Entrevista com Karen Kharmandarian, Diretor de Gestão de Ações Temáticas na Mirova: Tendências Estratégicas para 2026
- Quais são as megatendências que devem dominar a década?
- As avaliações do setor de IA estão superaquecidas?
- Por que a dispersão setorial recente é positiva?
- Quem são os principais players no portfólio de IA da Mirova?
- Como justificar investimentos em múltiplos elevados?
Nesta entrevista exclusiva, Karen Kharmandarian, Diretor de Gestão de Ações Temáticas na Mirova, compartilha suas perspectivas sobre as megatendências que moldarão os mercados em 2026. Com foco em IA, transição energética e reconfiguração geopolítica, ele detalha como a Mirova está posicionando seus investimentos para capturar oportunidades em meio a um cenário de transformação global. A conversa também aborda avaliações de mercado, dispersão de desempenho entre ações de tecnologia e os critérios para investir em empresas com múltiplos elevados.
Quais são as megatendências que devem dominar a década?
Karen Kharmandarian não hesita: "Três eixos vão redefinir os próximos anos". O primeiro é a inteligência artificial, que ele considera ainda em fase embrionária, apesar dos avanços recentes. "Estamos apenas arranhando a superfície do potencial transformador da IA", comenta. O segundo pilar é a transição energética, que permanece urgente tanto por questões climáticas quanto de soberania econômica europeia. "Alguns podem ter se desanimado com os altos e baixos do setor, mas a necessidade estrutural só cresce", argumenta. Por fim, a geopolítica: "As tensões globais estão forçando a Europa a repensar dependências críticas, especialmente em tecnologia, defesa e cadeias industriais estratégicas".
As avaliações do setor de IA estão superaquecidas?
"Há perguntas legítimas sobre certas empresas", admite Kharmandarian. Ele observa que enquanto algumas ações menores apresentam desequilíbrios financeiros, as grandes capitalizações do setor mantêm fundamentos sólidos. "Nvidia, Microsoft e outras líderes têm receitas diversificadas, pouco endividamento e fluxos de caixa robustos", explica. Um dado crucial: "A valorização em 2025 veio principalmente do crescimento orgânico, não da expansão de múltiplos". O executivo prevê que o foco deve migrar gradualmente da infraestrutura de IA para aplicações práticas. "Ainda estamos no primeiro capítulo desta revolução", compara.
Por que a dispersão setorial recente é positiva?
Após meses de concentração extrema em poucos nomes de tecnologia, Kharmandarian celebra a maior diversificação: "Isso cria espaço para a gestão ativa brilhar". Ele nota o fenômeno até entre blue-chips, com desempenhos começando a divergir significativamente. "Mercados saudáveis precisam de variedade, não de monocultura", filosofa. Essa dinâmica, segundo ele, permite identificar melhor os verdadeiros inovadores dos "surfistas de onda".
Quem são os principais players no portfólio de IA da Mirova?
Kharmandarian detalha uma estratégia focada no "vale-tudo" da IA: desde semicondutores (TSMC, ASML) até chips (Nvidia, AMD) e infraestrutura de dados (Snowflake, MongoDB). "Broadcom é essencial nos data centers de IA, enquanto Alphabet e Microsoft são apostas transversais", explica. Na camada de software, ele destaca ServiceNow: "Estão se tornando o sistema operacional dos fluxos de trabalho corporativos, com barreiras de entrada tangíveis". Sobre aplicações específicas, reconhece: "O mercado ainda está separando os futuros vencedores dos disruptados - daí a volatilidade atual".
Como justificar investimentos em múltiplos elevados?
"Não pagamos por hype, mas por visibilidade de crescimento", defende o gestor. Ele busca empresas com roadmap claro, carteira de pedidos sólida e posição estratégica inquestionável na cadeia de valor. "Quando você vê uma Nvidia dominando 80% de um mercado vital com margens crescentes, entende que 'caro' é relativo", exemplifica. A equipe da Mirova combina análise fundamentalista rigorosa com avaliação de tendências de longo prazo. "As melhores oportunidades muitas vezes parecem caras até você entender o tamanho do mercado addressable", conclui.