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Criptomoedas Buscam Acesso ao Sistema da Fed: A Batalha por Legitimidade e Regulação

Criptomoedas Buscam Acesso ao Sistema da Fed: A Batalha por Legitimidade e Regulação

Published:
2025-07-13 17:18:02


O mundo das criptomoedas está dando passos ousados em direção ao sistema financeiro tradicional, com empresas como Ripple, Circle e Kraken buscando charters bancários, parcerias estratégicas e até contas diretas no Federal Reserve. Este movimento não é apenas sobre expansão - é uma busca por legitimidade em um mercado cada vez mais regulado. Enquanto isso, Washington responde com projetos de lei como o "Genius Act", que pode redefinir as regras para stablecoins. Veja como essa revolução silenciosa está moldando o futuro das finanças.

Por que as empresas de cripto estão correndo para obter charters bancários?

Nos últimos meses, vimos um movimento surpreendente no setor cripto. Ripple, conhecido por seu sistema de pagamentos XRP, e Circle, emissor do USDC, solicitaram charters do National Trust Bank. Não são os únicos - a BitGo, especializada em custódia de criptoativos, também entrou na fila. Enquanto isso, a Kraken está seguindo um caminho diferente, lançando diretamente serviços de cartão de débito e crédito.

Na minha experiência acompanhando esse mercado, essa "convergência natural" (como definiu Arjun Sethi, co-CEO da Kraken) entre cripto e bancos tradicionais era inevitável. As empresas não querem se tornar bancos completos - a Kraken, por exemplo, afirma claramente que não pretende oferecer hipotecas. O que buscam são parcerias estratégicas que lhes permitam operar dentro do sistema, sem abrir mão de seu core business.

Qual o real objetivo por trás dessas manobras regulatórias?

Brad Garlinghouse, CEO da Ripple, foi direto ao ponto: a empresa já solicitou uma "master account" no Federal Reserve. Isso permitiria à Ripple manter reservas de stablecoins diretamente no banco central, assim como os grandes bancos de Wall Street. Não se trata apenas de conveniência operacional - é uma questão de status e reconhecimento.

Atualmente, apenas a Anchorage Digital possui um charter bancário nacional no espaço cripto. Essas licenças especiais não permitem captar depósitos diretamente de clientes, mas oferecem uma grande vantagem: substituem a necessidade de licenciamento estado por estado por um único guarda-chuva nacional. Para empresas que operam em todos os 50 estados, isso representa uma economia de tempo e recursos considerável.

Como o cenário político influencia essa corrida regulatória?

O clima em Washington está mais quente do que um minerador de Bitcoin no verão. Max Bonici, da Davis Wright Tremaine, resumiu bem: "É uma reviravolta de 180 graus em relação ao discurso inicial da indústria, que pregava independência total do sistema bancário". Agora, o mantra é "nos regulamentem".

A administração Trump mostrou-se surpreendentemente aberta a charters cripto, uma postura que contrasta fortemente com a equipe de Biden. David Portilla, especialista em regulação financeira, nota que essa abertura para inovações como stablecoins representa uma mudança radical em relação à cautela do governo anterior.

O que esperar da nova legislação sobre stablecoins?

O "Genius Act" em discussão no Congresso pode mudar as regras do jogo. O projeto exige que todas as stablecoins lastreadas em dólar sejam garantidas por títulos do Tesouro americano e só poderão ser emitidas por empresas com licenças da OCC ou bancos regulamentados.

Adam Chernichaw, da Pillsbury, acredita que essa regulamentação pode finalmente integrar as stablecoins ao mercado financeiro tradicional de forma significativa. Com o uso crescente desses ativos em pagamentos transfronteiriços e como rampas de entrada para o trading, a pressão por regras claras só aumenta.

Quem mais está se movendo nesse tabuleiro?

A Robinhood, que obteve mais de 50% de sua receita de transações com cripto no ano passado, prepara-se para lançar funções bancárias ainda este ano. Vlad Tenev, seu CEO, promete "revolucionar tudo para os usuários", incluindo serviços fiscais e planejamento sucessório.

Do outro lado do Atlântico, a Revolut - neobank com forte atuação em cripto - planeja obter uma licença bancária nos EUA. Até o Bank of America estaria se preparando para emitir sua própria stablecoin assim que as regras forem definidas.

Enquanto isso, a Kraken, já licenciada em Wyoming, está cortando caminho - em vez de buscar um charter federal, vai direto para o lançamento de novos produtos, focando no que sabe fazer melhor: serviços de cripto e cartões.

Perguntas Frequentes

Por que as empresas de cripto querem se tornar bancos?

Não é exatamente que queiram se tornar bancos tradicionais. O que buscam são licenças que lhes permitam operar em todo o território nacional sem precisar de autorizações estado por estado, além de acesso direto ao sistema da Reserva Federal.

Qual a diferença entre um charter bancário e uma licença de money transmitter?

Um charter bancário nacional permite operar em todos os estados sem licenças individuais, enquanto uma licença de money transmitter geralmente se aplica a serviços específicos de transferência e requer aprovação em cada jurisdição.

As stablecoins vão ser banidas?

Nada indica que haverá um banimento. A tendência é de regulamentação mais estrita, especialmente para stablecoins lastreadas em dólar, que deverão ter reservas em títulos do Tesouro americano e serem emitidas por entidades autorizadas.

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