de idiomas locais e uma interface que até uma pessoa de 55 anos consegue usar facilmente. O produto que vence no final não é o que tem mais recursos, mas sim o mais simples.

 

Assim, podemos observar o ciclo fechado: Depósito → Remessa → O destinatário fica com USDC ou o troca por moeda local através de redes de pagamento locais → Gasta com cartão ou obtém rendimento do saldo.

 

Isso é algo que os bancos não podem fazer (eles não possuem redes de pagamento com stablecoins). Operadoras de remessas tradicionais não podem fazer isso (elas não possuem as tecnologias de carteira/cartão necessárias). Corretoras de criptomoedas puras não podem fazer isso (elas não possuem integração de pagamentos locais). E bancos puramente digitais não podem fazer isso (eles não possuem liquidez transfronteiriça em criptomoedas).

 

Empresas que se preparam para aproveitar essa oportunidade estão surgindo de todas as direções e convergindo para o ponto central. Quem primeiro conseguir montar a estrutura completa ganhará o equilíbrio diário.

 

A confiança é dez vezes mais importante que a tecnologia.

Primeiro, parem de tratar a América Latina como um único mercado. Brasil, México, Argentina, Colômbia, cada país exige licenças diferentes, redes de pagamento diferentes, stablecoins diferentes e estratégias de marketing diferentes.

 

As empresas que se destacam nesse segmento operam com conjuntos de tecnologias adaptados a países específicos, e não a regiões. Tratar a "expansão para a América Latina" como um projeto único no planejamento estratégico demonstra que essa equipe não fez a lição de casa.

 

Em segundo lugar, a adoção de stablecoins já aconteceu. O debate sobre "se os usuários vão ou não manter dólares digitais" acabou; eles já os mantêm em grandes quantidades, independentemente da existência do seu produto.

 

A questão que permanece é onde eles depositam seus saldos: em corretoras, carteiras digitais, bancos digitais ou contas vinculadas a cartões. Produtos que conseguem capturar saldos diários conquistarão os usuários. Todo o resto é apenas uma transação passageira.

 

Em terceiro lugar, o gargalo é a confiança, não a tecnologia. A chave para desbloquear as redes de pagamento em criptomoedas nas remessas de varejo é uma marca em que até a mãe do destinatário confie.

 

Isso é uma questão de marketing, não de engenharia. A maioria das empresas fintech nesse setor são superdimensionadas e pouco divulgadas. Pessoas locais, idiomas locais e parcerias com a comunidade local sempre terão um desempenho melhor do que tecnologias mais avançadas.

 

Na verdade, a América Latina não é "a próxima grande oportunidade". Atualmente, ela representa a maior oportunidade no setor de pagamentos internacionais impulsionados por stablecoins, tendo se desenvolvido discretamente por dois anos enquanto todos estavam focados nos Estados Unidos.

 

As empresas fintech que se destacarão na próxima década nesta região serão aquelas que combinarem redes de pagamento locais, liquidez de stablecoins, confiança e uma economia de ciclo fechado (remessa → posse → gasto → ganho).

 

A maioria das equipes que vi apresentando propostas para empresas latino-americanas possui apenas um ou dois desses elementos. Pouquíssimas conseguem tê-los todos.

 

É aí que reside a lacuna. E é aí que está a oportunidade.

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